Leigos Missionários Combonianos

“Com os pés no chão e o horizonte largo”

LMC Brasil

As Leigas e Leigos Missionários Combonianos do Brasil iniciaram o ano de 2023 com a organização do encontro presencial do Itinerário formativo LMC que se realizou entre os dias 15 a 23 de janeiro, no Piquiá em Açailândia/MA. Nesta região encontra-se uma das presenças mais antigas e com continuidade dos LMC e é uma referência para o trabalho como Família Comboniana na Causa da Justiça e Paz e Integridade da criação (JPIC).

Participaram deste momento bonito de formação, partilha, visitas: Leonel de Curitiba/PR, Dhenny de Balsas/MA, Diana de Fortaleza/CE e Tranquillo de Serra/ES.

Este período de convivência tem por objetivo ser um momento especial no processo de discernimento que já entra em seu segundo ano, em vista do chamado LMC para servir ao Reino. Oportunidade de aprofundar sobre a Vocação como chamado de Deus, a opção e o estilo de vida e missão. Nestes dias se privilegiou a temática do Ensino Social da Igreja com foco na JPIC – Justiça, Paz e Integridade da Criação com formações teóricas e as visitas realizadas em diversas iniciativas existentes na região.

Momento importante de fazer uma releitura da vida e da fé e como batizados, redescobrir a dimensão da missionariedade. “Sou batizado? Então devo ser missionário senão não sou cristão!” (Pedro Casaldáliga).

Sobre os trilhos do amor e da amizade nosso trem percorre a vida.

Foram dias de aprendizado, de convivência e de aconchego. Nosso itinerário, assim como uma viagem de trem, nos leva a conhecer lugares, apreciar paisagens e desfrutar do convívio daqueles que comungam da mesma fé e percorrem o mesmo caminho.

Vindos dos quatro cantos, reunidos na pequena e deslumbrante Piquiá, quatro pessoas (Diana, Dhenny, Leonel e Tranqüillo) que buscam conhecer e se conhecer, aprender e ensinar, vivenciar e sonhar, juntos para mais um passo em direção à estação Leigos Missionários Combonianos (LMC). Não será esta a estação final, mas sim, a primeira, aquela que irá nos permitir seguir por trilhas e trilhos ainda mais distantes.

Na mochila, somente o necessário: a Palavra de Deus, umas poucas roupas, muitas dúvidas e medos, alguns trocados e uma enorme vontade de viver tudo isso. Contamos apenas com a nossa espiritualidade e com pessoas dedicadas e abdicadas: Cristina, Marcelo, Adriana, Alexander, Padre Carlos, João Carlos, Dida, Padre Joseph, Flávio, Liliana e Padre Silvério. Pessoas que já percorreram por estes caminhos das mais variadas formas e meios. Pessoas que abriram estradas e assentaram trilhos.

Nosso trem partiu e pelo caminho foi recebendo gente. Gente divertida, gente sofrida. Pessoas que muito nos ensinaram, não apenas com suas palavras, mas com suas ações, suas atitudes e com suas vidas. Acreditar que somos agentes transformadores. Que transformamos duras realidades de exploração, enganação e morte, em um reino de vida, partilha e fé.

Por trás das grades, somos capazes de reconhecer aquela gente que é indesejada, maltratada e excluída da vida. Gente que é capaz de sorrir e voltar a viver, basta para isso que um jovem se sinta incomodado com o sofrimento alheio, junte o saber com o querer, e se coloque ao serviço na fronteira da reclusão. Marcelo, obrigado por nos ensinar que a teimosia nos faz remover grades e muros em nossas vidas e na vida de muitos outros.

Descemos do trem para ir de encontro ao povo do Piquiá. Visitamos, andamos por ruas quentes e empoeiradas. Mas não andamos só. Contamos com a companhia e a alegria do servir do Sr José Albino, Sr Celso, Dona Margarida e tantas outras pessoas que se juntam para celebrar a fé e compartilhar a vida. E lá fomos nós. No meio do povo. Do sol que ilumina o caminho e deixa marca em nossa pele. Somos marcados pelas palavras e pelos sorrisos recebidos. Por olhos que não enxergam, por mãos que não afagam, por pessoas acamadas e mal tratadas, mas resilientes e fortes. Pessoas de fé.

