Leigos Missionários Combonianos

A missão se faz caminhando

CFR Brasil

Noite da filosofia camponesa

Aconteceu no último dia 25 – 09 – 2026 na escola Familiar Rural (CFR) de Piquiá, Açailândia Maranhão Coordenada pelos Leigos Missionários Combonianos, a noite da filosofia Camponesa com o tema: A TERRA QUE NOS HABITA.

Com a presença de todos os alunos, familiares e grupos de assentamentos da região e convidados.

Houve uma grande reflexão sobre o tema com falas, poesias e grandes apresentações por parte dos alunos e grupos presentes no evento.

Também foi entregue os certificados para a turma de formandos que concluíram os estudos no ano de 2025 e que hoje já estão inseridos no mercado de trabalho.

Para finalizar a noite houve uma grande confraternização entre coordenação, alunos, familiares e todos os presentes deste grande momento de reflexão sobre a Mãe TERRA.

Comunidade LMC de Piquiá formada por 2 casais: Xoancar e Dida. Tito e Regimar.

Bispos combonianos: «É do coração que nasce a missão»

Obispos combonianos

Dezasseis dos 23 bispos combonianos ao serviço das Igrejas locais em África e na América Latina reuniram-se em Roma, de 16 a 21 de setembro, para um encontro de formação e partilha, deixando também uma mensagem à Família Comboniana neste tempo de reconfiguração.

MENSAGEM DOS BISPOS COMBONIANOS À FAMÍLIA COMBONIANA

«Ao ver as multidões, sentiu compaixão delas» Mt 9,36

Queridos irmãos e irmãs,

nós, os bispos combonianos, reunimo-nos na Casa Geral dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus para um momento de formação permanente e de diálogo. Com esta carta, queremos, antes de mais, expressar a nossa profunda gratidão por esta oportunidade de encontro e pelo acolhimento na Casa Geral. Estar aqui, na casa que guarda a memória e o caminho do Instituto, permite-nos partilhar não apenas um momento institucional, mas sobretudo uma fraternidade comboniana que nasce da mesma vocação missionária.

Queremos dar graças pelo dom da vocação missionária nos nossos Institutos, pelo serviço que tantos irmãos e irmãs prestam à Igreja nos diferentes continentes e, sobretudo, pelo testemunho de tantos missionários e missionárias que, muitas vezes no silêncio e em situações difíceis, continuam a viver fielmente o carisma de Comboni, participando na missão de Cristo onde quer que a Igreja seja chamada a fazer-se presença, escuta, reconciliação e esperança.

Gostaríamos de partilhar convosco uma palavra que nos parece particularmente importante para este momento dos nossos Institutos e da missão: o coração. O Papa Francisco, na Dilexit nos, convidou-nos a regressar ao coração. Não como refúgio intimista, mas como o lugar onde a pessoa reencontra a sua unidade, reconhece aquilo que verdadeiramente importa e se abre ao encontro com Deus e com os outros. O Papa Leão, com a Dilexi te, aprofundou este tema, falando da necessidade do amor aos pobres. O mundo precisa hoje, como sempre, de uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar (DT 120). O amor aos pobres é a garantia evangélica de uma Igreja fiel ao coração de Deus (DT 103).

É do coração que nasce a missão. E talvez seja precisamente aqui que se encontra um dos desafios mais profundos que hoje temos diante de nós: renovar a missão significa, antes de mais, deixarmo-nos renovar no coração. Num tempo de mudanças de época, também os nossos Institutos estão a atravessar profundas transformações e sentem a necessidade de repensar as estruturas e os modos de agir. A missão pede-nos escolhas corajosas. Mas toda a reorganização adquire o seu verdadeiro significado quando nasce da escuta do chamamento de Deus e permanece orientada para o bem da missão, sem nunca perder de vista o bem de cada pessoa.

Por isso, não devemos simplesmente perguntar-nos: como podemos continuar a fazer aquilo que sempre fizemos, com menos pessoas e menos recursos? A pergunta mais profunda é: o que está o Espírito Santo a pedir hoje ao carisma comboniano? Que nova forma de missão? Que compreensão renovada do nosso modo de ser Igreja? Que estruturas estão realmente ao serviço do Evangelho e quais, pelo contrário, correm o risco de se tornarem fins em si mesmas? A reorganização dos nossos Institutos é, portanto, um caminho necessário que devemos enfrentar sem medo e que pode também tornar-se uma graça: a oportunidade de regressar ao essencial e permitir que o carisma recebido de Comboni encontre novas formas, adequadas às realidades em que hoje somos chamados a viver. Desejamos que este caminho se realize num estilo de sinodalidade, através de uma relação renovada entre as Igrejas locais e os Institutos de vida consagrada, entre presbíteros e leigos, mulheres e homens, idosos e jovens.

