Leigos Missionários Combonianos

Comunidade LMC “Ayllu” em Peru

Ser comunidade é partilhar aquilo que somos com os outros, é ir até às periferias.
Neste vídeo partilhamos aquilo que vivemos em Villa Ecológica (Arequipa, Peru) e o trabalho que desenvolvemos com as pessoas idosas, crianças, famílias e doentes a nível social e pastoral.

Vejam e conheçam o nosso caminho, o que somos, onde estamos e com quem estamos.


LMC Ayllu em Peru

Tu, eu e o nós que Deus nos chama a ser

LMC Peru

Foste a comunidade que nunca escolhi mas com a qual sempre desejei fazer caminho, talvez porque, na diferença encontro um pouco mais de mim e no conjunto revelamos um pouco mais de nós.

Contigo aprendi que a missão não se faz só, e o tanto que preciso de ti. Cruzas-te o meu caminho e ainda que incompreendidamente abriste o coração e aceitaste-me como companheira de caminho, sim, no fundo é um caminho o que fazemos todos os dias neste pedaço de terra do outro lado da realidade que ambas conhecíamos.

Foste a mão estendida quando pensei que nada fazia sentido. Percebi, naquela noite quando orávamos juntas e tudo em mim parecia ruir que, não há erros nos planos de Deus para cada uma de nós. Foste e és o suporte quando tudo parece duro e difícil. És palavra que não esconde, olhos que falam, és tu.

Contigo aprendi as dimensões da partilha e da doação, neste triângulo do amor, numa dinâmica entre o eu o tu e o nós.

És muitas vezes os olhos que vêm para lá do que consigo ver. O coração que me escuta, quando preciso de falar. Os abraços que apoiam e suportam. A mão que sempre se faz presente quando no caminho aparecem os obstáculos. Deus sabe porque te colocou no meu caminho e agora eu também sei. Que Deus me ajude a cuidar-te e a saber decifrar a tua presença na minha vida e no nosso caminhar.

O que juntas conseguimos ser é o que move esta comunidade em busca da missão que Jesus tem para o mundo. Somos silêncio, somos risos muitos, somos críticas e exigência, somos limites e infinito, somos na teimosia das nossas vidas passadas e aprendizagens, somos lágrimas muitas vezes partilhadas entre as minhas lágrimas e o teu ombro ou abraço. Somos oração muitas vezes quando em silêncio olhamos a mesma realidade onde vivemos agora.

Venha quem vier e digam o que disserem, não importa mais. O que verdadeiramente importa é o que nas nossas imperfeições conseguimos ser de Deus.

Somos testemunhas de quem aceita crescer junto. Somos Andrea y Paola (Paula na tua terra natal) as vidas que Deus juntou para caminhar na direcção de um Amor que se aprende diariamente, um amor fruto de falhas, feito de oração, feito de silêncios e muitas vezes olhares que dizem tudo, feito de mãos estendidas e de tarefas partilhadas, de mau humor e teimosias muitas, de perspectivas diferentes e de duas maneiras que se completam de fazer as coisas.

Somos no que cada uma tem de si para dar. Somos no que és e no que me ensinas a ser. Somos no que aprendemos mutuamente. Somos no que sabemos ser-nos. Amor.

