Leigos Missionários Combonianos

Três anos de presença missionária no Brasil

Familia LMC

Deixamos para vocês um vídeo de ação de graças pela presença missionária no Brasil desta família LMC da Guatemala.

Durante esses três anos eles compartilharam sua vida, junto com seus quatro filhos, com todas as famílias do bairro de Nova Contagem e da região de Minas Gerais.

LMC Brasil

No deserto com Comboni: desafios e alegrias da missão na pandemia.

Casa Comboni
Casa Comboni

Os desafios de hoje lembram-me os desafios de Comboni. Não que sejam iguais. É claro que no tempo de Comboni era bem mais desafiador. A travessia no deserto, as várias malárias, febres, o braço quebrado, que para colocar no lugar teve que ser quebrado novamente (me arrepia em imaginar), etc.

Vivemos também um tempo de deserto. A expectativa da viagem a África, o envio dos documentos, a pandemia, a espera da vacina, o pedido da renovação dos documentos e novamente a espera. Tudo por uma causa maior que é Jesus.

Mas durante tudo isso, não posso reclamar. Fui acolhida com muito amor e o trabalho está produzindo frutos.

Depois de uma parada pela vida: porque o vírus não brinca e prezamos o bem estar e a vida de nossa gente, o povo de Deus. Estamos aos poucos e seguindo todas as orientações da OMS retomando alguns trabalhos pastorais.

Reiniciamos o coral adulto e infantil, mas com apenas dois membros de cada vez. (fotos dos ensaios).

A catequese está sendo online para preservar a saúde das crianças. A participação é muito boa, mesmo com algumas dificuldades como a falta de internet em algumas famílias, algumas crianças usam o aparelho dos pais e os mesmos trabalham, ficam o dia inteiro fora. Para essas crianças não se prejudicarem, adotamos a visita sem entrar nas casas e sem eles saírem. É uma catequese a porta de casa, mas na rua, sem contato físico, sem proximidade.

Grupo de catequista da comunidade Nossa Senhora Aparecida (bairro Ipê Amarelo).

Retomamos a formação litúrgica com a equipe da comunidade, como são poucas pessoas fazemos presencial sem esquecer os cuidados.

Fizemos parte do tríduo do mártir pe. Ezequiel Ramín, juntamente com a paróquia e o grupo paroquial de espiritualidade comboniana.

Temos feito e participado de algumas lives.

Para os próximos dias temos a semana nacional da família na paróquia, o encontro de catequese com a turma do crisma, além dos trabalhos já existentes.

Alguns dias atrás descobri um talento escondido (risos), descobri-me pintora de parede. Junto com a família Camey, da Guatemala, pintamos a fachada da casa comboniana. Modéstia à parte, ficou lindo!

Casa Comboni
Casa Comboni

No social estamos junto cadastrando e distribuindo cestas básicas. Uma parceria com a cúria diocesana. Essas cestas vêm da multa que a mineradora Vale paga referente ao desastre de Brumadinho.

reparto

E assim vamos seguindo a missão do jeito que o Senhor nos apresenta.

É gratificante e posso dizer com certeza que vou sentir falta do Ipê Amarelo, das pessoas, em especial das crianças.

Maria Regimar, LMC na casa de missão Santa Teresinha, no Ipê Amarelo, em Contagem/MG. Brasil.

Comemorando A Páscoa

LMC Mexico
LMC Mexico

Para festejar a Páscoa é preciso estar preparado, é o que temos feito como grupo de Leigos Missionários Combonianos em Sahuayo (México), continuamos a trabalhar a partir da nossa realidade actual, não tem sido fácil ter que nos adaptar a uma modalidade em que temos que nos protegermos uns dos outros, cobrimos o rosto, mas não o Espírito, e assim realizamos as atividades necessárias para continuar caminhando em nossa jornada missionária. Favoravelmente, foi realizada nosso retiro de formação que já havia sido reagendado num outro momento, graças ao fato de Quique e Vero marcarem a data como coordenadores em consenso com o grupo, quando chegou o momento, nem todos os contemplados participaram, mas outras pessoas nos procuraram, questionaram o nosso Ser e o Fazer do grupo.

LMC Mexico

Na Formação Juan José foi quem preparou os nossos temas de crescimento, pede-se também o apoio aos Missionários Combonianos. Sempre fizeram parte do nosso crescimento formativo e espiritual, somado ao facto de, nesta ocasião, as Irmãs Combonianas partilharam o tema sobre a Família Comboniana conosco o que fez-nos experimentar a Riqueza do nosso Carisma e os aspectos a trabalhar e a serem melhorados, estes momentos de crescimento ajudaram-nos a ter presente que Deus tem uma missão específica para cada um e para o grupo, podemos compartilhar o que cada um possui para seu melhor uso.

