Leigos Missionários Combonianos

Mensagem de sua santidade papa Francisco para o dia mundial das missões de 2022

Francisco

«Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8)

Queridos irmãos e irmãs!

Francisco

Estas palavras encontram-se no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (1, 8). E constituem também o tema do Dia Mundial das Missões de 2022, que, como sempre, nos ajuda a viver o facto de a Igreja ser, por sua natureza, missionária. Neste ano, o citado Dia proporciona-nos a ocasião de comemorar algumas efemérides relevantes para a vida e missão da Igreja: a fundação, há 400 anos, da Congregação de Propaganda Fide – hoje designada Congregação para a Evangelização dos Povos – e, há 200 anos, da «Obra da Propagação da Fé; esta, juntamente com a Obra da Santa Infância e a Obra de São Pedro Apóstolo, há 100 anos foram reconhecidas como «Pontifícias».

Detenhamo-nos nestas três expressões-chave que resumem os três alicerces da vida e da missão dos discípulos: «Sereis minhas testemunhas», «até aos confins do mundo» e «recebereis a força do Espírito Santo».

1. «Sereis minhas testemunhas» – A chamada de todos os cristãos a testemunhar Cristo

É o ponto central, o coração do ensinamento de Jesus aos discípulos em ordem à sua missão no mundo. Todos os discípulos serão testemunhas de Jesus, graças ao Espírito Santo que vão receber: será a graça a constituí-los como tais, por todo o lado aonde forem, onde quer que estejam. Tal como Cristo é o primeiro enviado, ou seja, missionário do Pai (cf. Jo 20, 21) e, enquanto tal, a sua «Testemunha fiel» (Ap 1, 5), assim também todo o cristão é chamado a ser missionário e testemunha de Cristo. E a Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, não tem outra missão senão a de evangelizar o mundo, dando testemunho de Cristo. A identidade da Igreja é evangelizar.

Uma releitura de conjunto mais aprofundada esclarece-nos alguns aspetos sempre atuais da missão confiada por Cristo aos discípulos: «Sereis minhas testemunhas». A forma plural destaca o caráter comunitário-eclesial da chamada missionária dos discípulos. Todo o batizado é chamado à missão na Igreja e por mandato da Igreja: por isso a missão realiza-se em conjunto, não individualmente: em comunhão com a comunidade eclesial e não por iniciativa própria. E ainda que alguém, numa situação muito particular, leve avante a missão evangelizadora sozinho, realiza-a e deve realizá-la sempre em comunhão com a Igreja que o enviou. Como ensina São Paulo VI, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi (um documento de que muito gosto), «evangelizar não é, para quem quer que seja, um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial. Assim, quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade ou administra um Sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um ato de Igreja e o seu gesto está certamente conexo, por relações institucionais, como também por vínculos invisíveis e por raízes recônditas da ordem da graça, à atividade evangelizadora de toda a Igreja» (n.º 60). Com efeito, não foi por acaso que o Senhor Jesus mandou os seus discípulos em missão dois a dois; o testemunho prestado pelos cristãos a Cristo tem caráter sobretudo comunitário. Daí a importância essencial da presença duma comunidade, mesmo pequena, na realização da missão.

Em segundo lugar, é pedido aos discípulos para construírem a sua vida pessoal em chave de missão: são enviados por Jesus ao mundo não só para fazer a missão, mas também e sobretudo para viver a missão que lhes foi confiada; não só para dar testemunho, mas também e sobretudo para ser testemunhas de Cristo. Assim o diz, com palavras verdadeiramente comoventes, o apóstolo Paulo: «Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo» (2 Cor 4, 10). A essência da missão é testemunhar Cristo, isto é, a sua vida, paixão, morte e ressurreição por amor do Pai e da humanidade. Não foi por acaso que os Apóstolos foram procurar o substituto de Judas entre aqueles que tinham sido, como eles, testemunhas da ressurreição (cf. At 1, 22). É Cristo, e Cristo ressuscitado, Aquele que devemos testemunhar e cuja vida devemos partilhar. Os missionários de Cristo não são enviados para comunicar-se a si mesmos, mostrar as suas qualidades e capacidades persuasivas ou os seus dotes de gestão. Em vez disso, têm a honra sublime de oferecer Cristo, por palavras e ações, anunciando a todos a Boa Nova da sua salvação com alegria e ousadia, como os primeiros apóstolos.