LMC PeruQuando me soube chamada à missão soube-me chamada a ser comunidade. Nesse caminho soube que Deus me chamava a ser comunidade com a Andrea (como humildemente chamam à Neuza no Peru). Chegar ao Perú foi saber-me num tempo de travessia do deserto. Ainda assim quando cheguei ao Perú soube-me feliz, irremediavelmente feliz e reconheci que a Andrea fazia parte dessa felicidade. Uma felicidade repleta de obstáculos, dificuldades, alegrias e gargalhadas e por isso uma felicidade completa. Quando fui chamada a caminhar com a Andrea soube que Deus tinha e tem algo a ensinar-me através dela. As pessoas são colocadas na nossa vida para nos fazer crescer, para nos tornar mais santas, para nos ensinar a caminhar e aproximar- nos de Deus. Caminhar com a Andrea exige aceitar que vão haver momentos complicados, difíceis mas que mesmo no silêncio ela está sempre lá. Ela vai saber quando acordas a chorar e vai lá abraçar-te e só se volta a deitar quando estiver segura que ficas bem. Ela vai estar lá a olhar-te quando parecer que o mundo te caiu em cima e invariavelmente vai chorar contigo unindo-se à tua dor. Viver com a Andrea é subir e baixar montanhas com dor na barriga de tanto rir. Com a Andrea sei-me capaz de enfrentar os maiores adamastores que aparecerem no nosso caminho. Com a Andrea não há viagens ou espera de autocarro enfadonhas. Com a Andrea há alegria em cada passo na missão. A Andrea engole cansaço, dor, sofrimento e acompanha-me rua acima e rua abaixo. Com a Andrea encontro Jesus em cada esquina. Viver com ela é uma aprendizagem contínua e um caminho que me proponho a percorrer todos os dias. Sou feliz e confio que somos felizes mesmo nos dias em que estou frágil e tudo parece cinzento tu estás aí sempre desse lado a amar-me tal como sou. Tal como o amor de Deus ser comunidade com a Andrea não é fácil mas é simples basta saber amar e ser amada. Ser comunidade com a Andrea faz-me continuamente lembrar-me da frase do Papa João Paulo II “Amar é um ato de vontade” porque eu quero amá-la todos os dias em cada passo deste nosso caminho.

Não é fácil viver em comunidade e partilhar tudo da nossa vida. Mas quando queremos e fazemos com amor e por amor, quando o fazemos sabendo que é Deus quem nos une, quem está no meio de nós, em todos os momentos e a todas as horas então está tudo bem. Ser comunidade é estar disponível a caminhar não em mim nem em ti mas em nós. Ser comunidade é permanecer unidas nas alegrias e partilhar as cruzes. Ser comunidade é saber dar espaço e abraços de urso. Em comunidade partilhamos o maior dom que Deus nos deu, a nossa vida. Juntas, em comunidade, alegramos uma casa seja ela qual for, rezamos seja lá aonde for, cantamos seja lá aonde for e vivemos em Vila Ecologia na nossa linda casa a que chamamos de lar.

Somos eu e tu, somos Nós.

LMC Peru

Comunidad Ayllu, Neuza (Andrea) e Paula (Paola)

Jornal “Caminho – notícias da missão no Peru

LMC Portugal

Partilhamos mais um pedaço do Jornal Caminho de Abril da Paróquia de Cristo Rei da Vergada.  Hoje com notícias do Peru pela LMC Neuza Francisco. 

Amar é a partida

Desde que cheguei aqui, tenho descoberto a cada dia que passa, o amor. Um amor que exigiu e exige continuamente uma partida, uma partida de nós próprios, uma partida de tudo o que já conhecemos, uma partida que exige que te ponhas a caminho. Precisamos amar o mundo e tudo o que n’Ele espelha o amor de Deus. Aqui encontrei uma outra forma de amar, encontrei um amor disponível, um amor simples, um amor que brota da honestidade do que tenho e do que partilhando permitimos doar e receber do outro. Assim de forma desinteressada. Um amor que brota de um crescer juntos, como irmãos. É aqui que sinto ardentemente que tenho que estar. É neste irmão que sinto todos os dias o chamamento de Deus. É nas subidas e descidas dos grandes montes que me rodeiam que encontro constantemente sorrisos, lágrimas, encontro braços que me esperam, olhos que refletem história, muita história.

É por estes caminhos de terra que todos os dias caminho, que encontro testemunhos que me convertem e me fazem agradecer a Deus, o milagre da vida. Agradeço, ter sido uma das suas escolhidas. Pouco a pouco, vou conhecendo não apenas os seus rostos, a sua expressão, vou conhecendo cada nome, cada casa, cada família. Já são muitas as vezes em que escuto de longe que me chamam “Andrea, hermanita Andrea”. Sim aqui todos somos irmãos e irmãs.