A missão é participação na missão de Cristo. E uma Igreja missionária é uma Igreja que não vive para si mesma, mas para os outros. Por isso, precisamos de uma compreensão renovada do nosso modo de ser Igreja. Não podemos anunciar a reconciliação se as nossas comunidades não se tornam lugares de reconciliação. Não podemos falar de paz se não aprendermos a preservar a paz nas nossas relações. Não podemos anunciar a fraternidade a um mundo dividido se nós próprios não nos tornarmos irmãos capazes de nos escutarmos, perdoarmos e apoiarmos mutuamente.

Por isso, gostaríamos também de renovar juntos um apelo à paz, ao desarmamento e à reconciliação. Vivemos num mundo marcado por guerras, violência, rearmamento, polarizações e medo. Em muitos dos lugares onde os missionários estão presentes, as populações trazem no corpo e na memória as feridas dos conflitos. Como Igreja, não podemos resignar-nos à lógica da violência. E nós, missionários, somos chamados a ser artesãos da paz. O desarmamento não diz respeito apenas às decisões políticas e internacionais: interpela também a conversão do coração e favorece uma disposição não violenta e pacífica nas relações. Significa desarmar as mãos, mas também as palavras, os juízos, os medos e as desconfianças. Uma missão reconciliada pode tornar-se semente de reconciliação.

Durante o nosso encontro, encontrámos outra palavra que nos parece decisiva: o cuidado. O cuidado de nós próprios, do irmão, das comunidades eclesiais às quais somos enviados, juntamente com o cuidado da nossa casa comum. O cuidado não é fraqueza nem fechamento sobre nós próprios, mas atenção amorosa à vida. Estamos conscientes de que o cuidado é parte essencial do ministério do bispo; por isso, pedimos ao Senhor a sabedoria e a delicadeza necessárias para sermos pais acolhedores e companheiros de caminho das nossas comunidades. A Igreja precisa também de missionários que saibam cuidar da sua vida espiritual, da sua humanidade, da sua formação, do aprofundamento da espiritualidade comboniana, da sua saúde, das suas relações e da sua vocação. Um missionário que não cuida de si próprio corre o risco, com o tempo, de perder a capacidade de cuidar dos outros. Precisamos de construir comunidades nas quais cada um possa sentir-se acolhido, escutado e acompanhado. Precisamos de aprender novamente que o irmão não é um obstáculo à missão: é parte da própria missão. E precisamos de cuidar da criação, porque na beleza da terra podemos ainda reconhecer algo da beleza do amor de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, olhando o mundo com o coração de Cristo, já não vemos apenas problemas a resolver, mas pessoas a amar, comunidades a acompanhar na fé, feridas a tratar e beleza a preservar. Os tempos que vivemos não são fáceis, mas, se o nosso coração permanecer aceso pelo amor de Cristo, então, mesmo na nossa pobreza, seremos esperança para o mundo. Peçamos, portanto, ao Senhor que renove em nós o coração missionário de Comboni. Um coração capaz de ver, de escutar, de fazer causa comum com aqueles que sofrem e com aqueles que se alegram, partilhando as suas feridas e as suas esperanças.

Asseguramos-vos a nossa oração e pedimos-vos que também rezeis por nós, para que juntos possamos servir o Povo de Deus com humildade e coragem.

Os bispos combonianos

Sessão de formação de líderes jovens 2026 na Paróquia da Sagrada Família de Nazaré – Klikamé-Dangbessito, Lomé, de 10 a 15 de agosto

Togo

Tema: «Jovens, talentos para Maria»

Cerca de cinquenta jovens, seis dias de formação, talentos descobertos e uma experiência significativa de fé, partilha e aprendizagem!

De 10 a 15 de agosto de 2026, a Paróquia da Sagrada Família de Nazaré, em Klikamé-Dangbessito, acolheu a Sessão de Formação de Líderes Juvenis de 2026, organizada pelos Candidatos a Missionários Leigos Combonianos do Togo (CLM) em colaboração com a Legião de Maria.

A iniciativa reuniu cerca de cinquenta jovens para um programa concebido para apoiar o seu desenvolvimento humano e espiritual, permitindo-lhes ao mesmo tempo descobrir, desenvolver e tirar o máximo partido dos seus talentos.

A sessão centrou-se em Maria, que foi apresentada no primeiro dia como a «Estrela da Juventude» pelo padre Aubin-Ephrem Biney, pároco da paróquia.

Através da vida e das virtudes de Maria, os jovens participantes foram encorajados a cultivar a humildade, a paciência, a resiliência, a compaixão, a oração e o espírito de serviço — valores essenciais para se tornarem líderes responsáveis.

