Leigos Missionários Combonianos

Sobre os trilhos do amor e da amizade nosso trem percorre a vida (2/3).

LMC Brasil

O perfume toma conta de todo o nosso trem. São elas que chegam para nos pegar pelas mãos e nos guiar, como maquinistas deste trem. São elas que sorriem para nós, como gesto de toda a sua acolhida. São elas que nos alimentam e brindam. Sim. Todas mulheres. Alegres, marcadas pelos anos de vida e de luta, bonitas e sorridentes. Jovens e experientes. Cabelos curtos, longos e grisalhos. As mulheres que passaram por nós nesta viagem, mostraram que são capazes de abraçar e lutar. Enfrentar grandes dragões e afagar nossas cabeças quando nós nos voltamos para os pés. Eunice é uma dessas mulheres. A primeira a nos receber na casa dos padres. Sempre atenciosa e acolhedora. Ela marca o nosso primeiro contato com as mulheres daquele lugar. Também Dina e Maynara estiveram em nosso vagão durante todo este itinerário. Foram elas que prepararam o nosso caminho, organizando e limpando a casa dos LMCs. Foram elas que nos receberam, nos ensinaram sobre as coisas daquele lugar. São elas as continuadoras das lutas e festas daquele povo tão acolhedor. De repente, estávamos todos juntos. As meninas correm entre nós numa brincadeira de se aproximar, as moças que arregalam os seus olhares diante dos desconhecidos se mostram curiosas com estes que chegam de longe, as mulheres que abrem os braços e os corações para nos receber e as senhoras, as líderes que já fizeram, que fazem e que, se preciso for, serão capazes de fazer tudo novamente.

O saber é algo que só cresce quando dividimos. E foi assim em nossas manhãs, bebericando um café ou um caneco de suco, muitos sucos, que compartilhamos o saber com o Marcelo, Padre Carlos, João Carlos, Valdênia, Renato, Yonná, Morgana e Padre Joseph. E tudo termina com o um gosto de querer mais, de ficar naquela estação por mais algumas horas, dias, vidas. O aprender é algo único e contagiante. Quem aprende passa a conviver com a vontade de ensinar, de transmitir, de compartilhar o que recebeu. Mas tem também o ensinar sem palavras. Com gestos, conversas, mas, principalmente com atitudes. Padre Silvério é um desses. Que olha para os menores, para os pequenos, com brilho no olhar, histórias para contar e toda uma vida para dedicar.

Chegamos na estação mais alta, a estação “Piquiá da Conquista”. Quando avistei ao longe, escondida entre palmeiras de açaí, mangueiras e pés de babaçu, aquelas casinhas brancas, todas bem organizadas, me veio a mente uma história distante de um lugar conhecido como Terra Prometida. Foi na conversa com Dona Tida, nas instalações do restaurante Sabor da Conquista, que tomamos conhecimento sobre a história e a conquista que se fazia ali, diante de nós, presente na vida do povo do Piquiá de Baixo. Assim como a Terra Prometida, esta história tem o seu Moisés. Um dos líderes da comunidade que marcou presença em todos os momentos e lutas deste povo. Mas foi no dia que o primeiro tijolo foi assentado, no dia que o Piquiá da Conquista foi avistado, que o Sr. Edvar faleceu por complicações respiratórias. Sim. Ele foi mais um dos que faleceram em virtude da poluição trazida pelas siderúrgicas para o Piquiá de Baixo. Dona Tida (Francisca), assim como Josué, conduz o povo pelo Rio Piquiá, promove reuniões, discute, escuta e organiza o povo. São 312 casas. Serão 312 famílias contempladas com um novo local para viver, longe dos dragões, mas não distante de suas labaredas e fumaças.

Talvez você pergunte pelo porquê desta viagem. Talvez estes não sejam os seus trilhos. Talvez nada disso faça sentido para você. Mas uma coisa eu posso lhe assegurar, você tem um jeito que é só seu. Mas eu conheci um homem, de aparência frágil, de olhar intenso, de vida bem vivida. Para resumir este homem, Dona Tida nos revelou um segredo que só as pessoas experientes e capazes de ouvir o sussurrar de Deus são capazes de nos dizer. Ela nos perguntou: Vocês conhecem aquele homem que tem o jeito de Deus? Nossos olhares se cruzaram como quem pergunta: ainda não conhecemos o jeito de Deus e como reconheceremos tal pessoa. Ela então nos questiona: vocês conhecem o Padre Dário? Nossos olhares se abrem e todos confirmam: Sim, conhecemos o Padre Dário. Cada um com sua história sobre este que tem o “jeito de Deus”.