Um dia vos contarei a história do meu nome. Sinto-me um deles. Somos uma família.

Ai Peru, que roubaste o meu coração!

Na partilha do que têm, sim, dão-te muitas vezes do pouco que têm e do muito que são. Fazem questão. São muitas as vezes em que no regresso, trago o regaço cheio com meia dúzia de maçãs do senhor que vem ao encontro de idosos, com uma banana que durante o caminho o senhor da pequena mercearia me ofereceu, com os grãos de milho que me ofereceu uma das famílias que visitei ou com duas ou três batatas, da senhora que estava doente, me ofereceu.

Aceitamos a cada dia crescer juntos. Aceitamos a cada visita, ajudar-nos a carregar a cruz de cada um. Somos palavras de aconchego mútuo, somos sorrisos, somos silêncios que se confessam, somos lágrimas. Somos, na consequência do ser-se, frágeis e muitas são as vezes em que de joelhos nos reconciliamos com o amor.

Na humildade de cada pessoa que cruza o meu caminho que encontro o rosto de um Deus, um Deus misericordioso.

Na alegria e na dor do dia a dia encontro o sentido da vida. E cada vez que ao longe, avisto uma família, um conjunto de crianças que me esperam, avisto dois braços, os braços de Cristo.

LMC PortugalNeuza Francisco, LMC

Em Missão, no Peru

Somos muitos passos num só olhar

LMC PeruSão muitas as vezes em que deixamos a nossa casa e nos aventuramos pelos caminhos rugosos e montes de Villa Ecológica. Tantas são as vezes que nesses caminhos encontramos histórias de vida que se compartem na simplicidade da soleira da porta. É na rua que mais gostamos de passar o nosso tempo. Na simplicidade de cada campo conhecemo-nos e partilhamos os valores de uma vida. Cada rosto que chega até nós fala-nos de uma cultura, fala-nos de um povo pelo qual estamos cada vez mais enamoradas. A visita significa muitas vezes a esperança e a alegria do saber que não estamos sós. Deixam-nos muitas vezes entrar nas suas casas e partilham connosco o pão de cada dia. É através de todas as pessoas com quem nos cruzamos todos os dias que sentimos o chamamento à missão.

LMC PeruMissão é um caminhar juntos, é aceitarmo-nos com tudo o que somos e trazemos dentro de um peito carregado de experiências de vida. Percorreremos juntos, muitas vezes em silêncio, o caminho da libertação. Somos todos os dias sinais de uma Páscoa que se constrói a cada dia.

Crescemos de mãos dadas no Amor d’Aquele que nos chama a ser mais. Crescemos juntos certos de que nunca estamos sós. É aqui que somos chamadas a estar. Junto dos mais pobres. Junto do milagre da vida. E, tal como diz a canção “É Cristo quem te chama, aproxima-se mais a ti. Sorrindo Ele diz-te, vem a Mim. Fecha os olhos já e deixa-te levar. Sim, ele te escolheu a ti e tu deves dizer: “Sim, Senhor. Estou aqui. Estás em mim.”

Como é bom ser vida junto com todas estas famílias que se juntam a nós para viver a plenitude do Projeto Ayllu. É com a ajuda de muitos e também de todos vós que conseguimos ser diferença nesta terra que agora chamamos casa. Somos com eles. Partilhamos das suas lutas e celebramos juntos as suas vitórias. Vivemos juntos estes momentos de grande alegria.

LMC PeruComunidade Ayllu,

Neuza e Paula, LMC

 

Jovens a caminho

A caminhada já conta com meio ano e a verdade é que em cada dia nos sentimos a ir mais longe. Logo nos primeiros dias a vida deles cruzou com a nossa e a partir desse momento decidimos que de alguma forma tínhamos que caminhar juntos.

O grupo nasceu e ainda que sem nome foi crescendo com o testemunho de vida de todos. Agora são eles que levam o remo.

Nós plantamos um pouco da semente que trazemos dentro e juntos vamos ver dar frutos.

Paula y Neuza. LMC Arequipa