Temas que abordam os desafios enfrentados pelos jovens

Ao longo da sessão, foram abordados vários temas importantes.

A «Higiene Pessoal e Ambiental», apresentada por Jean-Baptiste Gnimassoun, LMC, contribuiu para sensibilizar os jovens participantes para a importância da higiene pessoal, da limpeza e da proteção ambiental.

As «Competências do Século XXI», apresentadas por Ernest Botri, LMC, ajudaram os participantes a descobrir a importância da criatividade, do pensamento crítico, da comunicação, da colaboração e de outras competências necessárias para ter sucesso no mundo atual.

Formação Humana e Espiritual

«Os Jovens, as redes sociais e a Inteligência Artificial», apresentada pela Irmã Elizabeth Corte Imperial, Irmã Missionária Comboniana, proporcionou uma oportunidade para refletir sobre o uso responsável das tecnologias digitais.

A sessão abordou também a sexualidade humana, as suas diferentes dimensões e os riscos associados a comportamentos sexuais irresponsáveis, com o objetivo de promover a responsabilidade e o respeito por si próprio e pelos outros.

Exibição do filme «Bernadette Soubirous»

O terceiro dia contou com uma atividade cultural e espiritual especial: a exibição de um filme sobre Bernadette Soubirous.

Através da história desta jovem e da sua experiência de fé, os participantes foram convidados a refletir sobre valores como a fé, a perseverança, a humildade e a fidelidade às próprias convicções.

A exibição complementou os ensinamentos espirituais da sessão e proporcionou uma oportunidade de reflexão e partilha entre os jovens participantes.

Transformar talentos em competências

Uma parte importante da sessão foi dedicada a oficinas práticas, permitindo aos jovens aprenderem na prática e desenvolverem competências concretas.

Tricô: confeção de gorros e elásticos para o cabelo; Trabalho com miçangas: confeção de colares, pulseiras e porta-chaves.

Sapataria: aprendizagem sobre diferentes modelos e padrões e confeção dos modelos «Príncipe», «Princesa» e sapatos cruzados. Culinária: preparar petiscos de amendoim, bolos, petiscos, decorar um bolo de casamento e fazer sabonete líquido.

Estas oficinas incentivaram a criatividade, a paciência, a precisão, a autonomia, a iniciativa e o trabalho em equipa.

Uma celebração de encerramento dos talentos dos jovens

A sessão terminou com uma missa de encerramento, seguida de uma exposição e venda dos produtos confecionados pelos jovens participantes.

A exposição deu aos participantes a oportunidade de mostrar as suas criações e demonstrar como um talento pode ser descoberto, desenvolvido e transformado numa competência útil.

Através desta sessão, os organizadores procuraram lembrar a todos que os jovens não são apenas o futuro: são uma força vital no presente, capazes de contribuir ativamente para a transformação da sociedade.

«Jovens, Talentos para Maria»: Descobrir, desenvolver, valorizar e servir!

Ernest A. S. Botri

Continuamos caminhando

Ipe 14.09.2026

É com alegria que compartilhamos que acabamos de completar 6 meses no Brasil; tem sido um desafio nos reintegrarmos e nos adaptarmos novamente. Graças a Deus, já iniciamos várias atividades e trabalhos, pois uma mão estendida para ajudar é sempre bem-vinda.

Estamos trabalhando na área pastoral com duas comunidades, procurando animá-las para que cresçam aos poucos e para que mais pessoas se comprometam com o trabalho. Também estamos apoiando a pastoral carcerária, os ministros da Palavra e a catequese do catecumenato, entre outras atividades.

Realizamos diversas atividades com casais na pastoral familiar, catequizando noivos que estão prestes a se casar e participando de uma jornada de evangelização e conscientização com o tema BETS (apostas); essa sensibilização revelou muitos casos de abuso de apostas na região e levanta a questão: o que devemos fazer, como cristãos, para prevenir isso em nossa sociedade?

Também temos avançado na busca e na execução de projetos que possam contribuir para o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos da região; com alegria, iniciamos vários cursos de idiomas na Casa Comboniana — cursos de inglês, espanhol e francês —, bem como na Associação de Ype Amarelo. É animador ver que há jovens e adultos interessados em adquirir novos conhecimentos e ferramentas que possam ajudá-los a conseguir melhores oportunidades de emprego e, ao mesmo tempo, realizar seus sonhos.

Continuamos com o grupo de formação e terapia para mulheres, focado na evangelização, em temas de autoajuda e em trabalhos manuais. Esperamos poder iniciar os cursos de desenho, pintura e palestras mensais que informem e sensibilizem sobre o uso de drogas e a violência contra a mulher.

