Leigos Missionários Combonianos

«Encontrar Deus e o Outro»

Uma vez por mês, vivemos o nosso dia dedicado à recolha interior — um momento especial para fazer uma pausa, rezar e olhar mais profundamente para o que se passa nos nossos corações e na nossa missão. Embora a nossa comunidade LMC em Chelopoy (Quénia) seja pequena e seja composta por apenas duas pessoas, é precisamente isso que confere a este momento um caráter tão pessoal e profundo.

Dividimos o dia de recolhimento em duas partes. Em cada uma delas, refletimos sobre uma passagem da Sagrada Escritura, que se torna o ponto de partida para a reflexão pessoal. Tentamos não só ler a Palavra, mas permitir verdadeiramente que ela toque as nossas vidas — as nossas alegrias, lutas, questões e experiências relacionadas com a missão. É um momento de silêncio, de escuta e de reflexão sincera no mais profundo de nós mesmos.

Após a oração pessoal, chega o momento de partilhar o que estamos a viver. E é frequentemente nessa altura que descobrimos que, apesar das diferentes experiências ou formas de viver a nossa fé, muitas das nossas emoções e dificuldades são muito semelhantes. Estas conversas ajudam-nos a compreender-nos melhor uns aos outros, a perceber como Deus atua na vida de outra pessoa e a aprender uma maior abertura e apoio mútuo.

Um dia assim também nos lembra que a comunidade não depende do número de pessoas, mas da presença de Deus entre nós e da nossa vontade de estarmos juntos na verdade. Mesmo numa comunidade muito pequena, é possível experimentar a grande força da unidade, do encorajamento mútuo e da paz que nasce da oração partilhada e da escuta uns dos outros.

Estou grata por cada um desses dias — pelo silêncio, pelas conversas e pela oportunidade de fazer uma pausa e olhar para a nossa missão de uma nova perspetiva. É um momento que nos fortalece espiritualmente, nos ajuda a encontrar sentido na vida quotidiana e nos lembra que Deus nos guia passo a passo, mesmo quando o caminho é exigente.

Iza, LMC em Chelopoy

Um em Cristo, unidos na missão

O retiro espiritual para os LMC é muito importante; ajuda-nos a reconhecer o que Deus pede a cada um de nós, renova-nos quando é necessário corrigir algo na nossa vida e prepara-nos quando é necessário tomar decisões. O nosso assessor, o P. Filomeno Ceja MCCJ, foi quem nos deu a introdução e o encerramento do retiro. Acompanhou-nos através de diálogos pessoais; os seus conselhos são sempre muito acertados e ajudam-nos na tomada de decisões, tanto a nível pessoal como de grupo.

A Mariana ligou-se virtualmente a partir da missão de Metlatónoc, em Guerrero, para nos cumprimentar; continuamos a convidar pessoas que se possam juntar ao projeto missionário. Ela está muito contente; alegra-nos sempre vê-la tão feliz e cada vez mais integrada no serviço que realiza, seguindo o plano de trabalho com a paróquia.

O retiro mensal de meio dia que realizamos, nós, LMC, no México, é muito importante; prepara-nos e ajuda-nos a viver melhor o nosso retiro anual de três dias, a ter tempo para estar na fonte e encontrar a graça de Deus para a nossa pessoa. nesta ocasião, o nosso tema central foi a mensagem do Papa Leão XIV para o DOMUND 2026, «Unidos em Cristo, Unidos na Missão»; o P. Héctor Manuel Peña MCCJ foi o pregador; tivemos momentos de oração, reflexão sobre o tema, reflexão pessoal, lectio divina, partilha, adoração ao Santíssimo, a Eucaristia, os quais nos ajudaram a ter um encontro pessoal com Deus.

Conseguimos reunir 8 pessoas: Daniel, Alejandra (viúva), César, Ana e Florencio (casal), Hortensia, Adriana e Beatriz. Foi muito interessante ver como cada um de nós caminha, os desafios a superar e a meta a alcançar. Lamentamos que alguns companheiros, por questões de trabalho e estudo, não tenham podido estar presentes; mantivemo-los presentes na oração que sempre nos une.

Florencio e Ana, na missa dominical da comunidade de San Francisco del Rincón, Gto, fizeram a sua promessa por um ano de seguir o caminho LMC; comprometeram-se a continuar a fazer animação missionária mensalmente e a apoiar a formação; Daniel levou consigo uma tarefa pessoal e continuará o seu crescimento no grupo; Alejandra será acompanhada para que resolva a sua situação pessoal; Cesar decidiu deixar o grupo; Adriana, Hortensia e Beatriz continuarão na equipa de coordenação.

Deus continua a confrontar-nos a partir da nossa realidade laical; regressar ao quotidiano e dar vida ao nosso compromisso missionário não é fácil, mas sabemos que «Tudo é possível naquele que nos fortalece», convencidos de continuar a avançar juntos no nosso compromisso missionário para a evangelização.

LMC México

Confrontando contradições no território de missão

Na quinta-feira santa, dedicamos nossa manhã para um momento de oração no sítio de uma família da comunidade do Ipê. Rezamos juntos e meditamos o texto escrito pelo Valdeci sobre a CF 2026.

Depois passeamos observando as gritantes contradições ao nosso redor.

