Leigos Missionários Combonianos

Estamos na Etiópia!

Ethiopia

Chegámos há poucos dias a Addis Abeba. Magda está connosco e está a ajudar-nos a conhecer a cidade nestes primeiros dias. Nosso tempo tem sido muito preenchido. Depois dos primeiros dias de adaptação e de conhecer Addis Abeba começámos o curso de Amárico. É bom perceber que, graças ao pequeno curso que fizemos na Polónia, já temos alguns conceitos básicos da língua e por isso não precisamos dedicar tempo ao alfabeto, podendo assim avançar mais rápido.

Conhecemos muitas pessoas interessantes e visitámos muitos lugares da capital. Entre outros, estivemos no centro para crianças de rua dirigido pelos Salesianos, assim como na casa Madre Teresa de Calcutá. Reunimo-nos com o cardeal, que nos abençoou. Também participámos na celebração de Timket (batismo de Jesus) que, na Etiópia, é uma celebração muito solene.

Ethiopia

Tobiasz e Adela, LMC na Etiópia

Promovendo o grupo “Amigos de Comboni” na Etiópia

Promoting Comboni FriendsNa Etiópia estamos a planear reativar o grupo “Amigos de Comboni” e quem sabe, mais tarde, através deste grupo possamos encontrar algumas vocações de Leigos Missionários Combonianos (LMC)

No fim-de-semana passado tivemos uma boa ocasião para fazer promoção vocacional. Celebrámos a festa de Cristo Rei (duas semanas mais tarde que o resto do mundo).

As principais celebrações decorreram na catedral de Addis Abeba. O Programa foi de dois dias. O Sábado começou com exposições de diferentes congregações e movimentos laicais; também nós, LMC, estivemos presentes.

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Houve também tempo para aprofundamento da Fé – No sábado tivemos adoração eucarística, orações, conferências e confissões. E no domingo celebrámos a santa missa segundo o rito geez (ritual muito solene próprio da Etiópia).

Foram momentos muito interessantes de oração e encontro com as pessoas, algumas delas mostraram interesse em conhecer melhor o nosso grupo. Assim, rezem por todos nós, se é vontade de Deus o grupo começará e crescerá 🙂

LMC Etiópia

Meskel

Etiopia

A Festa da Santa Cruz (chamada “Meskel”) é uma das maiores celebrações na Etiópia. É comemorada, de modo particular, na região de Gurage, onde tivemos oportunidade de passar uns dias e ver as celebrações. O nosso amigo Desalegn convidou-nos e assim podemos perceber como era a vida na sua aldeia. Dormimos numa casa tradicional onde também estavam os familiares de Desalegn.

Durante a celebração da Meskel, famílias inteiras vêm para as aldeias para passar este momento especial juntas. O sacrifício de um touro é uma das tradições mais importantes e toda a gente é envolvida. Depois das orações, um homem da vila, sacrifica o animal cortando-lhe a garganta. Então todos ajudam a cortar a carne e a prepará-la para ser comida crua durante a festa. A carne crua é uma iguaria muito popular na Etiópia, principalmente quando é fresca.

Nesse mesmo dia as mulheres preparam uma especialidade tradicional chamada “kitfo”, – a carne fresca crua é cortada em bocados muito pequenos sendo servida com manteiga e especiarias picantes. Ninguém nos perguntou se queríamos um pouco – deram a todos uma porção, por isso não a podemos recusar. A Magda, minha homónima, gostou bastante, mas para mim foi um grande desafio comer carne crua. Comi só um pouco.

Etiopia

Segundo a tradição Santa Helena queria encontrar a santa cruz para a salvar de ser profanada, encontrou-a seguindo o fumo de uma fogueira. Em memória a isto, pessoas em toda a Etiópia acendem fogueiras durante a festa. Na região de Gurage as pessoas da aldeia reúnem-se num grande espaço aberto e acendem juntos a fogueira.

