Leigos Missionários Combonianos

190º Aniversário do nascimento de São Daniel Comboni

Daniel Comboni

«Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado!»

Manter Vivo o Fogo

Daniel Comboni

Introdução. Com a celebração do 190º aniversário do nascimento de São Daniel Comboni (Limone Sul Garda, 15 de Março de 1831) e o 140º aniversário da sua morte (Cartum, 10 de Outubro de 1881), somos convidados a celebrar o nosso memorial carismático e a invocar a força da presença do Espírito que iluminou a sua vida, desde o nascer ao morrer. A sua beatificação (17 de Março de 1996), da qual ocorre o 25º aniversário este ano, foi um dom carismático para toda a família comboniana. Naquele momento[1], os conselhos gerais publicaram uma mensagem e uma carta conjunta para encorajar os membros da nossa família missionária à alegria e ao olhar espiritual para com o nosso pai, em busca de inspiração e fecundidade para o serviço missionário. Por fim, com a canonização, a Igreja inscreveu-o no álbum dos Santos, reconhecendo a validade e actualidade do carisma missionário e propondo São Daniel Comboni como modelo de vida cristã e de missão, exemplo e paradigma de um empenho missionário universal, que une continentes e povos diversos na paixão por Deus e pela Humanidade. Também então, os nossos conselhos gerais nos ofereceram uma mensagem[2] e uma carta[3] convidando-nos a olhar para São Daniel como testemunha e mestre da santidade a que somos chamados e da missão que vivemos. A presente carta insere-se neste movimento de memória e actualização do dom carismático confiado a São Daniel e, nele, a todos nós: dom de Deus reavivado em cada geração comboniana.

Considerar as próprias raízes. Fazer memória do nascimento de São Daniel Comboni convida-nos, antes de mais, a considerar as suas raízes familiares, eclesiais e sociais, que tanto o influenciaram e às quais voltava frequentemente[4]. O seu nascimento dá-se entre dificuldades e constrangimentos. Os seus pais eram migrantes, vindos para Limone em busca de trabalho. O pai, Luigi Comboni, com 15 anos de idade, em Dezembro de 1818 viera para Limone proveniente de Bogliaco. A mãe, Domenica Pace, nascera em Limone (31 de Março de 1801) mas a família provinha de Magasa, nas montanhas. Luigi e Domenica casaram-se a 21 de Julho de 1826, na igreja de San Benedetto e tiveram, segundo o registo dos baptismos, seis filhos; a estes seria de juntar dois gémeos mortos, que não foi possível baptizar[5].

«Daniel Comboni cresceu na modesta casa do Tesol com os pais, vivendo as alegrias e os sofrimentos da família. Dos seus irmãos sobreviveram só Vigilio (1827-1848) e Marianna (1832-1836)»[6]. Ele teve grande afecto e estima pela sua mãe e o seu pai. A mãe morreu a 14 de Julho de 1858, durante a sua primeira viagem a África, e foi com o pai Luigi que Daniel manteve uma intensa correspondência, na qual reconhecia a religiosidade dos pais e a influência que tiveram na sua vida e vocação missionária. Nestas cartas comprovam-se os elementos humanos e cristãos que constituíram o húmus que fez crescer a vocação e a missão de São Daniel (o apelo da beleza do lago e das montanhas, o brio da fé e vida cristã, a devoção à Cruz do Salvador, a contemplação do Seu amor e do Coração transpassado, a paixão por Deus e pelos mais necessitados): «Ânimo, pois, meu querido pai! Eu tenho o coração sempre voltado para vós, falo convosco todos os dias, sou parte dos vossos afãs e saboreio de antemão as delícias que Deus vos reserva no Céu. Coragem, portanto. Seja Deus o centro de comunicação entre vós e mim. Ele guie os nossos empreendimentos, os nossos assuntos, os nossos destinos e alegremo-nos, que temos um bom amo, um fiel amigo, um pai amoroso»[7]. A celebração do 190º aniversário do seu nascimento oferece-nos uma nova oportunidade de aproximar-nos a ele e às suas raízes familiares e eclesiais, reforçando a consciência das nossas próprias raízes, como fundo espiritual que assegura estabilidade às nossas personalidades e fecundidade espiritual à nossa vida missionária. E esta celebração dá-nos a oportunidade de aprofundar, como família comboniana, o papel de Limone e de continuar a colaboração, empreendida na terra natal de São Daniel Comboni.