Por estes trilhos da vida, nos é exigido fazer escolhas. Diante de uma realidade temos a estrada da esquerda e o caminho da direita. Nossa resposta sempre será o sim. Tomaremos sempre a decisão pela estrada que nos leva ao Reino de Deus e dos pobres. Alexander é um desses poucos que teve a coragem e a disposição de dizer o Sim da vocação. Vocação de se colocar no meio dos pobres, servir aos mais necessitados e ajudar aos invisíveis sociais. Alexander nos ensina, com o seu português espanholado, a aprender duras lições de despojamento, sair do cômodo lugar em que nascemos e fomos forjados. Com suas dúvidas e questionamentos, sua vontade de logo fazer, Alex (como o chamamos) embarca em nosso trem e percorre conosco toda essa trilha.

A continuar…

Mensagem de sua santidade papa Francisco para o dia mundial das missões de 2022

Francisco

«Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8)

Queridos irmãos e irmãs!

Francisco

Estas palavras encontram-se no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (1, 8). E constituem também o tema do Dia Mundial das Missões de 2022, que, como sempre, nos ajuda a viver o facto de a Igreja ser, por sua natureza, missionária. Neste ano, o citado Dia proporciona-nos a ocasião de comemorar algumas efemérides relevantes para a vida e missão da Igreja: a fundação, há 400 anos, da Congregação de Propaganda Fide – hoje designada Congregação para a Evangelização dos Povos – e, há 200 anos, da «Obra da Propagação da Fé; esta, juntamente com a Obra da Santa Infância e a Obra de São Pedro Apóstolo, há 100 anos foram reconhecidas como «Pontifícias».

Detenhamo-nos nestas três expressões-chave que resumem os três alicerces da vida e da missão dos discípulos: «Sereis minhas testemunhas», «até aos confins do mundo» e «recebereis a força do Espírito Santo».

1. «Sereis minhas testemunhas» – A chamada de todos os cristãos a testemunhar Cristo

É o ponto central, o coração do ensinamento de Jesus aos discípulos em ordem à sua missão no mundo. Todos os discípulos serão testemunhas de Jesus, graças ao Espírito Santo que vão receber: será a graça a constituí-los como tais, por todo o lado aonde forem, onde quer que estejam. Tal como Cristo é o primeiro enviado, ou seja, missionário do Pai (cf. Jo 20, 21) e, enquanto tal, a sua «Testemunha fiel» (Ap 1, 5), assim também todo o cristão é chamado a ser missionário e testemunha de Cristo. E a Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, não tem outra missão senão a de evangelizar o mundo, dando testemunho de Cristo. A identidade da Igreja é evangelizar.

Uma releitura de conjunto mais aprofundada esclarece-nos alguns aspetos sempre atuais da missão confiada por Cristo aos discípulos: «Sereis minhas testemunhas». A forma plural destaca o caráter comunitário-eclesial da chamada missionária dos discípulos. Todo o batizado é chamado à missão na Igreja e por mandato da Igreja: por isso a missão realiza-se em conjunto, não individualmente: em comunhão com a comunidade eclesial e não por iniciativa própria. E ainda que alguém, numa situação muito particular, leve avante a missão evangelizadora sozinho, realiza-a e deve realizá-la sempre em comunhão com a Igreja que o enviou. Como ensina São Paulo VI, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi (um documento de que muito gosto), «evangelizar não é, para quem quer que seja, um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial. Assim, quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade ou administra um Sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um ato de Igreja e o seu gesto está certamente conexo, por relações institucionais, como também por vínculos invisíveis e por raízes recônditas da ordem da graça, à atividade evangelizadora de toda a Igreja» (n.º 60). Com efeito, não foi por acaso que o Senhor Jesus mandou os seus discípulos em missão dois a dois; o testemunho prestado pelos cristãos a Cristo tem caráter sobretudo comunitário. Daí a importância essencial da presença duma comunidade, mesmo pequena, na realização da missão.