Após o discurso de um ou de vários líderes, as pessoas desejam umas às outras um Feliz Ano Novo. De fato é o início do ano novo segundo o calendário local. De seguida dançam uma dança tradicional Gurage em círculo. Depois de algum tempo vão para casa e cada família acende uma fogueira em frente à sua casa. Muitas pessoas movem-se de uma fogueira para outra.

Demo-nos conta que quando um número de pessoas se reúnem numa fogueira em particular, muitos dos vizinhos se juntam a eles. Logo, todos juntos, vão de um lugar para o outro dançando e cantando a mesma canção tradicional. Isto durou até de madrugada.

No dia seguinte fomos à Igreja para a missa. Mais tarde, outra grande fogueira se acendeu. Houve danças e canções. As canções religiosas foram as primeiras a serem cantadas e depois a mesma canção tradicional Gurage.

Muitas pessoas visitam as suas famílias e amigos neste dia. Nós também fomos com o Desalegn visitar os seus familiares. Em todo o lado nos receberam com comida e bebida, começando com o café e vários aperitivos e terminando com o “kitfo”.

Etiopia

Resumindo, posso dizer que fui testemunha das tradições Gurage associadas à festa da Santa cruz. É um momento da família muito especial desta tribo. Tal como na Polónia que passamos o Natal com a nossa família mais próxima e amigos, comendo comidas típicas de Natal, as pessoas Gurage passam a maior parte do tempo sentados, falando e comendo juntas. Claro que também existem diferenças. Por exemplo as pessoas Gurage não utilizam mesas para colocar a comida e não passam horas a ver televisão.

Durante a nossa breve visita, tivemos uma vivência privilegiada com uma família Gurage. Permitiram-nos entrar na sua vida, sentir a atmosfera do lugar, conhecer a forma como se saúdam, experimentar as suas comidas, beber café e conversar com eles. Vimos de muito perto como trabalham, descansam, celebram e vivem a sua vida quotidiana. Foi uma experiencia muito interessante e enriquecedora. Agradecemos sinceramente ao Desalegn, aos seus familiares e às pessoas Gurage por esta grande honra.

Magda Fiec, LMC Awassa (Etiópia)

[Etiópia] Um óptimo dia para a jardinagem

Desde 2010, temos continuado o nosso trabalho (Mark & Maggie), com a Universidade católica e com o Grupo de Estudantes do Colégio em Awassa. Eles têm uma comissão de líderes estudantis muito activa, com muitas ideias e energia, de modo que estamos a acompanhar estes “adultos”, desempenhando as funções de mentores. Este ano o grupo é particularmente dinâmico. Em 2014, um novo centro Católico irá abrir aqui na cidade de Awassa, que terá uma igreja paroquial, um jardim infantil e, a sua jóia da coroa: um novo centro juvenil diocesano. Pensamos que seria fantástico começar a envolver os jovens a dar alguma vida a esta construção que dentro em breve será um centro pastoral.

Assim, aproximámo-nos do grupo de estudantes para ver se eles queriam participar no desenho e plantação dos jardins envolventes à igreja. Eles adoraram a ideia e logo se puseram a preparar o projecto com muita vontade e iniciativa. Em muito pouco tempo, formaram uma equipa de estudantes de engenharia e agricultura, inspeccionaram o local, tiraram as medidas, visitaram alguns dos jardins mais bonitos da cidade para se inspirarem e fizeram um esboço do projecto. Um estudante dedicou um dia inteiro para se deslocar a três horas de distância para seleccionar e comprar as plantas. Outro estudante visitou o terreno no dia anterior e marcou o desenho no solo. E, chegados ao último Sábado, os estudantes convidaram os seus amigos… e vieram umas 40 pessoas que plantaram tudo de uma só vez! Foram divididos em pequenas equipas, e com uma sensação se caos controlado, começou o trabalho: enxadas a balançar, pás a cavar, estrume a voar e plantas a cair na terra. Rimos, cantamos e antes de nos apercebermos que o dia tinha acabado… 1200 plantas e flores já estavam no seu lugar. Depois sentamo-nos à sombra e partilhamos bananas, pão e refrescos. Todos estavam contentes com o excelente dia de trabalho.

