A quarta-feira da Semana Santa fomos ao Memorial Brumadinho, espaço de memória e “uma conquista das famílias das 272 vítimas fatais do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019 em Brumadinho/MG”.
Esta foi uma visita que nos fez parar e nos perguntar: ”O que estamos fazendo com o nosso planeta?” Saímos profundamente impactados pela história do lugar, o rastro de destruição deixado pela mineração e a sensação que mudam os lugares, mas a prática destrutiva do modelo de exploração vigente é o mesmo em muitos lugares. Comunidades impactadas, mortes de pessoas, de rios, de sistemas inteiros e uma grande marca de impunidade.
Rompimento antes e depois – Fonte – Correio Braziliense
Tudo o que vimos, ouvimos e sentimos nos fez refletir sobre a necessidade de aprofundar a dimensão da Espiritualidade da Ecologia integral, que nos reconecta com nossa casa comum, com nossos irmãos e nos lembra que tudo está interligado.
A Campanha da Fraternidade de 2026 nos convida a contemplar uma das afirmações mais profundas da fé cristã: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O prólogo do Evangelho de João revela o coração do mistério da encarnação. Deus não permaneceu distante da realidade humana. O Verbo se fez carne, assumiu nossa condição, entrou na história e escolheu habitar no meio da humanidade. Não veio como um visitante passageiro, mas como alguém que decidiu compartilhar a vida, as dores e as esperanças do seu povo.
A encarnação é, portanto, o grande gesto de proximidade de Deus. Em Jesus, Deus se aproxima da humanidade ferida, especialmente daqueles que vivem à margem: os pobres, os excluídos, os esquecidos da sociedade. Cristo nasce em uma realidade simples, cresce entre os pequenos, caminha com os que sofrem e anuncia um Reino onde os últimos são colocados no centro. Essa lógica do Evangelho rompe com a mentalidade do poder e da indiferença, e revela um Deus que escolhe a proximidade, a compaixão e o serviço.
Essa perspectiva ilumina profundamente a espiritualidade missionária comboniana. Inspirados por São Daniel Comboni, os missionários e missionárias são chamados a fazer o mesmo movimento de Jesus: ir ao encontro, viver no meio e caminhar junto com os mais pobres. Comboni compreendeu que a missão não acontece a partir de uma posição de superioridade ou distância, mas da partilha concreta da vida com aqueles que mais precisam. Seu sonho missionário era claro: salvar a África com a própria África, valorizando os povos, suas culturas e sua dignidade.
Dentro dessa lógica, os leigos missionários combonianos possuem um papel essencial. Eles testemunham que a missão não é exclusiva de religiosos ou sacerdotes, mas é uma vocação de todo o povo de Deus. O leigo missionário é aquele que, inserido na vida cotidiana — no trabalho, na família, na comunidade — torna-se presença viva do Evangelho. Ele assume a missão como estilo de vida, levando a presença de Cristo aos lugares onde muitas vezes a Igreja institucional não consegue chegar.
A encarnação nos ensina que Deus não transforma o mundo à distância. Ele se compromete com a realidade humana. Do mesmo modo, os leigos missionários combonianos são chamados a habitar as periferias existenciais, aproximar-se das dores da humanidade e construir sinais concretos de esperança. Estar junto dos pobres não é apenas uma atitude de solidariedade social, mas uma dimensão profunda da fé cristã. Nos rostos dos pobres e vulneráveis encontramos o próprio Cristo que continua a nos interpelar.
Nesse sentido, o tema da Campanha da Fraternidade de 2026 “Ele veio morar entre nós” torna-se também um convite para cada cristão: permitir que Cristo continue habitando no mundo através de nossas atitudes. Quando nos aproximamos dos que sofrem, quando partilhamos a vida com os esquecidos, quando lutamos para que todos tenham dignidade, estamos prolongando a presença de Deus no meio da humanidade.
Porque, onde a vida é defendida, onde a dignidade é restaurada e onde os pobres são acolhidos, ali Deus continua habitando no meio de nós.
No sábado que antecedeu o Domingo de Ramos, chegamos à Casa de Missão Santa Terezinha, dos Leigos Missionários Combonianos, presença missionária no bairro Ipê Amarelo em Contagem, estado de Minas Gerais, onde fomos acolhidos por Ana Cris, Alejandro e sua família, LMC da Guatemala.
No dia seguinte, iniciamos a nossa etapa de formação presencial com a procissão de ramos saindo da comunidade de Nossa Senhora Aparecida, no Ipê Amarelo, até a Comunidade São Judas (cerca de 2,5 km), onde celebrou-se a missa reunindo todas as 10 comunidades da Paróquia São Domingos de Gusmão.
Nos encontramos como Família Comboniana, sendo acolhidos pela comunidade dos Mccj presentes na região, conhecendo um pouco mais da história da região e da presença Comboniana e revendo velhas amizades.
Outro momento marcante foi nos reunirmos na casa Comboniana Justiça e Paz, para nos encontrarmos com o grupo de espiritualidade comboniana (GEC), e a partir de um momento de oração lindamente conduzido pelos membros do GEC Contagem, partilhamos nossa vida e vivências missionárias, aqui e além-fronteiras, pois, a partir do batismo, somos todos missionários e chamados a atuar nas fronteiras de onde estamos.
