Leigos Missionários Combonianos

Comunidade LMC “Ayllu” em Peru

Ser comunidade é partilhar aquilo que somos com os outros, é ir até às periferias.
Neste vídeo partilhamos aquilo que vivemos em Villa Ecológica (Arequipa, Peru) e o trabalho que desenvolvemos com as pessoas idosas, crianças, famílias e doentes a nível social e pastoral.

Vejam e conheçam o nosso caminho, o que somos, onde estamos e com quem estamos.


LMC Ayllu em Peru

Retiro sobre a “Missão dos Leigos Missionários Combonianos: desafios, sonhos, esperanças”

retiro LMCDurante o sábado 16 e domingo 17 de junho nos encontramos no lugar da Osservanza em Bolonha para um

momento de convivência, rezar juntos e reflectir sobre a “Missão dos Leigos Missionários Combonianos: desafios, sonhos, esperanças”, liderado pelo Padre  João  Munari.

Sábado à tarde  estiveram presentes pelo grupo de Bolonha: Micaela, Emma, Chiara, Eileen, Agostino, Giuliana, Annalisa e Michele e pelo grupo de Padova: Fabrizio, Francesca, Dorella e Roberto.

Começamos a partir do significado do termo “Missão” e da Palavra.

Para começar, o padre João recordou-nos que o Evangelho é  por todos, tanto para os leigos como para os sacerdotes, freiras, etc. As bem-aventuranças são um ideal de vida para todos, não apenas para os consagrados.

O batismo recebido dá pleno direito (e dever) a cada leigo de se sentir parte integrante da Igreja, anunciar o Evangelho, trabalhar pela Igreja, é um “direito de cidadania” dentro da Igreja para todos os batizados. E se queremos construir algo, devemos fazê-lo desde a Palavra, não desde documentos.

Nos fizemos algumas perguntas: O que significa fazer do Evangelho o ideal da nossa vida? A igreja se perdeu hoje? O que é que o Espírito pede de nós? Por que o Papa Francisco fala tanto sobre a necessidade de renovar a liturgia? Nós também sentimos essa necessidade? Sentimos fé e vida nas liturgias de nossas igrejas?

Então, partindo de quem somos e lembrando que o fundamento de nossa fé é a Palavra, que celebramos na liturgia, nos concentramos em nosso relacionamento com o mundo como Igreja.

A grande revolução é entender que a Igreja não é o centro do mundo, mas é a Igreja que gira em torno do mundo, assim como foi para a revolução copernicana.

E a renovação da Igreja também passa pela liturgia.

Neste momento, demos espaço para a comparação: como grupos de Bolonha e Pádua falamos sobre os compromissos assumidos no território, durante este ano. Temos enfatizado a riqueza que cada um dos nossos grupos traz após anos de caminhada e que corremos o risco de perdê-lo, dissipando-o e não reconhecendo-o por falta de uma memória comum.

Depois da reflexão, então, em torno da Palavra, cada um de nós apresentou um sinal da caminhada deste ano: o panfleto dos “aperitivo dos Povos” organizados em Pádua, o folheto de reuniões nas paróquias sobre novos estilos de vida organizados em Bolonha, alguns livros significativos (incluindo Ave Mary da escritora Murgia), Wipala, um lápis 80% reciclado que não quebra e até escreve sem dica, o cartão de coleta com o nosso nome, o óleo de Nardo.

Depois do jantar nos reunimos para ouvir os testemunhos da vida missionária das Ir. Elisabetta Raule e Ir. Federica, Missionárias Combonianas, respectivamente, no Chade e na África Central. Foi bom sentir quanto a alegria e a paixão guiam seus passos, mesmo nas dificuldades que encontram diariamente em seus  trabalho entre essas populações. Ir. Elisabetta, uma médica que trabalha diariamente com ferimentos muito graves  das pessoas devido a armas de fogo por causa  da guerra interna em Chad; ir. Federica, uma enfermeira que trabalha entre os pigmeus na floresta.

Domingo de manhã Nós partimos do Evangelho de João (6.1-14): Jesus pede aos discípulos após a multiplicação dos pães para recolher as peças avançadas “Recolham os pedaços que sobraram a fim de que não se perca nada“.

O que eles fizeram? ” Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. “. Qual será o motivo de tanta riqueza?