Em segundo lugar, é pedido aos discípulos para construírem a sua vida pessoal em chave de missão: são enviados por Jesus ao mundo não só para fazer a missão, mas também e sobretudo para viver a missão que lhes foi confiada; não só para dar testemunho, mas também e sobretudo para ser testemunhas de Cristo. Assim o diz, com palavras verdadeiramente comoventes, o apóstolo Paulo: «Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo» (2 Cor 4, 10). A essência da missão é testemunhar Cristo, isto é, a sua vida, paixão, morte e ressurreição por amor do Pai e da humanidade. Não foi por acaso que os Apóstolos foram procurar o substituto de Judas entre aqueles que tinham sido, como eles, testemunhas da ressurreição (cf. At 1, 22). É Cristo, e Cristo ressuscitado, Aquele que devemos testemunhar e cuja vida devemos partilhar. Os missionários de Cristo não são enviados para comunicar-se a si mesmos, mostrar as suas qualidades e capacidades persuasivas ou os seus dotes de gestão. Em vez disso, têm a honra sublime de oferecer Cristo, por palavras e ações, anunciando a todos a Boa Nova da sua salvação com alegria e ousadia, como os primeiros apóstolos.

Por isso, em última análise, a verdadeira testemunha é o «mártir», aquele que dá a vida por Cristo, retribuindo o dom que Ele nos fez de Si mesmo. «A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 264).

Enfim, a propósito do testemunho cristão, permanece sempre válida esta observação de São Paulo VI: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres (…) ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas» (Evangelii nuntiandi, 41). Por conseguinte é fundamental, para a transmissão da fé, o testemunho de vida evangélica dos cristãos. Por outro lado, continua igualmente necessária a tarefa de anunciar a pessoa de Jesus e a sua mensagem. De facto, o mesmo Paulo VI continua mais adiante: «Sim! A pregação, a proclamação verbal duma mensagem, permanece sempre como algo indispensável. (…) A palavra continua a ser sempre atual, sobretudo quando ela for portadora da força divina. É por este motivo que permanece também com atualidade o axioma de São Paulo: “A fé vem da pregação” (Rom 10, 17). É a Palavra ouvida que leva a acreditar» (Ibid., 42).

Por isso, na evangelização, caminham juntos o exemplo de vida cristã e o anúncio de Cristo. Um serve ao outro. São os dois pulmões com que deve respirar cada comunidade para ser missionária. Este testemunho completo, coerente e jubiloso de Cristo será seguramente a força de atração para o crescimento da Igreja também no terceiro milénio. Assim, exorto todos a retomarem a coragem, a ousadia, aquela parresia dos primeiros cristãos, para testemunhar Cristo, com palavras e obras, em todos os ambientes da vida.

2. «Até aos confins do mundo» – A atualidade perene duma missão de evangelização universal

Ao exortar os discípulos a serem as suas testemunhas, o Senhor ressuscitado anuncia aonde são enviados: «Em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8). Aqui emerge muito claramente o caráter universal da missão dos discípulos. Coloca-se em destaque o movimento geográfico «centrífugo», quase em círculos concêntricos, desde Jerusalém – considerada pela tradição judaica como centro do mundo – à Judeia e Samaria, e até aos extremos «confins do mundo». Não são enviados para fazer proselitismo, mas para anunciar; o cristão não faz proselitismo. Os Atos dos Apóstolos narram-nos este movimento missionário: o mesmo dá-nos uma imagem muito bela da Igreja «em saída» para cumprir a sua vocação de testemunhar Cristo Senhor, orientada pela Providência divina através das circunstâncias concretas da vida. Com efeito, os primeiros cristãos foram perseguidos em Jerusalém e, por isso, dispersaram-se pela Judeia e a Samaria, testemunhando Cristo por toda a parte (cf. At 8, 1.4).

Algo semelhante acontece ainda no nosso tempo. Por causa de perseguições religiosas e situações de guerra e violência, muitos cristãos veem-se constrangidos a fugir da sua terra para outros países. Estamos agradecidos a estes irmãos e irmãs que não se fecham na tribulação, mas testemunham Cristo e o amor de Deus nos países que os acolhem. A isto mesmo os exortava São Paulo VI, ao considerar a «responsabilidade que se origina para os migrantes nos países que os recebem» (Evangelii nuntiandi, 21). Com efeito, experimentamos cada vez mais como a presença dos fiéis de várias nacionalidades enriquece o rosto das paróquias, tornando-as mais universais, mais católicas. Consequentemente, o cuidado pastoral dos migrantes é uma atividade missionária que não deve ser descurada, pois poderá ajudar também os fiéis locais a redescobrir a alegria da fé cristã que receberam.