Por isso, em última análise, a verdadeira testemunha é o «mártir», aquele que dá a vida por Cristo, retribuindo o dom que Ele nos fez de Si mesmo. «A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 264).

Enfim, a propósito do testemunho cristão, permanece sempre válida esta observação de São Paulo VI: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres (…) ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas» (Evangelii nuntiandi, 41). Por conseguinte é fundamental, para a transmissão da fé, o testemunho de vida evangélica dos cristãos. Por outro lado, continua igualmente necessária a tarefa de anunciar a pessoa de Jesus e a sua mensagem. De facto, o mesmo Paulo VI continua mais adiante: «Sim! A pregação, a proclamação verbal duma mensagem, permanece sempre como algo indispensável. (…) A palavra continua a ser sempre atual, sobretudo quando ela for portadora da força divina. É por este motivo que permanece também com atualidade o axioma de São Paulo: “A fé vem da pregação” (Rom 10, 17). É a Palavra ouvida que leva a acreditar» (Ibid., 42).

Por isso, na evangelização, caminham juntos o exemplo de vida cristã e o anúncio de Cristo. Um serve ao outro. São os dois pulmões com que deve respirar cada comunidade para ser missionária. Este testemunho completo, coerente e jubiloso de Cristo será seguramente a força de atração para o crescimento da Igreja também no terceiro milénio. Assim, exorto todos a retomarem a coragem, a ousadia, aquela parresia dos primeiros cristãos, para testemunhar Cristo, com palavras e obras, em todos os ambientes da vida.

2. «Até aos confins do mundo» – A atualidade perene duma missão de evangelização universal

Ao exortar os discípulos a serem as suas testemunhas, o Senhor ressuscitado anuncia aonde são enviados: «Em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8). Aqui emerge muito claramente o caráter universal da missão dos discípulos. Coloca-se em destaque o movimento geográfico «centrífugo», quase em círculos concêntricos, desde Jerusalém – considerada pela tradição judaica como centro do mundo – à Judeia e Samaria, e até aos extremos «confins do mundo». Não são enviados para fazer proselitismo, mas para anunciar; o cristão não faz proselitismo. Os Atos dos Apóstolos narram-nos este movimento missionário: o mesmo dá-nos uma imagem muito bela da Igreja «em saída» para cumprir a sua vocação de testemunhar Cristo Senhor, orientada pela Providência divina através das circunstâncias concretas da vida. Com efeito, os primeiros cristãos foram perseguidos em Jerusalém e, por isso, dispersaram-se pela Judeia e a Samaria, testemunhando Cristo por toda a parte (cf. At 8, 1.4).

Algo semelhante acontece ainda no nosso tempo. Por causa de perseguições religiosas e situações de guerra e violência, muitos cristãos veem-se constrangidos a fugir da sua terra para outros países. Estamos agradecidos a estes irmãos e irmãs que não se fecham na tribulação, mas testemunham Cristo e o amor de Deus nos países que os acolhem. A isto mesmo os exortava São Paulo VI, ao considerar a «responsabilidade que se origina para os migrantes nos países que os recebem» (Evangelii nuntiandi, 21). Com efeito, experimentamos cada vez mais como a presença dos fiéis de várias nacionalidades enriquece o rosto das paróquias, tornando-as mais universais, mais católicas. Consequentemente, o cuidado pastoral dos migrantes é uma atividade missionária que não deve ser descurada, pois poderá ajudar também os fiéis locais a redescobrir a alegria da fé cristã que receberam.

A indicação «até aos confins do mundo» deverá interpelar os discípulos de Jesus de cada tempo, impelindo-os sempre a ir mais além dos lugares habituais para levar o testemunho d’Ele. Hoje, apesar de todas as facilidades resultantes dos progressos modernos, ainda existem áreas geográficas aonde não chegaram os missionários testemunhas de Cristo com a Boa Nova do seu amor. Por outro lado, não existe qualquer realidade humana que seja alheia à atenção dos discípulos de Cristo, na sua missão. A Igreja de Cristo sempre esteve, está e estará «em saída» rumo aos novos horizontes geográficos, sociais, existenciais, rumo aos lugares e situações humanos «de confim», para dar testemunho de Cristo e do seu amor a todos os homens e mulheres de cada povo, cultura, estado social. Neste sentido, a missão será sempre também missio ad gentes, como nos ensinou o Concílio Vaticano II (veja-se, por exemplo, o Decreto Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, 07/XII/1965), porque a Igreja terá sempre de ir mais longe, mais além das próprias fronteiras, para testemunhar a todos o amor de Cristo. A propósito, quero lembrar e agradecer aos inúmeros missionários que gastaram a vida para «ir mais além», encarnando a caridade de Cristo por tantos irmãos e irmãs que encontraram.

