Leigos Missionários Combonianos

A cor do amor

LMC Peru
Peru

Talvez a ideia que temos da missão e do mundo seja ainda um pouco cor-de-rosa, na verdade, para mim, a missão é um arco-íris, de cores, de emoções, de momentos e de aprendizagens. A missão é mais que o céu azul e vasto que todos os dias abraço no início e no fim do meu dia, é mais que o castanho da areia desértica que cobre o chão. É mais que o verde da paisagem de algumas árvores que lutam para permanecer verdes, e que o cinzento dos dias de neblina que encobrem os vulcões. A missão é de uma imensidão de cores. É da cor dos rostos que me comovem e me fazem sorrir, é da cor das histórias que todos os dias ouço horas e horas sem fim e me lembram da matéria simples e humilde de que somos feitos, é da cor de todos os corações que me chegam e me ensinam que é possível amar mais. É da cor dos sorrisos, dos abraços, das lágrimas é da cor da paisagem natural e humana. A missão diária de seguir com eles é tão vasta, é de tantas cores.

Peru

Entre os meninos que me chamam na rua e no jardim de infância, e com os quais partilho a alegria de ser criança uma e outra vez, sem medo entregue a eles. Aos idosos que bailam livres quando vêm ao nosso encontro, e deixem-me dizer-vos, que para muitos, somos a sua única família. Verdadeiras histórias de superação e luta. Às famílias quando nos reunimos para partilhar o todo, na soma individual das partes porque, é nesse meio entre uns e outros que, nos encontramos e nos doamos sem premissas ou condições, só porque sim. É nas visitas diárias que encontro um verdadeiro sentido para a minha caminhada e vejo e revejo as cores do meu mundo aqui e agora. Aqui, nesta pequena vila é onde todos os dias a verdadeira experiência de ser eu, na essência das cores que tenho dentro e de todas aquelas que me permito ver no mundo.

Confesso-vos que me permito muitas vezes moldar por eles, moldar pela sua experiência de vida e de Deus, que me deixo horas e horas observar o que são e o tanto que me ensinam, que me permito sair de mim para aprender deles. Sempre tive certo dentro de mim que não fui chamada para nada mais que amar. Amar este povo, esta cultura e os seus costumes. Amar, nas suas múltiplas perspetivas, na queda, no erro, no levantar e na esperança de ser a cada dia a melhor versão de mim mesma. E ainda que já tenha passado mais de um ano aprendo deles todos os dias, aprendemos juntos. E assim, todos os dias descubro mais uma cor dentro e fora de mim, neste intercâmbio de vidas, histórias e rostos descubro todos os dias a cor do Amor.

Peru

p.s O amor não tem uma só cor, o amor será sempre da cor que tu quiseres!

Com amor e gratidão,

Neuza francisco, LMC

Encontro de Formação – Missão Hoje: Como? Porquê? Para Quê? A igreja em ato

LMC Portugal
LMC Portugal

No fim-de-semana 18 e 19 de maio, o grupo de formação LMC reuniu-se para marcar o encontro do mês, com o seguinte tema: “Missão Hoje: Como? Porquê? Para Quê? A igreja em ato”.

Apesar do grupo estar reduzido, o encontro foi bastante rico e com muito conteúdo. No seu enquadramento, fomos inicialmente interpelados com uma grande questão: “Porquê a Missão?”. As respostas variadas chegavam à mesma conclusão, o amor de Jesus Cristo que nos leva a ir mais longe. E para recordar que Jesus foi o primeiro Missionário, o tema seguiu-se com a passagem do Caminho de Emaús, em que os discípulos, desanimados, reconhecem em Jesus como “aquele” que lhes fazia arder o coração quando falava.

Além das passagens, também aprofundámos e interpretámos um trecho da Carta Encíclica Redemptoris Missio do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a validade permanente do Mandato Missionário, refletindo as palavras-chave sobre o sentido da Missão e do ser Missionário. Nesta carta, o Papa João Paulo II convida a igreja a renovar o seu compromisso missionário, revelando que “A missão é um problema de fé, é a medida exata da nossa fé em Cristo no seu amor por nós”.

Após o almoço de sábado, visitámos a casa das Irmãs Missionárias Combonianas, que partilharam um pouco das suas experiências, testemunhos e vida Missionária.

Após esse momento, regressámos para continuar com o tema e passámos para a leitura da Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa para o Ano Missionário e o Mês Missionário Extraordinário, que convida todos os Cristãos a viver um ano de encontro com Jesus Cristo, em estado permanente de Missão; viver a Missão e a renovação Missionária.