Fidelidade no meio das adversidades. A memória do 140º aniversário da morte de Daniel Comboni convida-nos a olhar a sua vida desde o momento supremo do dom de si pela regeneração da nigrícia. Nas cartas escritas nos últimos meses da sua vida, ele surge como um missionário cercado pelas dificuldades, mas radicado na fé: carestia, pestilência e fome, falta de água, escassez de meios materiais para sustentar as iniciativas missionárias, doença e morte dos seus missionários… Nas suas palavras, são «tempos de desolação» em que «são demasiados os sofrimentos que há que aliviar»[8].

Perante estas dificuldades, Comboni permanece ancorado na fé em Deus e na visão missionária que inspirou e susteve a sua vida. «Eu sou feliz na cruz, que levada de boa vontade por amor de Deus gera o triunfo e a vida eterna»: estas palavras[9] encerram, num momento crucial, o estado de ânimo de toda a sua vida. Este regresso aos pés da Cruz, à contemplação do Coração transpassado, onde tudo começou, enche de luz e de coragem o tempo do regresso ao Pai e está na origem da confiança e da «coragem para o presente e, sobretudo, para o futuro»[10] que Comboni impregna nos seus missionários, no momento do Adeus: «Eu morro, mas a obra não morrerá!»[11].

As duas datas do memorial que fazemos este ano delineiam um percurso de vida, no qual a força do Espírito toma forma na vida de São Daniel e torna perceptível e vivo um calce «do amor ilimitado» de Deus[12]; ele deixa-se «formar» pelo Amor que contempla, tendo o olhar fixo em Jesus crucificado. São Daniel deixa-nos um testemunho que é gerador de vida para o nosso hoje.

Entre nascer e morrer. Celebramos estas datas da vida de São Daniel Comboni depois de um ano, o 2020, marcado pela pandemia do coronavírus. E o novo, 2021, iniciou em todo o mundo ainda sob o signo da incerteza e da crise sanitária e económica. Na família comboniana sofremos pelas consequências desta situação: perdemos missionários e missionárias que, após anos de missão, nos enriqueciam com o seu testemunho e que esperavam uma velhice serena[13]; o ritmo das nossas actividades sofreu uma interrupção e os nossos planos e projectos ficaram suspensos; as limitações às deslocações puseram-nos à prova, desafiando a criatividade para permanecer próximo dos pobres e dos últimos, de quem sofre mais as consequências da pandemia; sentimo-nos incapazes de divisar um caminho e um tempo de saída e partilhamos o sentimento de desorientação e de perda que está a arrastar tantos dos nossos irmãos e irmãs.

Olhando para São Daniel Comboni, no arco da sua vida e vocação missionária, entre o nascimento e a morte, vemos como, no momento da crise e da incerteza, soube reconhecer e acatar os movimentos do Espírito, rever os seus planos e renovar o seu empenho missionário, abraçar a Cruz e as dificuldades, ver nelas o sinal de uma presença amorosa e de um agir misterioso de Deus, de uma hora divina com a sua promessa de vida renovada. Em todas estas situações, ele deixa-se atrair pelo Amor de Deus pela África, e não se assusta se é parte de um pequíssimo grupo; persevera, sonha, assume os riscos e é capaz de oferecer a sua vida, sem medir os esforços. Dele aprendemos as atitudes de que temos necessidade para viver este nosso tempo, tão incerto, como uma hora de Deus: a paciência e a fidelidade à vocação missionária; a capacidade de envolver-nos com criatividade, colocando sempre as pessoas e Deus no centro; o sentido da comunhão (ser cenáculo) que mantém unidos e reforça a nossa identidade carismática e a nossa vocação missionária na Igreja de hoje.