Daqui a alguns anos, quando as sebes estiverem cheias e as árvores crescidas, os jovens envolvidos vão olhar e sorrir em silêncio sabendo como tudo aconteceu. O mais importante é que eles terão aprendido uma boa lição – podemos alcançar coisas grandes e belas, se estivermos dispostos a fazer um esforço e trabalhar em conjunto.

garden new church low res

por Maggie, Mark e Emebet Banga, Leigos Missionários Combonianos, Awassa, Ethiopia

[Etiópia] O amor, na prática, é uma coisa dura e terrível

Catholic Worker

Dorothy Day, a fundadora do movimento do trabalhador católico, disse uma vez: “O amor, na prática, é uma coisa dura e terrível, comparado com o amor edílico. A realidade continua a confrontar os nossos sonhos, a nossa esperança e a nossa visão ideal”. Day sabia bem do que estava a falar, pois doou toda a sua vida a lutar em solidariedade com os pobres. Amar os pobres é uma coisa difícil. Mesmo quando chegamos com uma sincera vontade de “servir os pobres”, não podemos deixar de ter uma certa visão romântica acerca de quem são os pobres e do que é que eles precisam. Mas a prática diária do amor, está longe de ser romântica, e estou surpreendido com quantas vezes falhei completamente esta tarefa de amar os pobres, quando estou precisamente a tentar fazê-lo. Isto tem sido parte do meu caminho enquanto leigo missionário comboniano na Etiópia.

Mas o amor persiste como sendo o centro e a única fonte de inspiração. Mt 25, 40: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes. Jesus descreve em Mateus 25, 31-46 que a herança do seu Reino é baseada em algo bastante simples e atingível. Mais uma vez, Dorothy Day lança uma luz, quando comenta: “Se o próprio Cristo não tivesse dito isso, pareceria uma delirante loucura acreditar nisso. Mas Ele disse que um copo de água, dado a um mendigo, é dado a Ele mesmo. Ele fez com que o céu seja uma espécie de dobradiça, que depende da forma de actuarmos em relação a Ele, disfarçado num lugar-comum, frágil, na humanidade.”

Mateus 25,40 continua a ser um grande desafio e ao mesmo tempo encorajador para mim. Ao ver Jesus naqueles que estão ao meu redor, começo a dar valor e cuidar dos seus sofrimentos, assim como das suas alegrias, a ver a esperança e os dons com que eles contribuem para o mundo. Começo também a perceber a minha própria pobreza, a aceitar que, como pessoas, todos partilhamos rupturas, sentimentos de perda, rejeição e necessidades não satisfeitas. Vejo que o verdadeiro desafio é ter confiança em “Jesus” que está nos outros, mesmo quando não O vejo. Acreditem, há momentos em que esfrego os olhos para ver Jesus, mas tudo o que vejo são erros e decepções.

Também estou a aprender que, contido no acto de amar os pobres, está a esfera da virtude humana – paciência, perdão, simpatia, esperança, perseverança e coragem. A mensagem de Deus sobre o amor resume-se na obrigação de amar os pobres, com um chamamento implícito para a autenticidade e para ter o coração aberto, que é exigido em praticamente todas as tarefas do nosso quotidiano (mesmo quando o romantismo já desapareceu).

Quando reflicto sobre estas coisas, faz-me acreditar que no final dos meus dias, quando estiver face a face com Jesus, serei questionado apenas sobre uma coisa: “Como é que amaste os pobres?”

por Mark

Maggie, Mark and Emebet Banga, Leigos Missionários Combonianos, Awassa, Ethiopia

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