3. «Recebereis a força do Espírito Santo – Deixar-se sempre fortalecer e guiar pelo Espírito

Ao anunciar aos discípulos a missão de serem suas testemunhas, Cristo ressuscitado prometeu também a graça para uma tão grande responsabilidade: «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas» (At 1, 8). Com efeito, segundo a narração dos Atos, foi precisamente a seguir à descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus que teve lugar a primeira ação de testemunhar Cristo, morto e ressuscitado, com um anúncio querigmático: o chamado discurso missionário de São Pedro aos habitantes de Jerusalém. Assim começa a era da evangelização do mundo por parte dos discípulos de Jesus, que antes apareciam fracos, medrosos, fechados. O Espírito Santo fortaleceu-os, deu-lhes coragem e sabedoria para testemunhar Cristo diante de todos.

Como «ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor” senão pelo Espírito Santo» (1 Cor 12, 3), também nenhum cristão poderá dar testemunho pleno e genuíno de Cristo Senhor sem a inspiração e a ajuda do Espírito. Por isso cada discípulo missionário de Cristo é chamado a reconhecer a importância fundamental da ação do Espírito, a viver com Ele no dia a dia e a receber constantemente força e inspiração d’Ele. Mais, precisamente quando nos sentirmos cansados, desmotivados, perdidos, lembremo-nos de recorrer ao Espírito Santo na oração (esta – permiti-me destacá-lo mais uma vez – tem um papel fundamental na vida missionária), para nos deixarmos restaurar e fortalecer por Ele, fonte divina inesgotável de novas energias e da alegria de partilhar com os outros a vida de Cristo. «Receber a alegria do Espírito é uma graça; e é a única força que podemos ter para pregar o Evangelho, confessar a fé no Senhor» (Francisco, Mensagem às Pontifícias Obras Missionárias, 21/V/2020). Assim, o Espírito é o verdadeiro protagonista da missão: é Ele que dá a palavra certa no momento justo e sob a devida forma.

É à luz da ação do Espírito Santo que queremos ler também os aniversários missionários deste 2022. A instituição da Sacra Congregação de Propaganda Fide, em 1622, foi motivada pelo desejo de promover o mandato missionário nos novos territórios. Uma intuição providencial! A Congregação revelou-se crucial para tornar a missão evangelizadora da Igreja verdadeiramente tal, isto é, independente das ingerências dos poderes do mundo, a fim de constituir aquelas Igrejas locais que hoje mostram tanto vigor. Esperamos que, à semelhança dos últimos quatro séculos, a Congregação, com a luz e a força do Espírito, continue e intensifique o seu trabalho de coordenar, organizar e animar as atividades missionárias da Igreja.

O mesmo Espírito, que guia a Igreja universal, inspira também homens e mulheres simples para missões extraordinárias. E foi assim que uma jovem francesa, Pauline Jaricot, há exatamente 200 anos fundou a Associação para a Propagação da Fé; celebra-se a sua beatificação neste ano jubilar. Embora em condições precárias, ela acolheu a inspiração de Deus para pôr em movimento uma rede de oração e coleta para os missionários, de modo que os fiéis pudessem participar ativamente na missão «até aos confins do mundo». Desta ideia genial, nasceu o Dia Mundial das Missões, que celebramos todos os anos, e cuja coleta em todas as comunidades se destina ao Fundo universal com que o Papa sustenta a atividade missionária.