Daniel Comboni impele-nos a não deixar que o peso do covid e as reincidências negativas do distanciamento físico, fecham-nos em nós mesmos; a superar competição e conflito, recuperando o espírito de colaboração entre leigas, leigos, irmãs, irmãos, sacerdotes; a fazer crescer o sentido de comunhão e a jovialidade do viver juntos que Comboni recomendava aos seus; a manter viva a esperança mesmo na escuridão, redescobrindo a força do cuidar e da resiliência; a aceitar as mudanças em curso e ver oportunidades onde outros vêem fracasso; a assumir o nascer e o morrer como portas de passagem, desafios à criatividade e ocasião para apoiar-nos mutuamente; a considerar as perdas (de vidas, postos de trabalho, saúde e segurança sanitária e económica…) como ocasião de conversão e de apoio entre nós, indivíduos, famílias e comunidades. Na pandemia mantivemo-nos em comunhão, trocamos informações e demos vida a processos como o Fórum da Ministerialidade Social, cujos encontros se fizeram via zoom; a presente situação desafia-nos a procurar caminhos novos para manter-nos unidos como família comboniana e enfrentar juntos momentos difíceis e mudanças e continuar os processos de colaboração[14].

A luz do testemunho de São Daniel Comboni ilumina o nosso discernimento nos tempos que estamos a viver e no que somos chamados a fazer no futuro imediato, que não será um simples regresso ao passado que conhecemos. Oferece-nos os critérios para assumir os valores que temos a peito, a amizade e o afecto de familiares e amigos; para compreender o destino comum da humanidade, ameaçada pela pandemia e pela catástrofe ecológica; para empenhar-nos na transformação social (da mudança climática ao cuidado pela casa comum e a saúde para todas as pessoas…) dando o nosso contributo com criatividade, renunciando ao supérfluo e favorecendo a solidariedade.

Estas atitudes têm as suas raízes na fé, no «forte sentimento de Deus» e no «interesse vivo pela Sua Glória e o bem das pessoas», sobretudo dos empobrecidos e marginalizados, que são o antídoto que São Daniel Comboni sugere para contrariar o stresse da pandemia e a incerteza dos tempos que vivemos. Ele inspira-nos a encarar o mundo e os acontecimentos que vivemos com o «puro raio da fé»[15] e adverte-nos que o missionário (a missionária) que não tivesse este olhar «acabaria por se encontrar numa espécie de vazio e de intolerável isolamento»[16]. E indica-nos o caminho para permanecer na fidelidade: «… ter sempre os olhos fixos em Jesus Cristo, amando-o ternamente e procurando compreender cada vez melhor o que quer dizer um Deus morto na cruz…»[17]. Comboni fala de «uma chama de fogo divino» que sai do Coração transpassado e que o missionário/a recebe aos pés da cruz para levar a toda a parte, qual fogo que alimenta o próprio empenho pela regeneração das pessoas e a transformação das sociedades em que vive[18].

Manter vivo este Fogo. A memória do nascimento e da morte de São Daniel Comboni recorda-nos que o maior desafio que vivemos neste momento é precisamente este, de manter vivo o fogo, acesa esta chama divina nos nossos corações e «sentir a beleza da paternidade espiritual de São Daniel, que tinha o coração ardente e (…) soube acender profeticamente o fogo do Evangelho atravessando fronteiras (…), incompreensões, visões limitantes, concretizando uma visão missionária inovadora». A fidelidade a Daniel Comboni joga-se no «permanecer no caminho por ele inaugurado» e «acreditar na força do fogo, do Espírito (…) que desce sobre nós para nos tornar corajosos frequentadores do futuro»[19].

Conselhos Gerais das SMC, MSC e dos MCCJ e o Comité Internacional dos LMC


[1] Carta de 23 de Fevereiro de 1996, para a Jornada de Reconciliação. A mensagem «Guardando alla Roccia dalla quale siamo stati tagliati» é de 6 de Abril de 1995.

[2] «Dono da Accogliere e Approfondire» de 15 de Março de 2003.

[3] «Daniele Comboni, Testimone di Santità e Maestro di Missione» de 1 de Setembro de 2003.

