Desde o início da sua missão, São Daniel Comboni levou consigo pessoas leigas que pudessem acrescentar valor ao seu sonho em África, partilhar as suas profissões e, assim, ajudar as comunidades necessitadas de desenvolvimento.
Segundo ele, os missionários e missionárias leigos «contribuem para o nosso apostolado mais do que os sacerdotes contribuem para a conversão, porque os alunos e os neófitos negros ficam com eles por um período bastante longo. Com o exemplo e a palavra, são verdadeiros apóstolos para os alunos, que os observam e os ouvem mais do que podem observar e ouvir os sacerdotes» (S 5831).
E não apenas os missionários, ele considerava que a formação dos leigos e das leigas constituía um elemento central da sua maneira de fazer missão, insistia em salvar a África com a África: «Todos os meus esforços são direcionados para fortalecer estas duas missões onde preparamos bons indígenas das tribos centrais, para que se tornem apóstolos da fé e da civilização na sua pátria» (S 3293); «Consegui formar professores e catequistas negros competentes, bem como sapateiros, pedreiros, carpinteiros, etc., e abastecer as estações de Cartum e Cordofão. Os indígenas assim formados são indispensáveis para a existência de uma missão» (S 3409).

À luz deste carisma, muitos leigos e leigas que acompanhavam os religiosos nas animações missionárias nos seus países pediram também para serem missionários e missionárias e para ir com esta vocação para outros países. Assim, no final dos anos 80, nasceram os grupos de Leigos Missionários Combonianos, grupos de pessoas leigas prontas a colocar as suas competências profissionais e a sua vida ao serviço da missão.
Comboni quis-nos Santos e Capazes, pelo que o nosso compromisso como mulheres e homens cristãos é poder partilhar a nossa vida de fé e a nossa experiência profissional com aqueles que mais precisam.
Atualmente, estamos presentes em 21 países da Europa, América e África, colaboramos tanto nas comunidades internacionais, onde como LMC de diferentes países nos reunimos para ter uma presença missionária comum e para partilhar a nossa vida com as comunidades carentes nas periferias das cidades ou nas zonas rurais onde muitos são esquecidos, como nos nossos países de origem onde, como leigos e leigas inseridos na sociedade, procuramos propor um estilo de vida alternativo e solidário com aqueles que são excluídos deste mundo.
A título de exemplo, poderíamos dizer-vos como é importante oferecer formação em agricultura ecológica no nordeste do Brasil, para acompanhar e formar as comunidades a confrontar-se com as grandes propriedades e as empresas mineiras extrativas.
Assim como na República Centro-Africana, onde também acompanhamos a população Pigmea-Aka nos seus acampamentos, com escolas de integração, e procuramos fazer com que os seus direitos sejam reconhecidos como cidadãos de primeira classe numa sociedade que procura relegá-los.
Em Moçambique, onde também nos ocupamos da formação profissional de jovens de comunidades rurais, dando-lhes qualificações que lhes permitam entrar no mercado de trabalho, ou acompanhando as inúmeras comunidades da paróquia que vivem no interior, onde quase nada chega.

Ou nas periferias das grandes cidades latino-americanas (Peru, Brasil, Guatemala…), onde há muitas pessoas que tentam sobreviver e ganhar a vida, pessoas que migram do interior para procurar trabalho na cidade, mas que muitas vezes mal sobrevivem devido à precariedade do trabalho que encontram.

Na Europa, encontramos também muitas pessoas migrantes com quem caminhar juntos, pessoas provenientes dos países onde estamos presentes e que acompanhamos também a partir da nossa experiência missionária de vida em África ou na América, e procuramos fazê-las sentir-se acolhidas como nós nos sentimos nos seus países e acompanhá-las e apoiá-las na sua integração na nova sociedade.

Queremos viver tudo isto a partir das nossas comunidades locais, porque sentimos que a nossa vocação missionária é viver esta vocação a partir da comunidade, e por isso nos reunimos para nos formarmos, rezarmos, partilharmos a nossa vida, os nossos sonhos e o nosso compromisso missionário.