Neste contexto, recordo também o Bispo francês Charles de Forbin-Janson, que iniciou a Obra da Santa Infância para promover a missão entre as crianças sob o lema «As crianças evangelizam as crianças, as crianças rezam pelas crianças, as crianças ajudam as crianças de todo o mundo»; e lembro ainda a senhora Jeanne Bigard, que deu vida à Obra de São Pedro Apóstolo, para apoio dos seminaristas e sacerdotes em terras de missão. Estas três obras missionárias foram reconhecidas como «pontifícias», precisamente há cem anos. E foi também sob a inspiração e guia do Espírito Santo que o Beato Paolo Manna, nascido há 150 anos, fundou a atual Pontifícia União Missionária a fim de sensibilizar e animar para a missão os sacerdotes, os religiosos e as religiosas e todo o povo de Deus. Desta última Obra, fez parte o próprio Paulo VI, que lhe confirmou o reconhecimento pontifício. Menciono estas quatro Obras Missionárias Pontifícias pelos seus grandes méritos históricos e também para vos convidar a alegrar-vos com elas, neste ano especial, pelas atividades desenvolvidas em apoio da missão evangelizadora na Igreja universal e nas Igrejas locais. Espero que as Igrejas locais possam encontrar nestas Obras um instrumento seguro para alimentar o espírito missionário no Povo de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, continuo a sonhar com uma Igreja toda missionária e uma nova estação da ação missionária das comunidades cristãs. E repito o desejo de Moisés para o povo de Deus em caminho: «Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse» (Nm 11, 29). Sim, oxalá todos nós sejamos na Igreja o que já somos em virtude do Batismo: profetas, testemunhas, missionários do Senhor! Com a força do Espírito Santo e até aos extremos confins da terra. Maria, Rainha das Missões, rogai por nós!

Roma, São João de Latrão, na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2022.

Franciscus

Fazer causa comum com os pobres e com a casa comum

Encuentro Amazonia

Carta do Encontro Comboniano de Ecologia Integral

Encuentro Amazonia

Cerca de trinta membros da Família Comboniana (LMC, Seculares, Combonianas e Combonianos, entre os quais três provinciais) provenientes da África, América e Europa, nos reunimos de 27 de julho a 03 de agosto de 2022, em Belém do Pará, Brasil, por ocasião do X Fórum Social Pan-Amazônico (X FOSPA) e do Encontro Comboniano de Ecologia Integral.

Abrimos os ouvidos, corações e mentes aos gemidos da Mãe Terra, dos povos amazônicos e das comunidades que acompanhamos, que clamam pela regeneração completa das filhas e filhos do Deus da Vida (Cf. Rom 8,19-23), presente em toda a sua Criação.

Fizemos isso em continuidade com a longa caminhada dos Fóruns Combonianos e do mapeamento da ministerialidade social em nossa Família Comboniana e missão.

Somos inspirados pela mística dos povos originários e sua forte interligação com os elementos primários do cosmos, com as águas, os rios, o ar, as florestas, a terra e todos os seres.

Através deles, Jesus de Nazaré continua nos convidando a “contemplar os pássaros do céu e os lírios do campo” (Cf. Mt 6,26-28) a fim de aprender e assumir juntos o Bem Viver.

A partir da ESCUTA atenta, respeitosa e compassiva da realidade de muitos povos:

1. CONSTATAMOS que a crise climática, socioambiental e política, derivada do modelo econômico dominante e insustentável, que separa, exclui e mata, coloca em sério risco a sobrevivência humana e a vida plena de toda a Criação, nos territórios onde vivemos nossa vocação e missão a serviço do Reino.

São os povos indígenas, as comunidades tradicionais, as mulheres e os jovens que ainda alimentam a esperança, de sua resistência, em defesa da Amazônia!

2. COMPREENDEMOS que a gravidade da situação exige urgentemente que a Igreja e nossos Institutos desencadeiem processos de conversão ecológica.

Sentimos que é preciso:

  • rever e desaprender muitos de nossos conceitos e experiências em relação a Deus e à Natureza, entre homens e mulheres, sobre inculturação, práticas pastorais e liturgia;
  • integrar em nossa ação missionária a defesa dos corpos daqueles que lutam pelo respeito ao meio ambiente e os territórios onde estamos presentes;
  • cultivar e compartilhar a ecoespiritualidade, as releituras bíblicas e a ligação fé e vida;
  • adotar uma metodologia missionária que nos permita uma maior conexão e uma imersão efetiva nos valores, línguas, culturas e sacralidade dos povos e territórios com os quais nos relacionamos;
  • revisão e correção em nossos projetos e estruturas, estilos de vida e consumo incompatíveis com a sobriedade ecológica e evangélica;
  • investir em treinamentos básicos e contínuos que integrem, na teoria e na prática, os princípios da Ecologia Integral;
  • informar e incentivar as Igrejas locais e nossa Família Comboniana sobre os eventos, meios e processos que nos ajudem a assumir e aprofundar a experiência da sinodalidade e da ministerialidade social em uma chave ecológica;
  • fortalecer a solidariedade, a participação, o acompanhamento e o trabalho em rede com os povos indígenas, leigos, congregações, movimentos sociais e órgãos intereclesiais e extra eclesiais.