[4] Quer com as visitas à casa natal em Limone, quer, sobretudo, com as cartas aos pais, ao pai uma vez falecida a mãe, aos primos, aos párocos e aos cidadãos de Limone. O epistolário de Daniel Comboni com o pai reporta-nos 31 cartas. A primeira é escrita do Cairo a 19 de Outubro de 1857, a última a 6 de Setembro de 1881, um mês antes da morte.

[5] Positio, Roma 1988, Vol. I, p. 14.

[6] Mario Trebeschi e Domenico Fava, San Daniele Comboni e Limone, Limone sul Garda 2011, p. 39.

[7] Daniele Comboni, Os Escritos 188.

[8] Daniele Comboni, Os Escritos 6631.

[9] Carta a Sembianti, Os Escritos 7246.

[10] In Annali del Buon Pastore 27 de Janeiro de 1882.

[11] Giovanni Dichtl, carta ao Cardeal Simeoni de 29.9.1889.

[12] Daniele Comboni, Homilia de Cartum, Os Escritos 3158.

[13] Na primeira vaga da pandemia morreram 13 Irmãs Missionárias Combonianas, em Bergamo. Na segunda, entre 8 de Novembro de 2020 e 10 de Janeiro de 2021, morreram 20 Missionários Combonianos em Castel d’Azzano; e depois outros em Milão, em Ellwangen (Alemanha), em Guadalajara (México) e no Uganda; num total de 35. Globalmente, no final de Janeiro de 2021, são 48 os missionários e missionárias combonianos vítimas do covid-19.

[14] Os membros da comissão da família comboniana, durante a preparação do Fórum da Ministerialidade Social, reflectiram juntos sobre este tempo como uma grande oportunidade para novas modalidades de encontro, na expectativa de momentos melhores para encontrar-se pessoalmente. Para manter vivo o processo, foram programados dois webinar. No primeiro, em Dezembro, inscreveram-se 279 pessoas, representantes de toda a família comboniana espalhada pelo mundo.

[15] Daniele Comboni, Homilia em Cartum, Os Escritos 2745.

[16] Daniele Comboni, Regras de 1871, Capítulo X.

[17] Daniele Comboni, Regras de 1871, Capítulo X.

[18] Daniele Comboni, Piano per la Rigenerazione dell’Africa, IV Edição, Verona 1871, Escritos 2742. «… levado pelo ímpeto daquela caridade que se acendeu com divina chama aos pés do Gólgota e, saída do lado do Crucificado, para abraçar toda a família humana…».

[19] Cardeal José Tolentino de Mendonça, Homilia na memória de São Daniele Comboni, Roma 10 de Outubro de 2020.

Mensagem por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

SC

Formar-se é configurar-se com o Coração de Jesus Bom Pastor

SC

«Qual é o teu nome? Vai para casa, para junto dos teus, e anuncia-lhes o que o Senhor, na sua misericórdia, fez por ti.» (Marcos 6,9ss)

«No mistério do Coração de Cristo o comboniano contempla, na sua expressão mais plena, as atitudes interiores de Cristo e assume-as: a sua doação incondicional ao Pai, a universalidade do seu amor pelo mundo e o seu comprometimento com a dor e com a pobreza dos homens.» (RV 3.2)

«A formação deve operar prioritariamente sobre as motivações interiores e deve educar para enfrentar com criatividade, competência e flexibilidade os desafios que emergem das novas situações.» (Ratio Fundamentalis 113)

Caríssimos confrades,

Em comunhão com toda a Humanidade, celebramos este ano a solenidade do Sagrado Coração de Jesus num contexto particular, marcado pela pandemia covid-19, que continua a causar tanta tragédia e tanta dor no mundo. Com confiança em Deus, dirigimos a todo o Instituto o convite a contemplar o Coração de Jesus, abrindo os nossos corações ao mistério do seu amor, para que este amor possa tocar-nos profundamente, libertar-nos de todas as forças que nos mantêm fechados ou isolados e ajudar-nos a sermos fiéis à nossa consagração e missão.