As periferias sempre revelam uma marginalização cujo alvo muda com o tempo, um esquecimento que atinge as novas gerações, hoje especialmente na área da educação e da unidade familiar.

Pedimos suas orações para que possamos cumprir a vontade de Deus, ajudando quem precisa de consolo em meio a tanta tristeza e incerteza.

Que São Daniel Comboni continue intercedendo pelo trabalho missionário que todos nós, LMC, realizamos como uma grande comunidade e que tudo seja para a glória de Deus e a salvação das almas.

Um abraço fraterno.

Alejandro e Ana Cris

LMC da Guatemala no Brasil

Um retiro para renovar o coração e fortalecer a nossa missão

Retiro Peru

Como Leigos Missionários Combonianos do Peru, elevamos o nosso coração a Deus e damos-Lhe graças pelo belo dom de viver o nosso retiro anual nos dias 4, 5 e 6 de setembro, na cidade de Trujillo, num ambiente de encontro, oração, fraternidade e reflexão profunda, acompanhados pelo MCCJ, P. David Nyinga Dunga. Este retiro permitiu-nos afastar-nos das nossas atividades quotidianas para regressar ao coração, ouvir a voz de Deus e renovar o sentido da nossa vocação missionária. Foi também um espaço para partilhar as nossas experiências, inquietações e esperanças, fortalecendo os nossos laços como irmãos e reconhecendo que não caminhamos sozinhos, mas como uma família chamada a servir.

À luz da encíclica *Dilexit te*, pudemos olhar para a realidade da pobreza com novos olhos. Compreendemos que a pobreza não se limita à falta de recursos económicos ou materiais. Existem também pobrezas espirituais, culturais e sociais que muitas vezes permanecem ocultas e que podem estar presentes até nas nossas próprias comunidades eclesiais.

Esta reflexão convidou-nos a parar, a olhar com maior sensibilidade e a perguntar-nos: somos capazes de reconhecer o irmão que sofre? Somos capazes de nos aproximar dele e caminhar ao seu lado? Porque, quando aprendemos a olhar com os olhos do coração, descobrimos que por trás de cada rosto há uma história, uma necessidade e, acima de tudo, a presença de Jesus.

Durante estes dias, renovámos também a certeza de que o rosto do pobre é o rosto de Cristo. Somos chamados a encontrar Deus no que é simples e quotidiano: na nossa família, no trabalho, na pastoral, nas nossas comunidades e em cada pessoa com quem partilhamos o caminho.

Mas este encontro também nos levou a olhar para o nosso interior e a reconhecer as nossas próprias pobrezas e fragilidades. Não podemos aproximar-nos dos outros a partir de uma posição de superioridade ou distância. Somos irmãos que precisamos de Deus e dos outros. Por isso, a nossa missão nasce da humildade, da empatia, da solidariedade e do desejo sincero de caminhar juntos.

O próprio Cristo nasceu, viveu e morreu pobre. Aproximou-se dos pequenos, dos excluídos e daqueles que sofriam. Veio pobre para os pobres e mostrou-nos que o verdadeiro amor não se fica apenas nas palavras, mas transforma-se em serviço, entrega e proximidade.

São Daniel Comboni compreendeu profundamente este apelo. Entregou a sua vida pelos povos mais pobres e esquecidos, convencido de que a missão devia ser uma expressão concreta do amor de Deus. Como Leigos Missionários Combonianos, queremos seguir as suas pegadas e fazer nosso este carisma, colocando a nossa vida ao serviço da evangelização e dos nossos irmãos, especialmente daqueles que mais necessitam da nossa presença e solidariedade.

Ao concluir este retiro, levamos no coração a gratidão pelo que vivemos, a alegria pelo encontro, a esperança para continuar a caminhar e o desejo de renovar o nosso compromisso missionário. Partimos de Trujillo com um olhar renovado sobre a nossa missão, dispostos a reconhecer todos os dias Jesus nos nossos irmãos, especialmente naqueles que sofrem, se sentem sozinhos ou vivem diferentes formas de pobreza, e naqueles que esperam de nós uma palavra de esperança, proximidade e uma mão amiga.

Que o Senhor nos conceda a graça de não sermos indiferentes perante a dor dos nossos irmãos. Que nos dê um coração simples, compassivo e disposto a servir. E que, seguindo o exemplo de São Daniel Comboni, possamos dar vida ao nosso carisma e proclamar com as nossas ações que a missão começa quando somos capazes de amar, servir e caminhar ao lado do outro.

Obrigado, Senhor, por este retiro, pelos nossos irmãos e pelo dom da vocação missionária! Que continuemos a caminhar juntos, com fé, esperança e coração comboniano.

LMC-PERU