Devemos ter cuidado para que nada se perca, e pensando em nossos grupos este Evangelho convida-nos a redescobrir a riqueza de nossos grupos em toda a Itália.

Em seguida, liamos  algumas partes de um documento de 1994: Carta do Superior Geral e seu Conselho a todos os confrades sobre o Laicado Missionario Comboniano.

Aconselhamos a todos para retomar nas mãos, fomos surpreendidos ao ler algumas definições preto no branco, afirmando a impotancia, que define a identidade do leigo missionário comboniano (“tocado, inspirado e contagiado pelo carisma de Comboni”) “Os LMC constituem um facto novo que nos obriga a confiar, ter disponibilidade e criatividade …”, escreve o padre Geral e muitas outras coisas bonitas que fortalecem a forte relação entre padres e leigos dentro da família Comboniana. Primeiro de tudo, no entanto, este documento lembra-nos que ser LMC é uma vocação. E aqui todos nos devemos reflectir sobre a nossa vocação.

Em setembro, começaremos novamente a dar forma e conteúdo à nossa caminhada para o próximo ano, preparando-nos para enfrentar com fé e coragem os desafios que nos serão apresentados, certos de que não estamos sozinhos nesta caminhada!

retiro LMC

Grupo LMC de Bolonha, Itália

O coração de Jesus – Missão pela compaixão

Corazon de Jesus ComboniCompadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «quero, fica purificado!» (Mc 1,41)

Este simples gesto de Jesus é cheio de significado e exprime com força a sua atitude para com os marginalizados. É também um acto de rebelião contra a injustiça baseada sobre um sistema socio-religioso de exclusão. É assim que o Pai se revela a nós (Col 1, 5), num Filho que, percorrendo os caminhos da Palestina, ousa tocar um leproso para o curar. Marcos, já no primeiro capítulo, revela-nos como seja capaz de amar Cristo, com um coração que extravasa de compaixão, o rosto de Deus visível que o enviou (Mc 1,1).

A devoção ao Coração de Jesus é, desde as origens do nosso Instituto, uma fonte de espiritualidade onde a nossa missão é firmemente radicada. Nela entramos na intimidade da pessoa de Jesus, nas suas atitudes, nos seus desejos e na visão do mundo novo que as Bem-aventuranças anunciam. Assim, a sua contemplação revela-nos o núcleo da nossa vida consagrada: a centralidade do amor de Deus como chave de leitura da História da Salvação. Um amor que incarna e se define como paixão total pela humanidade (DC 2015, n. 22). Para aprofundar este mistério a oração pessoal é um espaço qualificado porque é um encontro íntimo com Jesus em humildade. Torna-se assim uma experiência de perdão, de acolhimento e de gratuidade, que nos transforma e nos modela segundo o seu Coração.

O Coração do Bom Pastor chama-nos ao dom constante de nós mesmos, com tudo aquilo que somos. A missão é a de se oferecer sem esperar nada em troca, de esvaziar a própria vida em favor dos outros. Esta é a nossa consagração: fazer da nossa vida um instrumento da misericórdia do Pai incarnado no carisma dado a Comboni. A nossa história, com todos os seus limites e as suas incoerências, deixa-nos testemunhos indeléveis de confrades que gastaram a sua vida até ao fim por causa do Evangelho. Homens que se deixaram modelar num ciclo de conversão permanente através da experiência de relação com o amor do Pai, tornar-se pão para os famintos e esperança para os desanimados (DC 2015, n. 14).

Marcos fala-nos da vida de um homem que tem como característica principal a compaixão, porque este é o rosto que o Pai quis mostrar-nos. A sua atenção aos mais pobres torna-se assim um elemento constitutivo da missão da Igreja. Um aspecto claramente presente em Comboni (E 2647). A contemplação do Coração de Jesus impele-nos a uma particular proximidade aos excluídos e chama-nos a procurá-los em novos âmbitos, onde a vida é posta de parte. Ao mesmo tempo, o nosso estilo de vida, que pode ser um obstáculo ao dinamismo e à flexibilidade da missão hoje, é posto em discussão. Toda a nossa actividade e reflexão devem partir de baixo, em contacto com a humanidade pregada na cruz. Esta é a expressão mais radical da total doação do Filho e está ainda hoje muito presente em alguns países em que operamos que sofrem a guerra ou outras formas de violência. A nossa presença missionária é sinal do amor que brota do Coração de Jesus (RV 3.3).