Pe. Rafael nos lembrou que “da dimensão da missão a partir do carisma Comboniano, resgatamos a necessidade de sermos verdadeiras comunidades” – trabalhar unidos na dimensão de Cenáculo de Apóstolos, identidade Comboniana de atuação em uma missão.
Porque nos amamos
Comboni tinha Cristo no coração e via Cristo nos outros países.
Que amemos a missão, os mais pobres, e sejamos perseverantes no chamado que Deus tem para cada um de nós: viver unidos e felizes.
Hoje vivi uma Sexta-Feira Santa diferente, uma Sexta-Feira Santa que não só contemplei, mas pela qual caminhei, carreguei e ofereci.
Tive a graça de participar na procissão do Nazareno da Quase-paróquia de Santa María del Encinal, partilhando com a comunidade, com amigos e com dois sacerdotes que são exemplo do que é ser missionário e pessoas entregues de corpo e alma a Jesus e à Igreja, sentindo a fé de cada irmão e irmã que caminhava ao meu lado.
Mas também vivi isso com a minha família, que foi o meu apoio em cada momento.
A minha esposa, com cada olhar cheio de amor, dava-me forças para seguir em frente; e em cada ocasião em que partilhava comigo um gole de água, sentia o seu carinho e a sua companhia, como um gesto simples, mas cheio de significado.
Os meus filhos também caminharam comigo neste caminho de fé.
Tive a bênção de carregar ao lado do meu filho mais velho, partilhando o esforço e o compromisso, e o meu filho mais novo, com cada abraço, lembrava-me de algo muito profundo e verdadeiro:
«Não estás sozinho.»
Carregar Jesus nos ombros foi mais do que um ato físico; foi uma experiência espiritual profunda.
A cada passo senti o peso da cruz, mas também senti o amor que Ele tinha por nós.
O cansaço nos meus pés, a dor nos meus braços e nas minhas costas foram-se transformando, pouco a pouco, numa oferta silenciosa, uma forma simples de dizer a Jesus:
«Aqui estou, Senhor, a caminhar contigo.»
Não foi fácil, mas no meio do esforço compreendi que o sacrifício também pode ser oração.
Cada gota de suor, cada momento de fadiga, cada respiração profunda, transformou-se num ato de amor e gratidão.
E quando chegou a hora das 15h, o momento da adoração da Cruz, vivi algo novo na minha vida.
Foi a primeira vez que participei neste ato tão sagrado, e foi uma experiência bela, cheia de silêncio, respeito e profunda reflexão.
Ao contemplar a Cruz, lembrei-me da paixão e morte de Jesus Cristo, e no meu coração nasceu uma sincera gratidão pelo sacrifício que Ele fez por todos nós.
Hoje compreendi que ser leigo não é apenas assistir ou participar, mas entregar-se, servir, acompanhar e caminhar com Jesus no meio do povo.
Ser leigo é viver a fé com os pés cansados, com as mãos ocupadas e com o coração disposto.
Esta Sexta-Feira Santa não a recordei apenas… vivi-a.
Vivi-o em comunidade, com amigos, com sacerdotes que inspiram, vivi-o em família, vivi-o no serviço, vivi-o na dor oferecida e na profunda gratidão.
E no final do dia, embora o corpo esteja cansado, a alma está em paz, porque sei que cada passo que dei, cada esforço que ofereci, foi uma pequena demonstração de amor para Aquele que deu a sua vida por nós na Cruz.
Obrigado, Senhor Jesus, pelo teu sacrifício, pelo teu amor infinito e por me permitires caminhar contigo nesta Sexta-Feira Santa, acompanhado pela minha família, pela minha comunidade e pelos nossos sacerdotes, que foram reflexo da tua presença e do teu amor em cada momento.
Por uma colaboração profunda dentro da Família Comboniana, para que possamos testemunhar uma Igreja sinodal, próxima dos mais pobres e abandonados, segundo o desejo de São Daniel Comboni. Oremos.
Este sitio web utiliza cookies para mejorar su experiencia. Si continúa navegando consideramos que acepta el uso de cookies, pero puede optar por lo contrario si lo desea.
This website uses cookies to improve your experience. If you continue to browse we consider you accept the use of cookies, but you can opt-out if you wish. Acepto Puede obtener más información - You may have more information here
Politica y privacidad de Cookies - Privacy & Cookies Policy
Privacy Overview
This website uses cookies to improve your experience while you navigate through the website. Out of these, the cookies that are categorized as necessary are stored on your browser as they are essential for the working of basic functionalities of the website. We also use third-party cookies that help us analyze and understand how you use this website. These cookies will be stored in your browser only with your consent. You also have the option to opt-out of these cookies. But opting out of some of these cookies may affect your browsing experience.
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. This category only includes cookies that ensures basic functionalities and security features of the website. These cookies do not store any personal information.
Any cookies that may not be particularly necessary for the website to function and is used specifically to collect user personal data via analytics, ads, other embedded contents are termed as non-necessary cookies. It is mandatory to procure user consent prior to running these cookies on your website.