Já passaram quatro meses desde a inauguração da nossa comunidade em Chelopoy, no Quénia. Este tempo permitiu-me compreender mais profundamente o que é verdadeiramente a missão. Cada dia aqui lembra-me que não se trata, em primeiro lugar, de atividades ou projetos, mas de encontro – conhecer outras pessoas, as suas histórias, esperanças, dificuldades e fé.
O meu ministério diário tem muitas dimensões: pastoral, social e educativa. No entanto, acima de tudo, trata-se de presença – simplesmente estar perto das pessoas e partilhar a sua vida quotidiana. É nesta simplicidade que descubro o significado e o valor mais profundos.
Às quartas, quintas e sábados, juntamente com a Irmã Rebeka e a Mercy, visitamos famílias. Reunimo-nos para orar, conversar, ouvir e partilhar o que a vida quotidiana nos traz. Estas visitas são extremamente importantes para mim, pois permitem-me compreender melhor a vida das pessoas, as suas alegrias e preocupações, e a sua fé – muitas vezes muito simples, mas profundamente autêntica.
Os domingos têm um caráter especial. Após a Santa Missa, juntamente com a Irmã Benedicta, tentamos visitar os idosos e os doentes nas suas casas. Na maioria das vezes, são mulheres solitárias. Nesses momentos, vejo claramente quão grande é o valor da presença de outra pessoa.

Uma parte importante da minha missão é também a educação dos jovens. Às quintas e sextas-feiras, ensino competências básicas de informática numa escola de meninas. Para muitas alunas, este é o seu primeiro contacto com a tecnologia. Aprendemos a escrever ao computador, a utilizar programas simples e a descobrir as oportunidades que o mundo moderno oferece. No mundo de hoje, onde a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante, mesmo competências básicas de informática podem abrir portas para a educação superior e novas oportunidades. Isto dá-me uma grande esperança e a sensação de que este trabalho tem um impacto real no futuro delas.
É claro que a vida missionária não se resume apenas a belos encontros, mas também a desafios. Um deles é a barreira da língua. Nem sempre é fácil expressar o que tenho no coração ou compreender plenamente outra pessoa. Às vezes faltam palavras e surge a incerteza. No entanto, nestes momentos, aprendo que a comunicação é mais do que a língua – é um sorriso, um gesto, a presença e a abertura. Muitas vezes, são estes que constroem pontes onde as palavras não chegam.

Estes primeiros meses mostram-me que a missão é, acima de tudo, relação. É presença, é ouvir e é caminhar ao lado dos outros. É estar com outra pessoa na sua vida quotidiana – tanto na alegria como na dificuldade. E embora cada dia traga novos desafios, traz também muitos momentos bonitos que nascem do encontro.
Iza
Chelopoy, Quénia