A indicação «até aos confins do mundo» deverá interpelar os discípulos de Jesus de cada tempo, impelindo-os sempre a ir mais além dos lugares habituais para levar o testemunho d’Ele. Hoje, apesar de todas as facilidades resultantes dos progressos modernos, ainda existem áreas geográficas aonde não chegaram os missionários testemunhas de Cristo com a Boa Nova do seu amor. Por outro lado, não existe qualquer realidade humana que seja alheia à atenção dos discípulos de Cristo, na sua missão. A Igreja de Cristo sempre esteve, está e estará «em saída» rumo aos novos horizontes geográficos, sociais, existenciais, rumo aos lugares e situações humanos «de confim», para dar testemunho de Cristo e do seu amor a todos os homens e mulheres de cada povo, cultura, estado social. Neste sentido, a missão será sempre também missio ad gentes, como nos ensinou o Concílio Vaticano II (veja-se, por exemplo, o Decreto Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, 07/XII/1965), porque a Igreja terá sempre de ir mais longe, mais além das próprias fronteiras, para testemunhar a todos o amor de Cristo. A propósito, quero lembrar e agradecer aos inúmeros missionários que gastaram a vida para «ir mais além», encarnando a caridade de Cristo por tantos irmãos e irmãs que encontraram.

3. «Recebereis a força do Espírito Santo – Deixar-se sempre fortalecer e guiar pelo Espírito

Ao anunciar aos discípulos a missão de serem suas testemunhas, Cristo ressuscitado prometeu também a graça para uma tão grande responsabilidade: «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas» (At 1, 8). Com efeito, segundo a narração dos Atos, foi precisamente a seguir à descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus que teve lugar a primeira ação de testemunhar Cristo, morto e ressuscitado, com um anúncio querigmático: o chamado discurso missionário de São Pedro aos habitantes de Jerusalém. Assim começa a era da evangelização do mundo por parte dos discípulos de Jesus, que antes apareciam fracos, medrosos, fechados. O Espírito Santo fortaleceu-os, deu-lhes coragem e sabedoria para testemunhar Cristo diante de todos.

Como «ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor” senão pelo Espírito Santo» (1 Cor 12, 3), também nenhum cristão poderá dar testemunho pleno e genuíno de Cristo Senhor sem a inspiração e a ajuda do Espírito. Por isso cada discípulo missionário de Cristo é chamado a reconhecer a importância fundamental da ação do Espírito, a viver com Ele no dia a dia e a receber constantemente força e inspiração d’Ele. Mais, precisamente quando nos sentirmos cansados, desmotivados, perdidos, lembremo-nos de recorrer ao Espírito Santo na oração (esta – permiti-me destacá-lo mais uma vez – tem um papel fundamental na vida missionária), para nos deixarmos restaurar e fortalecer por Ele, fonte divina inesgotável de novas energias e da alegria de partilhar com os outros a vida de Cristo. «Receber a alegria do Espírito é uma graça; e é a única força que podemos ter para pregar o Evangelho, confessar a fé no Senhor» (Francisco, Mensagem às Pontifícias Obras Missionárias, 21/V/2020). Assim, o Espírito é o verdadeiro protagonista da missão: é Ele que dá a palavra certa no momento justo e sob a devida forma.

É à luz da ação do Espírito Santo que queremos ler também os aniversários missionários deste 2022. A instituição da Sacra Congregação de Propaganda Fide, em 1622, foi motivada pelo desejo de promover o mandato missionário nos novos territórios. Uma intuição providencial! A Congregação revelou-se crucial para tornar a missão evangelizadora da Igreja verdadeiramente tal, isto é, independente das ingerências dos poderes do mundo, a fim de constituir aquelas Igrejas locais que hoje mostram tanto vigor. Esperamos que, à semelhança dos últimos quatro séculos, a Congregação, com a luz e a força do Espírito, continue e intensifique o seu trabalho de coordenar, organizar e animar as atividades missionárias da Igreja.