Como discípulos missionários entramos na escola do Coração de Jesus que, na sua humanidade, nos revela o coração de Deus – o Coração do Bom Pastor que sai, se aproxima dos pobres, dos sofredores e dos marginalizados, convidando-os a sair do seu isolamento, da sua incomunicabilidade, habilitando-os para uma nova comunicação e para um encontro de qualidade com Deus, com os outros e com a criação. Trata-se de participar no amor que sempre se comunica, sempre comunica e que, se recebido pelo amado, sempre dá vida, faz crescer e educa no sentido do latim educere, que significa fazer emergir o melhor que há no ser humano.

É importante notar que este encontro com Cristo põe em movimento um processo de conversão, de formação e transformação ou, ainda melhor, de “Cristificação”, que dura toda a vida e que deve tocar o coração. O conteúdo da nossa formação inicial e permanente é a santidade e a transformação da pessoa em Jesus Cristo pela dupla orientação complementar da sequela e da imitatio Christi. Assim, converter-se em Cristo é para nós um privilégio da misericórdia e graça de Deus e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade que compromete na coerência de vida com a pergunta insistente e incessante: «Que teriam feito Cristo e Comboni nesta minha situação histórica?».

É Cristo, com o seu coração misericordioso, que toma a iniciativa e vem ao nosso encontro perguntando a cada um de nós «Qual é o teu nome?», como fez com o endemoniado na passagem evangélica acima citada. Conhecer o nome de alguém, segundo a mentalidade hebraica, significa entrar no mais profundo da sua realidade pessoal. Esta pergunta mostra o seu interesse por nós como pessoas amadas por Deus, e ajuda-nos, por um lado, a fazer uma releitura do que temos em nós mesmos e à nossa volta, para descobrir o que levamos no coração, quem realmente somos, e, por outro lado, manifesta-nos o Coração de Cristo cheio de amor, compaixão, acolhimento e ternura.

Para os Missionários Combonianos do Coração de Jesus – seja no caminho de formação inicial ou de formação permanente – cultivar, aprofundar, contextualizar a nossa espiritualidade do Coração de Jesus, permanece um empenho pessoal e do Instituto, para que toda a nossa vida possa aderir ao “programa” contido no nosso nome.

É Cristo que, com o seu coração acolhedor, mostra plena confiança no outro, seja qual for a situação em que se encontre, o valoriza e o restitui à comunidade, à sua casa, símbolo do lugar da esperança, da cordialidade e do calor humano. A vida é feita de comunicação e relações de qualidade. São Daniel Comboni fala do Instituto «como Cenáculo de Apóstolos, um ponto luminoso que manda outros tantos raios que resplandecem, aquecem, e juntos revelam a natureza do Centro do qual provêm» (cf. Escritos 2648). Fazemos votos que o Coração de Jesus seja, verdadeiramente, o centro de comunicação entre todos os confrades e que possamos fazer da comunicação fraterna um instrumento para construir pontes, para unir e partilhar a beleza de sermos irmãos em missão neste tempo marcado por contrastes, divisão e indiferença.

Por fim, reflectindo este ano sobre o tema da ministerialidade no Instituto, rezemos para que a contemplação do Coração de Jesus possa ajudar-nos a viver a missão, não superficialmente, como um papel a desempenhar, mas como serviço ao Reino de Deus e como expressão de um processo de kénosis e descentramento.

Boa Solenidade do Sagrado Coração de Jesus a todos vós!

O Secretário Geral da Formação e o Conselho Geral MCCJ

Mensagem de solidariedade para com a Família Comboniana na emergência do coronavírus

Comboni
Comboni

Roma, 15 de março de 2020

Dia do nascimento de São Daniel Comboni

«… Sinto tal peso no coração, que me vejo obrigado a voar ao Céu com as minhas ideias e a pensar que vós tendes um apoio mais sublime, seguro e infalível que o meu, que estais mais protegidos sob a custódia de Deus do que sob a minha.» (Escritos 219)

S. Daniel Comboni ao pai pela mãe doente

Queridas irmãs e irmãos,

Saudamos-vos com carinho neste momento de emergência que, em nome de nosso Senhor Jesus e juntamente com nosso Pai São Daniel Comboni, nos une ainda mais como família comboniana.