À noite do mesmo dia, vimos o Filme “Francisco e Clara” – filme esse que nos fez refletir sobre as suas vidas de luta por amor a Jesus Cristo e a dedicação aos marginalizados.

O domingo iniciou com uma bela dedicação à Mãe, Maria Rainha das Missões, celebrando a primeira oração do dia, junto da sua imagem no exterior da casa. Após o pequeno almoço, até à eucaristia, estudamos um excerto da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium e entramos em contacto, através de uma videochamada com os leigos Pedro Nascimento e Carolina Fiúza, que partilharam os seus testemunhos, desde que chegaram à Etiópia. E foi com a Eucaristia que terminámos este encontro, cheio de frutos, com a certeza que saímos na Alegria de Jesus Cristo que nos fez e nos quer missionários, todos os dias e em todos os locais.

LMC Portugal

Mónica Silva

Uma viagem (in)esperada – Notícias da missão em Etiópia

Viaje

Em missão, entre o Quénia e a Etiópia, a nossa LMC Carolina Fiúza escreve para a Revista Digital da Diocese de Leiria – Fátima (REDE). Convosco partilhamos o artigo.

Escrevo-vos já terminando uma semana de estadia em Nairobi, Quénia. Uma viagem turística que não era por mim desejada. Por motivos de força maior tive que sair do país (Etiópia): o visto que trazemos como missionários e que nos permite a entrada no país é um visto de negócios que apenas tem validade de um mês. Para estadias mais duradoiras (como a minha, de dois anos), ao chegarmos à Etiópia temos que conseguir obter nesse mês de validade do visto de negócios um outro visto – o de residência. No meu caso, esse mês não foi o suficiente para conseguir o visto de residência. O visto de negócios caducou e, por forma a não estar ilegal no país, tive que dar um salto até ao Quénia durante uma semana, para depois voltar a entrar e prosseguir o processo de obtenção do visto de residência de novo. Burocracias que traduzem uma exigente e difícil entrada neste país. Talvez possa dizer que, de uma maneira geral, a Etiópia é a tradução de uma história marcada por regimes e imperialismos exigentes, de grande controlo. É esta história que marca um povo! Não bastará dizer que viveram sob o regime de Imperadores até 1974 e que é dos únicos países africanos que nunca foi colonizado… a Etiópia tem história, uma grande história!

Sentimentos de tristeza e frustração assombraram o dia em que soube que teria que vir. Principalmente porque tinha começado as aulas de amárico há cerca de 2 semanas. Iria perder uma semana de aulas e todo um ritmo e envolvência na escola que é porta de entrada para esta cultura, que me põe estes sons das palavras em amárico a ecoar na cabeça, fazendo uma música pela qual me vou apaixonando. Não é uma língua fácil! Confesso sentir um paradoxo entre o entusiasmo de ser uma criança a aprender por imitação as palavras (como se dizem as cores, os alimentos, os animais, etc.), mas também um travo de receio. Receio por sentir que será tarefa complicada aprender rápido a língua.

Não me bastava já o amárico ser uma língua tão complicada, e agora tenho que ir para o Quénia, perder aulas, atrasar mais o domínio da língua! Assim nunca mais poderei prosseguir segura para o que vim – a missão! – pensava.

Temos a tentação de pensar que a missão é fazer, acontecer, programare tudo o que seja do domínio prático.

Porém, desenganemo-nos. Que me desengane eu também se penso que a missão propriamente dita apenas começará no dia em que viajar para permanecer na zona dos Gumuz e iniciar com os meus companheiros um projecto. Esquecemo-nos que não são, por vezes, as grandes coisas, aquelas que observarmos e palpamos, as que trarão mais vida. Não raras vezes, é no maior silêncio que mais operamos.

Poder-vos-ia dizer que é fácil conceber no meu íntimo este paradoxo de tempos de espera. Este que é agora um tempo de aprendizagem da língua faz-me sentir a falta de pôr em prática. Porém, relembro com carinho as palavras da minha amiga LMC Cristina Sousa (e que hoje se encontra em República Centro-África) quando dizia, em jogos de palavras, que partia em missão para pastar. Para pastar, parafraseando o nosso português tão maroto com a piada de que quem pasta nada faz. Mas também Para estar. P’astar. E é nestas palavras sábias que me digo copiosamente a missão, Carolina, já começou! Tal como vos digo a todos vós… para vocês, a missão já começou, a partir do momento em que são e estão no mundo como criaturas de Deus.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Já diz o ditado. Tiradas as teimas de que o Senhor queria que aceitasse a descoberta de um novo e maravilhoso país como o Quénia, posso agora dizer que valeu a pena vir e que foi para mim uma necessária permanência. Nairobi pode dizer-se uma cidade Europeia (ou Norte Americana?) – verde e organizada, ainda que muito cheia de tráfico, carros, pessoas, mas nada que se compare com o ar pesado que transporta Addis Abeba. Além de estudar amárico através de áudios que os meus companheiros de comunidade me enviavam nos intervalos de existência de internet, aproveitei para conhecer o centro de Nairobi com dois Quenianos, membros do coro da missa do Parlamento, na qual participei a convite do Pe. Comboniano Giuseppe Caramazza. É uma cidade de negócios também, bastando para isso vislumbrar o grande (íssimo) Kenyatta International Convention Centre, um edifício de 28 andares, que é palco de várias conferências, seminários, exposições e cimeiras internacionais.