O mesmo Espírito, que guia a Igreja universal, inspira também homens e mulheres simples para missões extraordinárias. E foi assim que uma jovem francesa, Pauline Jaricot, há exatamente 200 anos fundou a Associação para a Propagação da Fé; celebra-se a sua beatificação neste ano jubilar. Embora em condições precárias, ela acolheu a inspiração de Deus para pôr em movimento uma rede de oração e coleta para os missionários, de modo que os fiéis pudessem participar ativamente na missão «até aos confins do mundo». Desta ideia genial, nasceu o Dia Mundial das Missões, que celebramos todos os anos, e cuja coleta em todas as comunidades se destina ao Fundo universal com que o Papa sustenta a atividade missionária.

Neste contexto, recordo também o Bispo francês Charles de Forbin-Janson, que iniciou a Obra da Santa Infância para promover a missão entre as crianças sob o lema «As crianças evangelizam as crianças, as crianças rezam pelas crianças, as crianças ajudam as crianças de todo o mundo»; e lembro ainda a senhora Jeanne Bigard, que deu vida à Obra de São Pedro Apóstolo, para apoio dos seminaristas e sacerdotes em terras de missão. Estas três obras missionárias foram reconhecidas como «pontifícias», precisamente há cem anos. E foi também sob a inspiração e guia do Espírito Santo que o Beato Paolo Manna, nascido há 150 anos, fundou a atual Pontifícia União Missionária a fim de sensibilizar e animar para a missão os sacerdotes, os religiosos e as religiosas e todo o povo de Deus. Desta última Obra, fez parte o próprio Paulo VI, que lhe confirmou o reconhecimento pontifício. Menciono estas quatro Obras Missionárias Pontifícias pelos seus grandes méritos históricos e também para vos convidar a alegrar-vos com elas, neste ano especial, pelas atividades desenvolvidas em apoio da missão evangelizadora na Igreja universal e nas Igrejas locais. Espero que as Igrejas locais possam encontrar nestas Obras um instrumento seguro para alimentar o espírito missionário no Povo de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, continuo a sonhar com uma Igreja toda missionária e uma nova estação da ação missionária das comunidades cristãs. E repito o desejo de Moisés para o povo de Deus em caminho: «Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse» (Nm 11, 29). Sim, oxalá todos nós sejamos na Igreja o que já somos em virtude do Batismo: profetas, testemunhas, missionários do Senhor! Com a força do Espírito Santo e até aos extremos confins da terra. Maria, Rainha das Missões, rogai por nós!

Roma, São João de Latrão, na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2022.

Franciscus

Fazer causa comum com os pobres e com a casa comum

Encuentro Amazonia

Carta do Encontro Comboniano de Ecologia Integral

Encuentro Amazonia

Cerca de trinta membros da Família Comboniana (LMC, Seculares, Combonianas e Combonianos, entre os quais três provinciais) provenientes da África, América e Europa, nos reunimos de 27 de julho a 03 de agosto de 2022, em Belém do Pará, Brasil, por ocasião do X Fórum Social Pan-Amazônico (X FOSPA) e do Encontro Comboniano de Ecologia Integral.

Abrimos os ouvidos, corações e mentes aos gemidos da Mãe Terra, dos povos amazônicos e das comunidades que acompanhamos, que clamam pela regeneração completa das filhas e filhos do Deus da Vida (Cf. Rom 8,19-23), presente em toda a sua Criação.

Fizemos isso em continuidade com a longa caminhada dos Fóruns Combonianos e do mapeamento da ministerialidade social em nossa Família Comboniana e missão.

Somos inspirados pela mística dos povos originários e sua forte interligação com os elementos primários do cosmos, com as águas, os rios, o ar, as florestas, a terra e todos os seres.

Através deles, Jesus de Nazaré continua nos convidando a “contemplar os pássaros do céu e os lírios do campo” (Cf. Mt 6,26-28) a fim de aprender e assumir juntos o Bem Viver.

A partir da ESCUTA atenta, respeitosa e compassiva da realidade de muitos povos:

1. CONSTATAMOS que a crise climática, socioambiental e política, derivada do modelo econômico dominante e insustentável, que separa, exclui e mata, coloca em sério risco a sobrevivência humana e a vida plena de toda a Criação, nos territórios onde vivemos nossa vocação e missão a serviço do Reino.