Como momento culminante, pudemos celebrar o Dia Missionário (JORNAMIS), onde os jovens têm a oportunidade de compartilhar temas que os ajudam a crescer, compartilhar seus sonhos, expressar o que pensam sobre o que o mundo hoje lhes oferece, aprender sobre as vocações. Descobrir a sua vocação e comprometer-se a servir aos mais necessitados, conscientizando-os de que somos irmãos em Cristo. Este espaço pôde ser recuperado após meses de paralises devido à pandemia e hoje é mais uma vez um apostolado para os LMC Mónica, Manuel e Ricardo que têm a Graça de trabalhar com os jovens.

LMC Mexico

Na época, a Semana Santa estava próxima, onde tivemos a oportunidade de celebrar de diferentes maneiras, em Família, trabalhando e alguns de nós pudemos ir em missão nas comunidades de Guerrero onde já trabalhamos como Leigos e também nas comunidades mais isoladas, perto da nossa cidade, onde não costumamos ir. Viver com pessoas que compartilham o que têm conosco sem esperar nada em troca nos encheu de força, abrindo as portas de suas casas para compartilhar alimentos com cada um de nós, apoiando-nos em tudo que precisávamos e, mais importante, compartilhando nossa Fé. Eles foram experiências que nos permitiram experimentar Jesus Ressuscitado desde a nossa vida particular, movendo aquilo que devia ser purificado e transformado com o seu Amor.

LMC Mexico

LMC Beatriz Maldonado Sánchez

Laudato si’ e Ciranda: juntos para fortalecer a agricultura familiar no Maranhão

Ciranda

Fonte: Vatican news

Ciranda
A cisterna concluída com sucesso em trabalho de equipe

O Ciranda, um acrônimo para Centro de Inovação Rural e de Desenvolvimento Agroecológico, dá formação teórica e técnica em agroecologia para 70 famílias da cidade de Açailândia, como alternativa econômica à cadeia de mineração e ao agronegócio da região, que se encontra bem no meio do percurso da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Segundo o coordenador Xoán Couto, o projeto brasileiro se inspira na Laudato si’, já que percorre o mesmo caminho que une a fé e a ciência, em “resposta às necessidades das comunidades, valorizando também os conhecimentos tradicionais.”

Andressa Collet – Vatican News

A “ciranda” faz parte do patrimônio cultural da maioria das crianças brasileiras. Uma música, com dança de roda, que lembra as mulheres de pescadores do nordeste do país que cantavam esperando os maridos chegarem do mar. Uma dança comunitária, sempre à espera de mais um, assim como acontece com um projeto desenvolvido na cidade de Açailândia, no Estado do Maranhão, em plena Amazônia.

Uma brincadeira levada a sério desde 2018. O Ciranda, um acrônimo para Centro de Inovação Rural e de Desenvolvimento Agroecológico, resolveu apostar na agroecologia como alternativa econômica à cadeia de mineração e ao agronegócio da região, que se encontra bem no meio do percurso da Estrada de Ferro Carajás (EFC), que liga a maior mina de minério de ferro a céu aberto no mundo, em Carajás, no sudeste do Pará, ao Porto de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão.

A ecologia integral, assim, surge como uma possibilidade real para que as famílias não dependam somente da mineração, mas que consigam resgatar a economia local, gerando renda pra dentro de casa, com menos impacto ao meio ambiente. O coordenador do Ciranda, Xoán Carlos Sanches Couto, leigo missionário comboniano, é quem explica essa nova relação com a Casa Comum que consegue ser adaptada à realidade de cada um: “O Ciranda promove tecnologias apropriadas para agricultores familiares e os camponeses. Aqui testamos e aplicamos tecnologias e formas de produção que são bem adaptadas à escala de tamanho das propriedades dos agricultores familiares aos seus conhecimentos, à força de trabalho que eles têm nas suas famílias, e ao meio ambiente que temos aqui nesta região.”

Ciranda
Os jovens do projeto Ciranda em estudo de campo

A agroecologia inspirada na Laudato si’

O engenheiro agrônomo é espanhol, há 20 anos no Brasil, trabalhando junto às famílias da Amazônia do Maranhão. No início, Xoán criou a Casa Família Rural, um tipo de escola agrícola comunitária para melhorar a vida e a educação dos jovens do campo. Hoje, junto com o Ciranda, os dois projetos ajudam na formação teórica e técnica de 70 famílias da região.