Vivemos uma situação sem precedentes, causada pela pandemia de coronavírus, que já está presente em mais de 100 países dos cinco continentes. Um dos países mais afectados é a Itália, que luta com todos os meios possíveis para interromper o contágio. Os mais vulneráveis aos efeitos deste vírus são os idosos ou pessoas que sofrem de doenças crónicas, categoria na qual se encontram vários dos nossos irmãos e irmãs.

Essa situação inesperada deixou-nos perplexos e baralhou todos os nossos planos. Fomos obrigados a adoptar medidas preventivas muito severas, seguindo as indicações das autoridades competentes. Este ano, vivemos a Quaresma de uma maneira muito especial, mas o Senhor acompanha-nos nesta realidade desconhecida para a qual nenhum de nós estava preparado. No entanto, na fraqueza, confusão, medo, Cristo manifesta-se na cruz, sofre e morre por toda a humanidade: «pelas suas chagas fostes curados» (1 Pedro 2, 24). Mas, além da cruz, cremos que, com a Sua ressurreição, as se abrem as portas da Vida na sua plenitude: «para que tenham vida e a tenham em abundância» (João 10, 10). Além disso, dentro deste limite imposto, somos chamados a viver a nossa missão: antes de tudo, partilhando a vida dos nossos povos em solidariedade com a realidade que vivem como sinal de esperança. Em segundo lugar, mesmo que, em algumas partes do mundo, não possamos fazer celebrações litúrgicas e orar com as pessoas, podemos intensificar a nossa vida de oração pessoal e comunitária, procurando a Deus que nos fala do profundo.

Este vírus abateu as barreiras e fronteiras entre povos e nações. Toda a humanidade se sente unida na mesma luta para o parar. No entanto, é um momento para descobrir a nossa vulnerabilidade. Para lá das nossas culturas e nacionalidades, somos todos irmãos e irmãs de uma única família humana peregrina com um destino comum. É por isso que sentimos que, como uma família comboniana, hoje mais do que nunca, somos chamados a viver mais unidos, rezando uns pelos outros, com um olhar atento sobre o que está a acontecer em todo o mundo, porque isso faz parte do nosso carisma. Diante da impotência de não poder ajudar neste momento os mais necessitados, lembremos as palavras de São Daniel Comboni: «A omnipotência da oração é a nossa força» (Escritos 1969). Que esta crise nos ajude a reconhecer aquilo que é essencial na nossa vida e a colocar-nos nas mãos de Deus.

Seguimos atentamente o evoluir da situação. Imploramos ao Senhor da Vida que proteja todos os seus filhos e filhas neste tempo de incerteza. Agradecemos ao Senhor pela coragem de todos os que cuidam dos doentes e, especialmente, daqueles que vivem nas nossas casas de repouso. Rezamos também por todos os que são mais vulneráveis aos efeitos deste vírus: as pessoas idosas e sós, os migrantes, os sem abrigo e os prisioneiros. Que o Senhor nos dê todas as forças para viver este momento com responsabilidade, na solidariedade e na fé.

Novena Comboniana

Ó Pai,

que mostras a tua caridade infinita

na obra de quem deu a vida

pelas irmãs e irmãos que sofrem,

pedimos-te, pela intercessão dos nossos Veneráveis

Giuseppe Ambrosoli e Giuseppa Scandola,

que libertes o mundo do flagelo do vírus

que atinge povos e continentes

semeando morte, sofrimento, medo, privações.

Ó Pai,

mostra-nos o teu Rosto de misericórdia

e salve-nos no teu imenso amor por toda a humanidade.

To pedimos pela intercessão de Maria,

Mãe da saúde,

Tu que vives e reinas com o teu Filho Jesus e o Espírito Santo

pelos séculos dos séculos. Amém.

Gloria.

Conselho Geral das IMC

Conselho Geral dos MCCJ

Conselho Central das MSC

Comissão Central dos LMC

Hoje é um dia alegre!

Asamblea LMC
Logo LMC

“A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.” (Evangelii Gaudium,1)

Hoje é um dia alegre!