Ipê Amarelo é um bairro nascido da organização de famílias sem casa e que pagavam aluguel. É uma realidade de conquista de uma moradia na década de 90, que com muita luta e resistência saíram das lonas para suas casas. Mas também tem como divisa um grande muro que marca a desigualdade social, pois atrás dos muros, vigiados por seguranças, encontra-se um dos condomínios mais luxuosos da região. A visita às famílias foi um momento de ouvir as histórias, conhecer as alegrias e desafios e saborear da hospitalidade característica da comunidade,

À noite participamos do lava pés na Comunidade N. Sra Aparecida, um momento muito bonito que nos fez lembrar que “somos a igreja do pão repartido, do abraço e da paz”.

LMC Brasil

A missão que nasce da encarnação

LMC Brasil

A Campanha da Fraternidade de 2026 nos convida a contemplar uma das afirmações mais profundas da fé cristã: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O prólogo do Evangelho de João revela o coração do mistério da encarnação. Deus não permaneceu distante da realidade humana. O Verbo se fez carne, assumiu nossa condição, entrou na história e escolheu habitar no meio da humanidade. Não veio como um visitante passageiro, mas como alguém que decidiu compartilhar a vida, as dores e as esperanças do seu povo.

A encarnação é, portanto, o grande gesto de proximidade de Deus. Em Jesus, Deus se aproxima da humanidade ferida, especialmente daqueles que vivem à margem: os pobres, os excluídos, os esquecidos da sociedade. Cristo nasce em uma realidade simples, cresce entre os pequenos, caminha com os que sofrem e anuncia um Reino onde os últimos são colocados no centro. Essa lógica do Evangelho rompe com a mentalidade do poder e da indiferença, e revela um Deus que escolhe a proximidade, a compaixão e o serviço.

Essa perspectiva ilumina profundamente a espiritualidade missionária comboniana. Inspirados por São Daniel Comboni, os missionários e missionárias são chamados a fazer o mesmo movimento de Jesus: ir ao encontro, viver no meio e caminhar junto com os mais pobres. Comboni compreendeu que a missão não acontece a partir de uma posição de superioridade ou distância, mas da partilha concreta da vida com aqueles que mais precisam. Seu sonho missionário era claro: salvar a África com a própria África, valorizando os povos, suas culturas e sua dignidade.

Dentro dessa lógica, os leigos missionários combonianos possuem um papel essencial. Eles testemunham que a missão não é exclusiva de religiosos ou sacerdotes, mas é uma vocação de todo o povo de Deus. O leigo missionário é aquele que, inserido na vida cotidiana — no trabalho, na família, na comunidade — torna-se presença viva do Evangelho. Ele assume a missão como estilo de vida, levando a presença de Cristo aos lugares onde muitas vezes a Igreja institucional não consegue chegar.

A encarnação nos ensina que Deus não transforma o mundo à distância. Ele se compromete com a realidade humana. Do mesmo modo, os leigos missionários combonianos são chamados a habitar as periferias existenciais, aproximar-se das dores da humanidade e construir sinais concretos de esperança. Estar junto dos pobres não é apenas uma atitude de solidariedade social, mas uma dimensão profunda da fé cristã. Nos rostos dos pobres e vulneráveis encontramos o próprio Cristo que continua a nos interpelar.

Nesse sentido, o tema da Campanha da Fraternidade de 2026 “Ele veio morar entre nós” torna-se também um convite para cada cristão: permitir que Cristo continue habitando no mundo através de nossas atitudes. Quando nos aproximamos dos que sofrem, quando partilhamos a vida com os esquecidos, quando lutamos para que todos tenham dignidade, estamos prolongando a presença de Deus no meio da humanidade.

Porque, onde a vida é defendida, onde a dignidade é restaurada e onde os pobres são acolhidos, ali Deus continua habitando no meio de nós.

Valdeci Antônio Ferreira – LMC Brasil

Chamados a ser cenáculo de apóstolos

No sábado que antecedeu o Domingo de Ramos, chegamos à Casa de Missão Santa Terezinha, dos Leigos Missionários Combonianos, presença missionária no bairro Ipê Amarelo em Contagem, estado de Minas Gerais, onde fomos acolhidos por Ana Cris, Alejandro e sua família, LMC da Guatemala.

No dia seguinte, iniciamos a nossa etapa de formação presencial com a procissão de ramos saindo da comunidade de Nossa Senhora Aparecida, no Ipê Amarelo, até a Comunidade São Judas (cerca de 2,5 km), onde celebrou-se a missa reunindo todas as 10 comunidades da Paróquia São Domingos de Gusmão.

Nos encontramos como Família Comboniana, sendo acolhidos pela comunidade dos Mccj presentes na região, conhecendo um pouco mais da história da região e da presença Comboniana e revendo velhas amizades.

Outro momento marcante foi nos reunirmos na casa Comboniana Justiça e Paz, para nos encontrarmos com o grupo de espiritualidade comboniana (GEC), e a partir de um momento de oração lindamente conduzido pelos membros do GEC Contagem, partilhamos nossa vida e vivências missionárias, aqui e além-fronteiras, pois, a partir do batismo, somos todos missionários e chamados a atuar nas fronteiras de onde estamos.

Pe. Rafael nos lembrou que “da dimensão da missão a partir do carisma Comboniano, resgatamos a necessidade de sermos verdadeiras comunidades” – trabalhar unidos na dimensão de Cenáculo de Apóstolos, identidade Comboniana de atuação em uma missão.

Porque nos amamos

Comboni tinha Cristo no coração e via Cristo nos outros países.

Que amemos a missão, os mais pobres, e sejamos perseverantes no chamado que Deus tem para cada um de nós: viver unidos e felizes.

Grupo do Itinerário LMC 2026/2027