A continuar…

Oração da Família Comboniana Janeiro 2023

Comboni y Jesus

Para que a oração de unidade dos cristãos possa ser uma ocasião para crescer na consciência recíproca e encontrar elementos comuns entre as diversas denominações cristãs que nos incitam a tecer relações mais profundas entre nós e a promover a fraternidade universal, para contribuir para a rea-lização do sonho de Jesus, “que todos sejan um” (Jo 17, 21). Oremos.

Conselho Geral MCCJ: “Votos de paz e de esperança para o Natal 2022”

Navidad
Navidad

 «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2, 10-11)

Caríssimos confrades,

Chegue a todos vós e a todas as vossas comunidades votos de paz e de esperança pelo próximo Natal.

Convidamos cada um de vós a fazer ressoar, mais uma vez, na nossa vida e na das nossas comunidades, o anúncio do anjo aos pastores («Paz na terra aos homens do seu agrado» – (Lc 2, 14b), certos de que o anúncio, como o foi para os pastores, seja também para nós capaz de tornar-nos “contemporâneos do evento”. Um evento que nos faça «regressar ao início da nossa existência redimida, a alegria de viver, o gosto do essencial, o sabor das coisas simples, a fonte da paz, a alegria do diálogo, o prazer da colaboração, a vontade do empenho histórico, o assombro da verdadeira liberdade, a ternura da oração» (Don Tonino Bello).

O “não temais” do anjo encoraja-nos também a nós hoje a não recuar diante dos desafios que encontramos no nosso quotidiano. Um quotidiano muitas vezes atormentado por preocupações, do desconforto e da violência – provocados por diversos factores – que corroem em nós a confiança na vida e na esperança de futuro. Todavia, «o crente tem no coração algo que lhe urge, o move, mobiliza todas as suas energias: é a “alegria do evangelho”, a sua novidade incomparável. Quem crê, mesmo na relação com quem é distante, não pode renunciar a comunicar a formidável diferença e excelência, “o mais” e “o além”, que são constitutivos do Evangelho» (Card. Carlo Maria Martini). Por isso, o anúncio da alegria do anjo torna-se um indulto, uma captura do pessimismo, uma trégua nos sofrimentos e desilusões que endurecem o nosso coração, e se transforma numa força irradiadora de confiança no futuro que se regenera na “paciência do presente”, uma paciência capaz de revitalizar o olhar mais autêntico sobre a história. E de interpretar os acontecimentos, colhendo o seu verdadeiro sentido ou, pelo menos, o possível horizonte.

Tal paciência impele-nos a divisar as três dimensões do Natal: a escuta e o diálogo, para alcançar os gemidos dos territórios e das pessoas que neles vivem, e empenhar-se em promover relações e ambientes seguros no presente e no futuro; o acolhimento, como fruto de proximidade, de serviço e de cuidado, tocando as múltiplas feridas das pessoas sofredoras (jovens, migrantes, diferentemente competentes, famílias, vítimas da guerra); e a profecia, para activar processos e antecipar, com propostas significativas e incisivas, a transformação da nossa vida e da vida das pessoas que servimos, como fruto da coragem do dar a vida pelos outros e, sobretudo, para que nós mesmos sejamos apaixonados pela vida.

Dentro de poucos dias inicia em todas as circunscrições o mandato dos novos Conselhos Provinciais. A todos eles enviamos os nossos melhores votos, confiando o seu serviço a Maria, Mãe do Príncipe da Paz e Mãe de todos os povos da terra, para que os acompanhe, sustentando a sua capacidade de interpretar com disponibilidade e gratuidade a confiança que receberam dos confrades das circunscrições.

A todos vós e a todos os membros da inteira Família comboniana, desejamos um feliz Natal e um próspero 2023, para que continue para todos a descoberta da nossa Família como “berço de vida e de fé”, lugar de acolhimento, e fonte de esperança e de paz para toda a humanidade.

Por fim, exortamos todos a implorar com fervor do Príncipe da Paz para que leve consolação a todos os corações feridos, bem como às nações provadas por guerras e crises de todo o género, de modo que todo o homem e mulher possa gozar de uma vida digna e serena.

Navidad

Bom Natal a todos!

O Conselho Geral