Leigos Missionários Combonianos

Paz com a Criação

LMC Mozambique

Ao longo da história, muitas atividades humanas contribuíram para a destruição da criação.

Hoje, mais que nunca, algumas dessas atividades assumem a forma de uma guerra contra a criação. Alguns têm mais responsabilidade por está crise.

No entanto, há esperança para uma terra pacífica, Isaías 32,14-18 prevê uma criação pacífica onde o povo de Deus viverá somente quando a justiça for alcançada.

Esperança é ser capaz de ver que há luz, apesar de toda a escuridão, disse o arcebispo Desmond Tutu.

Não podemos nem devemos combater as alterações climáticas sem trabalhar em estreita colaboração uns com os outros.

O Círculo Laudato Si, da Arquidiocese de Nampula – Moçambique, em união com diversas igrejas cristãs, realizou no último domingo 21 de setembro o culto ecumênico de oração pela criação com o tema “Paz pela Criação” e o símbolo “Jardim da Paz”, inspirado em Isaías 32,18, como parte do tempo da criação. Um tempo de oração e ação pela nossa casa comum, que ocorre todos os anos de 1° de setembro a 4 de outubro.

O culto foi celebrado pela Igreja Católica, 9 Igrejas Evangélicas e o movimento Laudato Si, com um número de aproximadamente 500 pessoas.

Foi uma tarde de louvor, agradecimento e pedido de perdão a Deus.

Reconhecemos o apelo urgente à ação, e reconhecemos que só podemos responder com base na fé. O tempo da criação é uma fonte de força e união (Dra. Anne Burghardt, secretária geral da Federação Luterana Mundial).

Todos somos convidados a cuidar do lugar que Deus nos deu para vivermos.

E já está marcado o próximo encontro inter-religioso em Nampula, para o dia 04/10.

Regimar Costa.

LMC Brasil em Moçambique.

Comunidades celebram 40 anos do martírio de Padre Ezequiel Ramin e reafirmam compromisso com justiça e fé

LMC Brasil

No domingo 20 de julho, a Comunidade Padre Ezequiel Ramin celebrou um marco histórico e simbólico: os 40 anos do martírio deste missionário comboniano e também os 40 anos de existência da própria comunidade que leva seu nome, no município de Mirante da Serra (RO). O evento reuniu cerca de 300 pessoas, com representantes das comunidades vizinhas e do Assentamento Pe. Ezequiel, que também celebra 25 anos de sua fundação.

A celebração integrou a programação da 10ª Romaria do Padre Ezequiel Ramin, realizada em Cacoal/RO e Rondolândia/MT, no final de semana seguinte, nos dias 26 e 27 de julho.

Um dos momentos mais comoventes da celebração foi a presença e o depoimento de Fabiano Ramin, irmão mais novo de Padre Ezequiel, que veio da Itália especialmente para participar da programação. Em sua fala, marcada por emoção contida e gratidão profunda, Fabiano destacou a força da memória que permanece viva entre o povo que Ezequiel escolheu servir com sua vida.

“Eu tenho ganas de chorar, mas não vou chorar. Os idosos têm ganas de chorar quando estão muito emocionados. Então, estou nessa situação. Sou o caçula da família Ramin e estou muito agradecido com vocês por esta festa, por esta ocasião em que se recorda não apenas o assassinato de Padre Ezequiel, mas também o nascimento da comunidade, o batismo de um povo que segue lutando.”

Ele reforçou que a celebração não é apenas uma recordação do passado, mas um ato de esperança e continuidade: (…) “A missão do cristão, como Ezequiel escrevia, é anúncio e denúncia. Denunciar a injustiça faz parte da fé. E vocês continuam essa missão.”

A presença dos missionários combonianos em Mirante da Serra ao longo da Semana Missionária reafirmou a continuidade do carisma e da missão de Padre Ezequiel Ramin, que também era comboniano. Participaram de atividades pastorais, visitas domiciliares e momentos de escuta e oração junto às famílias da Paróquia Nossa Senhora dos Migrantes, Diocese de Ji-Paraná.

A presença missionária reforça a dimensão internacional e libertadora da Igreja em terras amazônicas — uma Igreja que caminha com o povo, escutando suas dores e esperanças. Ao visitarem as casas, os combonianos fortaleceram os vínculos comunitários e também reavivaram o espírito missionário de Ezequiel: uma fé que denuncia a injustiça e anuncia a esperança.

A celebração seguiu com almoço comunitário, escuta de moradores, apresentação do Palhaço Liro e encerramento com bingo comunitário.

Um dos momentos mais simbólicos foi a encenação mística feita por jovens da comunidade, que retratou a luta pela terra e denunciou as estruturas que levaram ao martírio de Padre Ezequiel: “Ele foi assassinado porque defendeu os sem-terra, os posseiros, os indígenas. Porque acreditava numa sociedade justa.”