3. PROPOMOS aos coordenadores de nossos Institutos, aos conselhos das circunscrições de todos os continentes, aos responsáveis pelos setores e a todos os membros da nossa Família Comboniana:

  • assumir como inspiração comum a adoção do Pacto Comboniano para a Casa Comum e, como eixo transversal de toda a nossa atividade missionária e presença, a Ecologia Integral;
  • promover a troca permanente de reflexões, aprendizados e práticas entre os membros da Família Comboniana;
  • troca de pessoal entre comunidades e circunscrições que atuam no mesmo território;
  • qualificar nossos processos de formação com pesquisa, compartilhamento de metodologias de intervenção e transformação social e a definição e integração teórico-prática da Ecologia Integral em sintonia com a Laudato Si’ e a Querida Amazônia de Papa Francisco;
  • participar da discussão e elaboração de planos pastorais em dioceses e paróquias que assumam os princípios da Ecologia Integral;
  • promover nossa qualificação e participação no âmbito da advocacy e decisão política em defesa da Casa Comum;
  • apoiar e apostar nos mecanismos e práticas da economia inclusiva;
  • acolher e defender pessoas em risco ou ameaçadas por causa de suas lutas.

4. ASSUMIMOS, como participantes deste Encontro de Família Comboniana e desta rica experiência de escuta, o compromisso com:

  • divulgar e apoiar a Declaração Pan-Amazônica de Belém, que integra os Saberes e Sentimentos compartilhados no X Fórum Social Pan-Amazônico (X FOSPA);
  • dar continuidade à reflexão e ao compartilhamento das intuições que surgiram nos dias de encontro;
  • traduzir e viver, nos diversos contextos de nossa missão, a inspiração carismática de Comboni (Regenerar a África com a África) e o slogan “Amazoniza-te”, que repercutiu fortemente entre nós nesses dias, sempre respeitando e promovendo o protagonismo dos povos originários.

5. CONFIAMOS todo esse caminho que queremos percorrer à intercessão e proteção dos mártires da Amazônia que nos encorajam ao radicalismo e fidelidade no seguimento a Jesus de Nazaré e na vivência do nosso carisma.

Do fluir da vida às margens do Rio Guamá, em Belém do Pará, 3 de agosto de 2022.

Encuentro Amazonia

Os participantes e as participantes do Encontro Comboniano de Ecologia Integral



Começamos o nosso último dia da Assembleia com alegria.

LMC America

A reflexão bíblica do dia levou-nos a um compromisso de transformar as realidades onde estamos, com base no Evangelho, e com tudo isto enchemos o mapa de todo o continente com pétalas de rosa, o que nos convida a pensar que, pela sua fragilidade, temos de ser transmissores da Boa Nova do ambiente em que nos encontramos.

Continuamos a trabalhar em grupos, partilhando os compromissos que foram assumidos como resultado desta Assembleia.

Uma metodologia que perceba as realidades, ilumine com a Palavra de Deus, com ações concretas e leva-nos a celebrar como comunidades missionárias.

Tendo em conta a importância desta vocação e a sua relevância no mundo, somos convidados a reorganizar os nossos países, a contribuir como família comboniana, sem perder de vista a dimensão missionária para a humanidade.

Um momento especial do dia foi a celebração da Santa Eucaristia, presidida pelo P. Joselin, provincial do Peru, que nos recordou a importância de concretizarmos nos nossos grupos os resultados desta Assembleia, e para isso devemos recordar o Sínodo a que o Papa Francisco nos chama. Neste sentido,

É muito importante renomear a Paróquia de Chorrillos, que foi escolhida pela Arquidiocese como uma Paróquia modelo no seu Plano Pastoral.