Comboni, homem marcado pela experiência religiosa do seu tempo, desenvolveu uma própria dimensão missionária da espiritualidade do Coração de Jesus. O dom total do Pai no Filho é um sinal do amor que nos abre a uma nova esperança. O Reino é um programa de libertação da vida em plenitude (E 3323). Esta profunda convicção levou-o a percorrer milhares de quilómetros através do Nilo e do deserto, pondo em perigo a sua vida porque o Cristo transpassado é também fonte de vida para os mais afastados. A audácia do nosso Fundador em abrir novas fronteiras à evangelização faz parte da nossa espiritualidade e missão. A revisitação da Regra de Vida é também uma oportunidade para crescer na paixão pelo Evangelho à procura dos esquecidos.

Os desafios do mundo de hoje tornam urgente a nossa missão. Vivemos em tempos cheios de expectativas e desejos de novas estruturas políticas, económicas ou sociais. Há uma procura profunda e sincera de sentido, mas que facilmente cai em respostas efémeras que conduzem só à alienação ou ao niilismo. A loucura do Evangelho (1Cor 1, 25) transforma o coração e o mundo; o nosso Instituto continua a ser chamado a caminhar, com a compaixão de Jesus, a tocar os leprosos de hoje.

Que a festa do Sagrado Coração de Jesus nos dê a graça de continuar a crescer no amor.

O Conselho Geral, mccj

 

Tu, eu e o nós que Deus nos chama a ser

LMC Peru

Foste a comunidade que nunca escolhi mas com a qual sempre desejei fazer caminho, talvez porque, na diferença encontro um pouco mais de mim e no conjunto revelamos um pouco mais de nós.

Contigo aprendi que a missão não se faz só, e o tanto que preciso de ti. Cruzas-te o meu caminho e ainda que incompreendidamente abriste o coração e aceitaste-me como companheira de caminho, sim, no fundo é um caminho o que fazemos todos os dias neste pedaço de terra do outro lado da realidade que ambas conhecíamos.

Foste a mão estendida quando pensei que nada fazia sentido. Percebi, naquela noite quando orávamos juntas e tudo em mim parecia ruir que, não há erros nos planos de Deus para cada uma de nós. Foste e és o suporte quando tudo parece duro e difícil. És palavra que não esconde, olhos que falam, és tu.

Contigo aprendi as dimensões da partilha e da doação, neste triângulo do amor, numa dinâmica entre o eu o tu e o nós.

És muitas vezes os olhos que vêm para lá do que consigo ver. O coração que me escuta, quando preciso de falar. Os abraços que apoiam e suportam. A mão que sempre se faz presente quando no caminho aparecem os obstáculos. Deus sabe porque te colocou no meu caminho e agora eu também sei. Que Deus me ajude a cuidar-te e a saber decifrar a tua presença na minha vida e no nosso caminhar.

O que juntas conseguimos ser é o que move esta comunidade em busca da missão que Jesus tem para o mundo. Somos silêncio, somos risos muitos, somos críticas e exigência, somos limites e infinito, somos na teimosia das nossas vidas passadas e aprendizagens, somos lágrimas muitas vezes partilhadas entre as minhas lágrimas e o teu ombro ou abraço. Somos oração muitas vezes quando em silêncio olhamos a mesma realidade onde vivemos agora.

Venha quem vier e digam o que disserem, não importa mais. O que verdadeiramente importa é o que nas nossas imperfeições conseguimos ser de Deus.

Somos testemunhas de quem aceita crescer junto. Somos Andrea y Paola (Paula na tua terra natal) as vidas que Deus juntou para caminhar na direcção de um Amor que se aprende diariamente, um amor fruto de falhas, feito de oração, feito de silêncios e muitas vezes olhares que dizem tudo, feito de mãos estendidas e de tarefas partilhadas, de mau humor e teimosias muitas, de perspectivas diferentes e de duas maneiras que se completam de fazer as coisas.

Somos no que cada uma tem de si para dar. Somos no que és e no que me ensinas a ser. Somos no que aprendemos mutuamente. Somos no que sabemos ser-nos. Amor.