São os povos indígenas, as comunidades tradicionais, as mulheres e os jovens que ainda alimentam a esperança, de sua resistência, em defesa da Amazônia!

2. COMPREENDEMOS que a gravidade da situação exige urgentemente que a Igreja e nossos Institutos desencadeiem processos de conversão ecológica.

Sentimos que é preciso:

  • rever e desaprender muitos de nossos conceitos e experiências em relação a Deus e à Natureza, entre homens e mulheres, sobre inculturação, práticas pastorais e liturgia;
  • integrar em nossa ação missionária a defesa dos corpos daqueles que lutam pelo respeito ao meio ambiente e os territórios onde estamos presentes;
  • cultivar e compartilhar a ecoespiritualidade, as releituras bíblicas e a ligação fé e vida;
  • adotar uma metodologia missionária que nos permita uma maior conexão e uma imersão efetiva nos valores, línguas, culturas e sacralidade dos povos e territórios com os quais nos relacionamos;
  • revisão e correção em nossos projetos e estruturas, estilos de vida e consumo incompatíveis com a sobriedade ecológica e evangélica;
  • investir em treinamentos básicos e contínuos que integrem, na teoria e na prática, os princípios da Ecologia Integral;
  • informar e incentivar as Igrejas locais e nossa Família Comboniana sobre os eventos, meios e processos que nos ajudem a assumir e aprofundar a experiência da sinodalidade e da ministerialidade social em uma chave ecológica;
  • fortalecer a solidariedade, a participação, o acompanhamento e o trabalho em rede com os povos indígenas, leigos, congregações, movimentos sociais e órgãos intereclesiais e extra eclesiais.

3. PROPOMOS aos coordenadores de nossos Institutos, aos conselhos das circunscrições de todos os continentes, aos responsáveis pelos setores e a todos os membros da nossa Família Comboniana:

  • assumir como inspiração comum a adoção do Pacto Comboniano para a Casa Comum e, como eixo transversal de toda a nossa atividade missionária e presença, a Ecologia Integral;
  • promover a troca permanente de reflexões, aprendizados e práticas entre os membros da Família Comboniana;
  • troca de pessoal entre comunidades e circunscrições que atuam no mesmo território;
  • qualificar nossos processos de formação com pesquisa, compartilhamento de metodologias de intervenção e transformação social e a definição e integração teórico-prática da Ecologia Integral em sintonia com a Laudato Si’ e a Querida Amazônia de Papa Francisco;
  • participar da discussão e elaboração de planos pastorais em dioceses e paróquias que assumam os princípios da Ecologia Integral;
  • promover nossa qualificação e participação no âmbito da advocacy e decisão política em defesa da Casa Comum;
  • apoiar e apostar nos mecanismos e práticas da economia inclusiva;
  • acolher e defender pessoas em risco ou ameaçadas por causa de suas lutas.

4. ASSUMIMOS, como participantes deste Encontro de Família Comboniana e desta rica experiência de escuta, o compromisso com:

  • divulgar e apoiar a Declaração Pan-Amazônica de Belém, que integra os Saberes e Sentimentos compartilhados no X Fórum Social Pan-Amazônico (X FOSPA);
  • dar continuidade à reflexão e ao compartilhamento das intuições que surgiram nos dias de encontro;
  • traduzir e viver, nos diversos contextos de nossa missão, a inspiração carismática de Comboni (Regenerar a África com a África) e o slogan “Amazoniza-te”, que repercutiu fortemente entre nós nesses dias, sempre respeitando e promovendo o protagonismo dos povos originários.

5. CONFIAMOS todo esse caminho que queremos percorrer à intercessão e proteção dos mártires da Amazônia que nos encorajam ao radicalismo e fidelidade no seguimento a Jesus de Nazaré e na vivência do nosso carisma.

Do fluir da vida às margens do Rio Guamá, em Belém do Pará, 3 de agosto de 2022.

Encuentro Amazonia

Os participantes e as participantes do Encontro Comboniano de Ecologia Integral



Começamos o nosso último dia da Assembleia com alegria.