Nos cursos, os filhos de agricultores aprendem a se familiarizar com as formas de produzir as culturas agroecológicas, podendo reproduzir nas suas propriedades. São tecnologias apropriadas para a agricultura familiar que, uma vez aprendidas na escola, são repassadas para as famílias e comunidades num fluxo permanente de incentivo para permanecer no meio rural. Esse é um dos bons exemplos que vêm do Brasil, uma ação que não resolve os problemas globais, mas confirma “que o ser humano ainda é capaz de intervir de forma positiva” para melhorar o meio ambiente (Papa Francisco, Laudato si’, p. 40).

“Esta ideia do trabalho com agroecologia se inspira muito na Encíclica Laudato si’, assim como a encíclica que é uma junção da ciência e da fé – o Papa para dar essas exortações que ele dá na encíclica e a sua equipe buscaram o melhor que a ciência tem produzido para explicar a crise ambiental, para dar uma resposta desde a fé, mas também com base científica. Então, o Centro Ciranda também faz esse mesmo caminho. A gente usa o conhecimento científico, nós temos parceria com instituições de pesquisa, com universidades, mas, ao mesmo tempo, a nossa resposta é desde as necessidades das comunidades, valorizando também os conhecimentos tradicionais.”

Xoán dá exemplos das técnicas ensinadas, que vão desde a bioconstrução, uma forma de construção tradicional muito praticada na região com barro e telhas de material reciclado, até a fabricação de biogás e captação da água da chuva com cisternas. Mas também é praticada a avicultura caipira, a minhocultura, a piscicultura e a apicultura; os suínos são criados ao ar livre e os sistemas agroflorestais são incentivados através do plantio de árvores madeireiras e frutíferas, e também de culturas anuais que são a base alimentar dos moradores: “como milho, feijão, mandioca e etc. Tudo isso é plantado junto na forma chamada policultivo, onde não existe monocultura e uma espécie ajuda a outra de forma que temos um ambiente equilibrado e muito difícil de acontecer uma praga, algum inseto vir atacar e dar algum prejuízo econômico. Então, na forma de se inspirar na natureza – que tem a sua base científica também”.

Ciranda
A técnica da bioconstrução, com barro e telhas de material reciclado

Os desafios do Ciranda: das queimadas ao agronegócio

Apesar dos bons resultados, os desafios existem: é o caso das queimadas que chegam de outras propriedades. Xoán conta que geralmente conseguem salvar as culturas permanentes, mas as outras áreas, com experiências de pastagem ecológica e reserva de mata, são muito castigadas pelo fogo, como aconteceu nos dois últimos anos consecutivos. “Isso é um desafio que nos leva a pensar como, para os próximos anos, a gente pode fazer barreiras florestais que sejam menos suscetíveis ao fogo e que a gente consiga vencer esse problema. Mesmo assim, os resultados são promissores: a gente vê nas famílias essa empolgação e vontade de permanecer trabalhando na terra, sabendo que tem essa missão de fornecer alimento para humanidade e que isso pode ser feito preservando a nossa Casa Comum, sem degradar o meio ambiente.”

A aliança com a natureza já está muito presente na vida da maioria dos camponeses. Porém, não são todos que têm essa consciência, pois o agronegócio está muito presente localmente, “transformando economias, paisagens e mentes”. Como confirma o Papa, na Laudato si’ (p. 38), “com muita facilidade, o interesse econômico chega a prevalecer sobre o bem comum” e “qualquer tentativa das organizações sociais para alterar as coisas será vista como um distúrbio provocado por sonhadores românticos”.

Ciranda
Xoan, ao centro, com um grupo de agricultores familiares

Xoán tem plena consciência de que o Ciranda é uma experiência que “contraria profundamente as bases do mercado capitalista, onde mais vale quem mais tem e quem mais ganha dinheiro”. “Por isso, muitas vezes, as famílias tendem ser ridicularizadas, a ser minimizadas, a dizer que isso não dá certo, que isso não consegue alimentar a humanidade, quando nós temos já várias pesquisas que dizem que, por exemplo: 1 hectare de agrofloresta – que é o método que nós trabalhamos, de sistema agroflorestal – se for considerar todos os serviços ambientais prestados, ele é mais produtivo que 1 hectare de monocultura de soja. Isso em termos monetários, mas também em termos ecológicos. Então, desmontar essa racionalidade monetarista é um dos desafios que nós temos e nisso iremos trabalhar nos próximos anos.”

Ciranda
Os jovens do projeto Ciranda em estudo de campo

Ouça a reportagem especial:

*Fotos e vídeo produzidos antes das últimas medidas tomadas para enfrentar a emergência da Covid-19