LMC PeruQuando me soube chamada à missão soube-me chamada a ser comunidade. Nesse caminho soube que Deus me chamava a ser comunidade com a Andrea (como humildemente chamam à Neuza no Peru). Chegar ao Perú foi saber-me num tempo de travessia do deserto. Ainda assim quando cheguei ao Perú soube-me feliz, irremediavelmente feliz e reconheci que a Andrea fazia parte dessa felicidade. Uma felicidade repleta de obstáculos, dificuldades, alegrias e gargalhadas e por isso uma felicidade completa. Quando fui chamada a caminhar com a Andrea soube que Deus tinha e tem algo a ensinar-me através dela. As pessoas são colocadas na nossa vida para nos fazer crescer, para nos tornar mais santas, para nos ensinar a caminhar e aproximar- nos de Deus. Caminhar com a Andrea exige aceitar que vão haver momentos complicados, difíceis mas que mesmo no silêncio ela está sempre lá. Ela vai saber quando acordas a chorar e vai lá abraçar-te e só se volta a deitar quando estiver segura que ficas bem. Ela vai estar lá a olhar-te quando parecer que o mundo te caiu em cima e invariavelmente vai chorar contigo unindo-se à tua dor. Viver com a Andrea é subir e baixar montanhas com dor na barriga de tanto rir. Com a Andrea sei-me capaz de enfrentar os maiores adamastores que aparecerem no nosso caminho. Com a Andrea não há viagens ou espera de autocarro enfadonhas. Com a Andrea há alegria em cada passo na missão. A Andrea engole cansaço, dor, sofrimento e acompanha-me rua acima e rua abaixo. Com a Andrea encontro Jesus em cada esquina. Viver com ela é uma aprendizagem contínua e um caminho que me proponho a percorrer todos os dias. Sou feliz e confio que somos felizes mesmo nos dias em que estou frágil e tudo parece cinzento tu estás aí sempre desse lado a amar-me tal como sou. Tal como o amor de Deus ser comunidade com a Andrea não é fácil mas é simples basta saber amar e ser amada. Ser comunidade com a Andrea faz-me continuamente lembrar-me da frase do Papa João Paulo II “Amar é um ato de vontade” porque eu quero amá-la todos os dias em cada passo deste nosso caminho.

Não é fácil viver em comunidade e partilhar tudo da nossa vida. Mas quando queremos e fazemos com amor e por amor, quando o fazemos sabendo que é Deus quem nos une, quem está no meio de nós, em todos os momentos e a todas as horas então está tudo bem. Ser comunidade é estar disponível a caminhar não em mim nem em ti mas em nós. Ser comunidade é permanecer unidas nas alegrias e partilhar as cruzes. Ser comunidade é saber dar espaço e abraços de urso. Em comunidade partilhamos o maior dom que Deus nos deu, a nossa vida. Juntas, em comunidade, alegramos uma casa seja ela qual for, rezamos seja lá aonde for, cantamos seja lá aonde for e vivemos em Vila Ecologia na nossa linda casa a que chamamos de lar.

Somos eu e tu, somos Nós.

LMC Peru

Comunidad Ayllu, Neuza (Andrea) e Paula (Paola)

Relações humanas e vida em grupo – 4ª formação FEC

LMC Portugal

Relações humanas e vida em grupo, foi o tema da formação da FEC no fim-de-semana de 14 e 15 de Abril de 2018, ministrado pela formadora Paula Silva.

O tema foi muito interessante uma vez que nos fez reflectir sobre vários temas musicais e nos colocou questões com perguntas sobre a letra das mesmas projectando-as para a nossa vida e para a missão.

Por exemplo; a “Lista” de Oswaldo Montenegro na qual colocou 10 perguntas referentes a nós que nos fizeram relembrar o passado e reflectir no presente.

Outra foi os “Contentores” do Xutos & Pontapés com 7 perguntas que nos fez reflectir sobre a nossa partida para a missão, questionando-nos sobre o que levávamos, o que deixávamos, o que conhecíamos do lugar para onde íamos e como achávamos que nos iríamos sentir à chegada para recomeço de vida partindo do zero com o objectivo da possibilidade de se poder ir mais além e estabelecendo os objectivos da nossa permanência no voluntariado. 

Ouvimos o testemunho da Susana Querido que esteve 6 meses em Angola e pertence ao grupo missionário Ondjoyetu.

Terminamos com a Eucaristia seguida do almoço e partida para as nossas casas.

LMC Portugal

LMC Nelly Gomes