LMC America

A reflexão bíblica do dia levou-nos a um compromisso de transformar as realidades onde estamos, com base no Evangelho, e com tudo isto enchemos o mapa de todo o continente com pétalas de rosa, o que nos convida a pensar que, pela sua fragilidade, temos de ser transmissores da Boa Nova do ambiente em que nos encontramos.

Continuamos a trabalhar em grupos, partilhando os compromissos que foram assumidos como resultado desta Assembleia.

Uma metodologia que perceba as realidades, ilumine com a Palavra de Deus, com ações concretas e leva-nos a celebrar como comunidades missionárias.

Tendo em conta a importância desta vocação e a sua relevância no mundo, somos convidados a reorganizar os nossos países, a contribuir como família comboniana, sem perder de vista a dimensão missionária para a humanidade.

Um momento especial do dia foi a celebração da Santa Eucaristia, presidida pelo P. Joselin, provincial do Peru, que nos recordou a importância de concretizarmos nos nossos grupos os resultados desta Assembleia, e para isso devemos recordar o Sínodo a que o Papa Francisco nos chama. Neste sentido,

É muito importante renomear a Paróquia de Chorrillos, que foi escolhida pela Arquidiocese como uma Paróquia modelo no seu Plano Pastoral.

Agradecemos a Província do Peru, a comunidade de Chorrillos e aos LMC do Peru, pelo acolhimento e preocupação de nos fazer sentir em casa.

Os nossos agradecimentos vão também para Mireya, LMC Guatemala, pelo amor e dedicação que tem demonstrado ao longo dos anos, e desejamos a Rocío, LMC Peru, que juntamente com Beatriz, LMC México e Padre Ottorino, MCCJ responsável pelo acompanhamento dos LMC na América, que compõem a nova equipa coordenadora do comité americano, todo o sucesso.

No domingo celebrar a Eucaristia juntamente com as comunidades de Pamplona Alta, faz-nos refletir sobre a missão e quando devemos nos comprometer ainda com este apelo missionário de uma Igreja em saída.

Maria Cristina Paulek e José David Rojas Quesada

Brasil – Costa Rica.

Enviados novamente

LMC America

Dia 6 da nossa reunião, um dia importante e definitivo, hoje finalizamos os temas a discutir, consolidamos um documento e elegemos o novo comité continental.

O nosso dia começou com uma bela oração dirigida pela equipa da Colômbia, onde através do texto bíblico Ezequiel 34; 1-15 meditámos sobre o nosso papel de pastores no meio da comunidade e como disse o Papa Francisco algumas vezes também como pastores em frente do rebanho e dependendo da realidade pode estar atrás deles, mas sempre lá, ao lado deles, cheirando a ovelhas ao serviço da missão; através da acção de graças enchemos o esboço do continente americano com pétalas de rosa, pintando-o com as suas belas cores e a fragilidade de um povo que sofre de guerra, indiferença e desigualdade.

Durante o dia meditámos um pouco sobre a tarefa que cada um dos participantes levará de volta aos seus países, porque finalmente a revisão sistemática dos acordos de Roma de 2018 expôs as realidades que cada país vive, avaliámos os compromissos e finalmente produzimos um documento simples que ajudará a dar passos mais firmes no sentido do cumprimento do que foi acordado, que é finalmente o ideal da nossa comunidade de Leigos Missionários Combonianos.

Antes da Eucaristia da noite em assembleia elegemos o novo comité americano, onde a nossa companheira Mireya Soto LMC da Guatemala entregou as suas responsabilidades de 6 anos atrás e deu lugar a novas pessoas para avançar; Beatriz Maldonado LMC do México que gentilmente aceitou continuar como parte do comité para outro mandato juntamente com Roció del Carmen Gamarra do Peru e o P. Ottorino Poletto MCCJ do Equador; temos um novo comité americano. Na Eucaristia da noite rezámos por eles que, guiados pela luz do Evangelho, podem continuar a acompanhar os LMC da América.

Agradecemos ao Peru excelente anfitrião, não é fácil conseguir a acolhida de cerca de 30 pessoas, eles realmente fizeram-nos sentir em casa, graças também à antiga equipa continental Mireya, Beatriz, Padre Ottorino e ao apoio sempre e incondicional de Alberto de la Portilla e também recebemos com alegria a nova equipa coordenadora da América, bem-vindos.