LMC Brasil

Leia a notícia desta celebração na íntegra na página do Instituto Pe. Ezequiel Ramin: https://iper-amazonia.com.br/noticias/comunidade-celebra-40-anos-do-martirio-de-padre-ezequiel-ramin-e-reafirma-compromisso-com-justica-e-fe/)

Tenho a paixão de quem segue um sonho

Romeria Ezequiel Ramin

“Gostaria de dizer algo especial para vocês que são sensíveis às coisas belas: tenham um sonho! Cultivem um sonho bonito e o sigam por toda a vida! A vida que tem um sonho é uma vida feliz. A vida que segue um sonho é uma vida que se renova a cada dia. A nossa vida que parece longa, na verdade é curta. Que o sonho de vocês faça felizes não somente todas as pessoas, mas inclusive as próximas gerações. É belo sonhar de fazer feliz toda a humanidade. Não é impossível!– Ezequiel Ramin

O Pe. Ezequiel Ramin, missionário Comboniano, escreveu esse texto quatro anos antes de ser brutalmente morto por pistoleiros no dia 24 de julho de 1985, em Cacoal, estado de Rondônia, aos 32 anos de idade. Tinha um sonho. O sonho do Reino de Deus. Abraçou a causa dos mais pobres. Morreu defendendo os pequenos e injustiçados, lavradores e indígenas. Neste ano fazemos memória dos 40 anos do martírio do Pe. Ezequiel Ramin, mártir da justiça na Amazônia.

Estima-se que mais de duas mil pessoas de Rondônia e de outros lugares do Brasil e do mundo, participaram da 10ª Romaria Pe. Ezequiel Ramin e fizeram memória de seu martírio em Cacoal/RO e Rondolândia/MT, nos dias 26 e 27 de julho. Neste 2025 os missionários Combonianos também marcam 50 anos de presença em Rondônia.

Que o testemunho de Ezequiel Ramin nos anime na missão.

“Se a minha vida lhe pertence, também lhe pertence minha morte.” – E. Ramin

Pe. Ezequiel Ramin, presente!

LMC Brasil

1ª Celebração do Natal, no Piquiá da Conquista, símbolo de luta e esperança

Brasil

No último 25 de dezembro, aconteceu a 1ª celebração de Natal, no centro comunitário do Piquiá da Conquista, em Açailândia. Reuniram-se, padres Combonianos, leigos missionários, e a comunidade local composta pelos novos moradores do bairro. O Piquiá da Conquista é fruto de mais de uma década de luta da população do Piquiá de Baixo, que enfrentou condições insalubres e violações de direitos devido à poluição industrial. Essa mobilização resultou em uma vitória histórica: o reassentamento em um espaço digno, onde hoje as famílias constroem uma nova vida.

Marcelo Moutinho, psicólogo e LMC brasileiro, que esteve animando com sua esposa Adriana a celebração relata: “Em visita ao Maranhão, eu ansiava por retornar ao Piquiá da Conquista, depois da conclusão das obras, para testemunhar e juntos celebrar essa grande vitória, que há de se tornar inspiração para os diversos desafios que os cristãos vivem no dia a dia da missão e lutas por direitos humanos. Os LMC no Brasil, através das diferentes presenças ao longo dos muitos anos da luta, de Xoán, Ilária, Federico, Liliana, Flávio, Gabriel, Anna e outros apoiadores, junto com a comunidade dos Padres Combonianos desta paróquia, participaram ativamente de diversas etapas desta realização”.

Os Leigos Missionários Combonianos, como parte da família Comboniana, atuam em parceria com comunidades para evangelizar e construir justiça social, sendo sinais de esperança e solidariedade nos contextos mais desafiadores da igreja, tais como a causa indígena, os desafios das periferias urbanas, a Justiça Restaurativa no Sistema prisional (APACs) e a luta pela moradia digna.

A celebração foi um momento de profunda espiritualidade e fraternidade, simbolizando o renascimento da vida e da fé. Que o exemplo de luta e resiliência dessa comunidade inspire mais pessoas a se unirem à missão comboniana de espalhar o amor, a justiça e a paz que o Natal nos convida a viver. Afinal, o verdadeiro sentido do Natal está em construir, juntos, um mundo mais justo e humano.

Adriana e Marcelo Moutinho, casal LMC brasileiro

Quer saber mais?

Mas o Natal chegou assim…

Mozambique

Entre muita luta, manifestação e morte, nasce Jesus em Moçambique. O povo luta para sair da opressão. A dor de ver amigos sofrendo, chorando a perda de seus entes queridos também dói em mim como uma espada afiada. Enquanto uns choram, outros riem. Não é bom sentir essa dor, não é bom ver pessoas morrendo pela ambição de outros.

Ele é nossa esperança, o menino Deus que nasce, é a esperança de um povo cansado de sofrer, de ser oprimido.

Festejamos sim o natal, nos alegramos com a notícia da chegada do salvador. Mas não esqueçamos de nossa responsabilidade com aqueles que sofrem.

Esse é um natal diferente, com um sentimento estranho que mistura alegria da chegada com a dor de uma população marcada pelo sofrimento.

Moçambique. Há meu Moçambique, terra que aprendi amar, gente que me faz sentir moçambicana, como desejo que tudo isso termine e que a paz chegue.

Nasceu o Salvador, que ele venha salvar o povo Moçambicano e tantos outros que sofrem.

Feliz Natal!