Agradecemos a Província do Peru, a comunidade de Chorrillos e aos LMC do Peru, pelo acolhimento e preocupação de nos fazer sentir em casa.

Os nossos agradecimentos vão também para Mireya, LMC Guatemala, pelo amor e dedicação que tem demonstrado ao longo dos anos, e desejamos a Rocío, LMC Peru, que juntamente com Beatriz, LMC México e Padre Ottorino, MCCJ responsável pelo acompanhamento dos LMC na América, que compõem a nova equipa coordenadora do comité americano, todo o sucesso.

No domingo celebrar a Eucaristia juntamente com as comunidades de Pamplona Alta, faz-nos refletir sobre a missão e quando devemos nos comprometer ainda com este apelo missionário de uma Igreja em saída.

Maria Cristina Paulek e José David Rojas Quesada

Brasil – Costa Rica.

Enviados novamente

LMC America

Dia 6 da nossa reunião, um dia importante e definitivo, hoje finalizamos os temas a discutir, consolidamos um documento e elegemos o novo comité continental.

O nosso dia começou com uma bela oração dirigida pela equipa da Colômbia, onde através do texto bíblico Ezequiel 34; 1-15 meditámos sobre o nosso papel de pastores no meio da comunidade e como disse o Papa Francisco algumas vezes também como pastores em frente do rebanho e dependendo da realidade pode estar atrás deles, mas sempre lá, ao lado deles, cheirando a ovelhas ao serviço da missão; através da acção de graças enchemos o esboço do continente americano com pétalas de rosa, pintando-o com as suas belas cores e a fragilidade de um povo que sofre de guerra, indiferença e desigualdade.

Durante o dia meditámos um pouco sobre a tarefa que cada um dos participantes levará de volta aos seus países, porque finalmente a revisão sistemática dos acordos de Roma de 2018 expôs as realidades que cada país vive, avaliámos os compromissos e finalmente produzimos um documento simples que ajudará a dar passos mais firmes no sentido do cumprimento do que foi acordado, que é finalmente o ideal da nossa comunidade de Leigos Missionários Combonianos.

Antes da Eucaristia da noite em assembleia elegemos o novo comité americano, onde a nossa companheira Mireya Soto LMC da Guatemala entregou as suas responsabilidades de 6 anos atrás e deu lugar a novas pessoas para avançar; Beatriz Maldonado LMC do México que gentilmente aceitou continuar como parte do comité para outro mandato juntamente com Roció del Carmen Gamarra do Peru e o P. Ottorino Poletto MCCJ do Equador; temos um novo comité americano. Na Eucaristia da noite rezámos por eles que, guiados pela luz do Evangelho, podem continuar a acompanhar os LMC da América.

Agradecemos ao Peru excelente anfitrião, não é fácil conseguir a acolhida de cerca de 30 pessoas, eles realmente fizeram-nos sentir em casa, graças também à antiga equipa continental Mireya, Beatriz, Padre Ottorino e ao apoio sempre e incondicional de Alberto de la Portilla e também recebemos com alegria a nova equipa coordenadora da América, bem-vindos.

Compartilhar com a Comunidade uma família.

LMC America

Iniciamos o dia recordando a vida de São Pedro Claver “ser esclavo dos escravos”. Seu testemunho de serviço foi uma maneira de ser sinal do Reino e seu exemplo deve continuar nos questionando em nossa presença na Igreja e no Mundo.

Depois de muitos dias de intenso trabalho como parte do programa fomos ao centro histórico de Lima, visitamos a catedral, o convento onde viveu São Martinho de Porres, o santo da vassoura. Fomos a casa de Santa Rosa de Lima e as Catacumbas que se encontram no Convento dos Franciscanos; e ao grande cais da praia na área de Chorrillos ao longo da costa da capital. Foi um bom lugar para caminharmos juntos, conhecendo o lugar, mas também para nos conhecermos um pouco melhor.

Nosso dia terminou cedo, recarregados em nossas energias para os últimos dias da assembléia e seus compromissos.

Convidamos toda a família comboniana do mundo a continuar a rezar por nosso encontro para que, com um espírito comprometido, possamos voltar às nossas comunidades prontas para avançar melhorando nossas fraquezas e fortalecendo os compromissos que assumimos.