Misa

A propósito de missas, pelas terras vermelhas a sua preparação é já a premonição de uma grande festa. Muitos e cedo vêm a compor aquele que será o verdadeiro festival. Dizia-me um dos membros do coro: quando vais para um festival, para um concerto, preparaste não é? Pois então, temos que fazer o mesmo (e até melhor) para a Eucaristia, pois não há maior festa que essa! E esta é a lei por aqui. Uma Eucaristia onde ninguém “vem” apenas, senão participa: desde miúdos a graúdos. Todos têm algo para contribuir para este banquete, com a voz, dança, palmas, etc.

Uma realidade transversal, não só no Quénia, mas também na Etiópia. Eucaristias que não têm tempo. Não são elas um mero sopro de 50 minutos, ou 1 hora, no qual tantas vezes vemos os que conversam com o relógio, olhando-o na esperança (quem sabe) de que a Festa já esteja a terminar. Não! Aqui, paradoxalmente, a Eucaristia demora um intervalo de 1h30-2h. O ritmo é de danças e músicas alegres, um ritmo definido, que desperta as almas… quando me dou conta, também o meu corpo balança, acorda, desperta. E, de repente, quando estamos cheios deste banquete que nos anima para a vida, a festa dentro da casa do Senhor acaba e os convidados permanecem no seu átrio à conversa. Olho para o relógio e o tempo parece que voou!

E assim é. O tempo aqui tem voado! Assim como voa este grande abraço que vos envio, muito cheio da minha boa saudade.

Com amor, Carolina de Jesus Fiúza (LMC)

in REDE – Revista Digital Diocese Leiria – Fátima, nº 26, 27 de Junho de 2016 (disponível em https://leiria-fatima.pt/noticias/uma-viagem-inesperada/ )

Missa de envio Emma Chiolini

Emma Brazil
Emma Brazil

No dia treze de junho, às 20h30, na igreja de S. Lorenzo, em Bolonha, foi celebrada a minha missa de envio com o bispo Zuppi, a diocese de Bolonha envia-me em missão como fidei donum. Este meu segundo mandato, Ad Gentes, nasce dentro do centro missionário diocesano, do qual sou membro da equipe, que decidiu criar uma colaboração com a diocese de Salvador, abrindo novos caminhos de participação e cooperação entre as duas dioceses. Isso me deixa muito feliz porque nos permitiria abrir uma janela para a realidade latino-americana, especificamente para o Brasil, para o centro missionário, atualmente engajado apenas na Tanzânia, com a diocese de Mapanda. É também uma partida não comum nos lmc, porque neste caso não é um projecto dos Padres Combonianos ou dos leigos, mas o resultado de uma colaboração externa e talvez um possível precursor para o futuro. Continuarei a permanecer na família comboniana como um lmc, mantendo-me em contacto com a coordenação, os vários grupos de lmc e com o comité central que aprovou a minha escolha, alegando que a “missão é de Deus e não dos homens”…

Emma Brazil

Farei a vida comunitária na Comunidade Trindade, que acolhe as pessoas na rua e vou dedicar me a acolher e ouvir as pessoas da rua, além de laboratórios e serviços, inclusive um jornal de rua que a Comunidade oferece. Será uma experiência completamente nova, concreta e forte, dura e autêntica, como dormir no chão, partilhar os problemas relacionados com a estrada, fatos de marginalidade, dependência e ressurreição, mas como diz Comboni, audácia e tenacidade no caminho e acrescento: com os pés firmemente no chão e com os olhos sempre voltados para o céu. “Desejo que você vista um vestido que nunca seguirá a moda. Desejo-lhe fortes esperanças por seus pés. Calças feitas de compromisso, camisas com duas cores: da liberdade e da corresponsabilidade. E traga um belo chapéu, aquelo do conhecimento e de espírito crítico. Devemos sempre usar tudo isso “. (Don Luigi Ciotti)

Emma Brazil


Emma Chiolini, lmc