É um domingo de Gaudete. Gaudete é uma palavra latina que significa regozijar-se, e neste domingo somos chamados a parar o nosso Advento para recordar a alegria e a antecipação da Redenção Prometida. Na primeira antífona da missa de hoje podemos escutar “Regozijem-se sempre no Senhor. Repito, regozijem-se n’Ele”. (Filipenses 4,4) Estas palavras deveriam acompanhar-nos em cada momento, em cada situação, mesmo que por vezes não seja tão fácil.

E para nós como LMC também há outra razão para nos alegrarmos hoje. O ano passado, na Assembleia Internacional LMC em Roma, decidiu-se que o terceiro domingo de Advento será o dia da nossa Festa, onde também podemos reunir-nos com outros membros da Família Comboniana e celebrar juntos.

Asamblea LMC

Este dia pode ser muito inspirador para nós como missionários. Na exortação apostólica do Papa Francisco “Evangelii Gaudium” podemos ler muitas vezes como se conectam a alegria e a missão.

Em primeiro lugar, devemos recordar a fonte da alegria. A verdadeira alegria cristã é diferente daquela que o mundo oferece. Provém do encontro pessoal com Jesus Cristo, que tem que renovar-se todos os dias, sem falta. A presença de Deus nas nossas vidas e o Seu amor incondicional fortalece esta alegria. Nós, cristãos, temos que ser pessoas cheias de alegria e irradia-la. Não podemos manter esta alegria só para nós. Somos chamados a partilhá-la com outros, para que possa chegar a todos, especialmente aos mais pobres e abandonados que podem nunca ter experimentado muitas coisas boas nas suas vidas. Esta é a base da missão em cada lugar onde estamos.

Asamblea LMC

Na homilia do início do Mês Missionário Extraordinário, o Papa Francisco pronunciou palavras maravilhosas sobre este tema. Talvez algumas delas já as escutámos. Ainda assim, é bom tornar a lê-las e repensá-las: “Podemos nós, que já descobrimos que somos filhos do Pai Celeste, guardar silêncio sobre a alegria de ser amados, a certeza de ser sempre amados aos olhos de Deus? Esta é uma mensagem que muita gente está à espera de escutar. E é da nossa responsabilidade. Perguntemo-nos: «Como é o meu testemunho?».

Pecamos por omissão, ou seja, contra a missão, quando, em vez de espalhar a alegria, nos fechamos numa triste vitimização, pensando que ninguém nos ama nem compreende. Pecamos contra a missão, quando cedemos à resignação: «Não consigo fazer isto, não sou capaz». Como pode ser? Deus deu-te talentos! Crês que és tão pobre que não podes enriquecer uma só pessoa? Pecamos contra a missão, quando, num lamento sem fim, continuamos a dizer que está tudo mal, no mundo e na Igreja. Pecamos contra a missão, quando caímos escravos dos medos que imobilizam, e nos deixamos paralisar pelo «sempre se fez assim». E pecamos contra a missão, quando vivemos a vida como um peso e não como um dom; quando, no centro, estamos nós com as nossas fadigas, não os irmãos e irmãs que esperam ser amados.

Asamblea LMC

Hoje é um dia maravilhoso de celebração, unidos com todos os LMC de todo o mundo. Mas também é um bom dia para reflectir pessoalmente e partilhar em grupos:

  • Que tipo de pessoa sou? Alguém que parece que regressa de um funeral. Ou alguém cuja vida resplandece de fervor porque recebeu a alegria de Cristo?
  • Como me convida Deus a voltar à fonte da minha alegria?
  • Como estou a nutrir a fonte da minha alegria, a minha relação com Jesus?
  • Estou a viver a minha vida quotidiana de forma que permita que a bondade do Evangelho chegue aos outros?

Enquanto refletimos sobre estas perguntas, tenhamos em conta que seguramente o Evangelho está a ser proclamado e a dar fruto se a alegria estiver presente (Evangelii Gaudium #21). Que todos os nossos serviços estejam repletos da alegria do Evangelho enraizada nos nossos encontros pessoais com Jesus.

Asamblea LMC